Distúrbios da marcha
Causas não neurológicas da marcha
Nem toda mudança no jeito de andar vem do sistema nervoso. Articulação, visão, remédio e coração pesam tanto quanto.
O corpo todo participa da marcha
É comum associar distúrbio de marcha só a doenças do sistema nervoso, mas boa parte das mudanças no jeito de andar vem de outros lugares do corpo. E é frequente as duas coisas acontecerem juntas: uma leve fraqueza neurológica somada a uma dor no joelho pesa mais do que qualquer uma das duas isoladamente. Por isso a avaliação de marcha nunca se limita ao exame neurológico.
Visão
Catarata, glaucoma e óculos multifocais desatualizados atrapalham a percepção de profundidade e de degraus, sobretudo à noite.
Articulações
Artrose de joelho e quadril encurtam o passo do lado dolorido e mudam todo o padrão do andar para poupar a articulação.
Dor crônica
Dor nas costas, no pé ou na perna faz o corpo criar compensações que, com o tempo, desgastam outras articulações.
Remédios
Sedativos, ansiolíticos e alguns anti-hipertensivos causam sonolência, lentidão de reflexo e queda de pressão ao levantar.
Coração e pulmão
Falta de ar ao esforço e arritmias reduzem o fôlego para caminhar, e a pessoa passa a andar mais devagar e com mais pausas.
Deformidades no pé
Joanetes, calosidades e unhas mal cuidadas mudam o apoio do pé no chão e, por consequência, todo o padrão do passo.
Visão: a primeira fonte de informação do equilíbrio
O corpo usa a visão como uma das três fontes principais de informação para se manter equilibrado. Catarata, glaucoma e óculos multifocais desatualizados distorcem a noção de profundidade, dificultam identificar bordas de degraus e pioram muito em ambientes com pouca luz. Uma consulta oftalmológica anual, com atualização do grau, é uma medida simples com impacto real na marcha e no risco de queda.
Artrose e dor articular
A dor no joelho ou no quadril leva o corpo a criar compensações automáticas: encurtar o passo do lado dolorido, mancar, transferir o peso para o lado saudável. Essas compensações protegem a articulação no curto prazo, mas desorganizam o equilíbrio geral da marcha e, com o tempo, sobrecarregam outras articulações. O tratamento da dor de base, somado a fortalecimento muscular, costuma devolver boa parte do padrão normal do passo.
Medicamentos
Remédios para dormir, para ansiedade e alguns para controlar a pressão arterial estão entre os que mais afetam a marcha, por causarem sonolência, lentidão de reflexo ou queda de pressão ao levantar da cama ou da cadeira. Quanto maior o número de remédios em uso ao mesmo tempo, maior esse risco. Vale revisar a lista completa de medicamentos com o médico responsável periodicamente, e nunca ajustar doses por conta própria.
Coração e pulmão
Problemas cardiorrespiratórios não mudam o padrão do passo diretamente, mas reduzem o fôlego disponível para caminhar. O resultado prático é o mesmo observado em outras causas: passos mais curtos, mais pausas e menor distância percorrida sem cansar, um padrão que costuma ser confundido com fraqueza muscular pura.
Como a fisioterapia atua nessas causas
Quando a causa não é neurológica, o trabalho da fisioterapia se concentra em três frentes: fortalecer a musculatura ao redor da articulação dolorida para reduzir a compensação no passo, treinar resistência de forma gradual para quem tem limitação cardiorrespiratória, e adaptar o ambiente e o calçado para compensar a perda de visão ou de sensibilidade nos pés. Muitas vezes, o resultado mais rápido vem justamente daqui, porque o corpo responde bem a treino de força e resistência, mesmo quando a causa de base não tem cura.
Uma avaliação que olha o corpo inteiro
A ReabilitaCare avalia a marcha considerando articulações, remédios em uso, visão e condicionamento, em atendimento domiciliar na região Centro-Sul de Belo Horizonte e em Nova Lima. Ver os bairros atendidos.
Perguntas frequentes
A artrose muda o jeito de andar?
Sim. A dor e a rigidez no joelho ou no quadril fazem a pessoa encurtar o passo do lado dolorido e mancar para poupar a articulação, o que altera todo o equilíbrio da marcha e aumenta o risco de queda.
Quais remédios mais afetam a marcha do idoso?
Remédios para dormir, para ansiedade e alguns para pressão arterial são os que mais causam sonolência, lentidão de reflexo e queda de pressão ao levantar, o que compromete a marcha e a capacidade de reagir a um desequilíbrio.
Óculos desatualizados podem causar quedas?
Podem. A visão é uma das três fontes de informação que o corpo usa para se equilibrar. Catarata, glaucoma e óculos multifocais desatualizados distorcem a percepção de profundidade e de degraus, o que altera a marcha.
Um problema no coração pode alterar a marcha?
Sim, indiretamente. Falta de ar ao esforço e arritmias fazem o idoso caminhar mais devagar e com mais pausas para poupar energia, o que também é registrado como um distúrbio de marcha na avaliação.