Distúrbios da marcha
Causas neurológicas da marcha
Cada doença do sistema nervoso deixa uma marca própria no jeito de andar. Reconhecer o padrão é o primeiro passo do diagnóstico.
O sistema nervoso comanda cada etapa do passo
Caminhar depende de um sistema nervoso funcionando em três camadas. A medula gera o ritmo básico do passo. O tronco cerebral e o cerebelo ajustam a postura e a coordenação em tempo real. E o córtex, sobretudo o lobo frontal, planeja o percurso, reage a obstáculos e decide quando parar ou virar. Uma lesão em qualquer uma dessas camadas altera a marcha de um jeito característico, e é esse padrão que orienta o diagnóstico.
Fraqueza muscular de origem neurológica
Quando a fraqueza vem de uma lesão no sistema nervoso central, como um AVC, ela costuma atingir mais os músculos que levantam o pé e dobram o quadril. O resultado é um passo em que a ponta do pé arrasta no chão, e a pessoa gira a perna para fora para conseguir dar o passo, um movimento chamado circundação. Veja como a fisioterapia trabalha a marcha após acidente vascular cerebral.
Quando a fraqueza vem de um nervo ou raiz nervosa comprometidos, o padrão é diferente: o pé cai (pé caído), e para não tropeçar a pessoa levanta o joelho mais alto que o normal, um passo chamado escarvante, muitas vezes com um leve estalo quando o pé bate no chão.
Perda de sensibilidade nos pés (deaferentação)
Os pés enviam ao cérebro a informação de onde estão no espaço a cada passo. Quando essa sensibilidade se perde, geralmente por neuropatia, diabetes de longa data ou deficiência de vitamina B12, o cérebro perde a referência do chão. A marcha fica alta e com pisadas fortes, como se a pessoa quisesse "sentir" o chão batendo o pé com força, e piora muito no escuro, quando a visão deixa de compensar a falta de sensibilidade.
Parkinson e outros distúrbios do movimento
O Parkinson é uma das causas neurológicas mais frequentes de distúrbio de marcha no idoso. O padrão típico é reconhecível: passos curtos e rápidos, postura curvada para a frente, pouco ou nenhum balanço dos braços, dificuldade para começar a andar e, em alguns momentos, um congelamento súbito dos pés ao passar por uma porta ou ao virar. À medida que a doença avança, o risco de queda cresce de forma expressiva.
Ataxia cerebelar
O cerebelo ajusta o tempo e a força de cada movimento. Quando ele falha, a marcha perde a coordenação fina: a base fica larga, os passos ficam irregulares e o tronco balança, um padrão descrito como cambaleante ou "de bêbado", mesmo sem qualquer relação com álcool. Costuma vir acompanhado de outros sinais, como fala arrastada e dificuldade para tocar um alvo com precisão.
Disfunção do labirinto (vestibular)
O labirinto, no ouvido interno, informa ao cérebro a posição da cabeça e a direção do movimento. Numa disfunção de um só lado, a pessoa sente tontura rotatória e desvia para o lado afetado ao caminhar. Numa disfunção dos dois lados, a queixa muda para instabilidade, sobretudo no escuro ou em terreno irregular, quando a visão e a sensibilidade dos pés já não bastam para compensar. Veja tontura e reabilitação vestibular.
Distúrbios do lobo frontal
O lobo frontal planeja o movimento e o adapta ao ambiente. Quando ele é afetado, geralmente por pequenas lesões vasculares acumuladas ou por hidrocefalia de pressão normal, a marcha fica lenta, com passos curtos, base alargada e dificuldade para iniciar o primeiro passo, às vezes com alguns passinhos no lugar antes de sair do chão. A pessoa costuma virar em bloco, com vários passos pequenos em vez de girar sobre o próprio corpo. Quando esse padrão aparece junto com perda de memória e perda de controle da urina, é sinal de alerta para hidrocefalia de pressão normal, e merece avaliação médica.
Quando o exame de imagem não mostra nada
Uma parcela dos idosos apresenta um padrão de marcha muito parecido com o distúrbio frontal, cauteloso, de passos curtos, mas sem nenhuma alteração relevante nos exames de imagem do cérebro. É o chamado distúrbio de marcha idiopático do idoso, e mesmo sem uma lesão visível, o treino de marcha e equilíbrio segue sendo a base do tratamento.
Como a fisioterapia trata a marcha de origem neurológica
Independente da causa neurológica, o treino de marcha segue princípios comuns: repetição do padrão correto do passo, uso de pistas visuais ou sonoras para reorganizar o movimento quando o comando cerebral falha, fortalecimento das pernas para dar segurança à correção de desequilíbrios, e prática no ambiente real da casa, onde a pessoa vai usar essa habilidade todos os dias.
Cada padrão de marcha exige um treino específico
A ReabilitaCare identifica o padrão neurológico da marcha e monta o treino adequado, em atendimento domiciliar na região Centro-Sul de Belo Horizonte e em Nova Lima. Ver os bairros atendidos.
Perguntas frequentes
Como saber se um distúrbio de marcha é neurológico?
Cada causa neurológica deixa uma assinatura própria no jeito de andar: passo alto e batido na perda de sensibilidade dos pés, passo curto e arrastado no Parkinson, base larga e cambaleante na ataxia. A avaliação neurológica completa confirma a origem.
Marcha parkinsoniana tem tratamento?
O tratamento medicamentoso melhora parte do quadro, sobretudo no início da doença. A fisioterapia complementa treinando o comprimento do passo, o giro e o início da marcha, inclusive com pistas visuais e sonoras que ajudam a driblar o congelamento da marcha.
O que é ataxia de marcha?
É a perda de coordenação fina do movimento causada por disfunção no cerebelo. O idoso caminha com a base alargada, os passos irregulares e o corpo balançando, como se estivesse embriagado, mesmo sem ter bebido.
Um problema no labirinto pode alterar a marcha?
Sim. O labirinto informa ao cérebro a posição da cabeça no espaço, e quando ele falha, o idoso tende a desviar para um dos lados ao caminhar, com sensação de tontura rotatória. Veja tontura e reabilitação vestibular.