Síndrome geriátrica

Distúrbios da marcha no idoso

A forma de andar muda antes de qualquer queda acontecer. Reconhecer a mudança cedo é a melhor chance de agir antes dela virar tombo.

Caminhar é mais complexo do que parece

Andar parece automático, mas exige um trabalho contínuo de coordenação. O cérebro comanda o ritmo do passo, ajusta a velocidade e a direção a cada instante, corrige pequenos desequilíbrios sem que a pessoa perceba, e ao mesmo tempo processa o que os olhos veem e o que os pés sentem no chão. Qualquer falha nessa engrenagem, seja no comando, seja na execução, aparece primeiro na marcha.

É por isso que a marcha funciona como um indicador de saúde geral. Alterar a forma de andar quase nunca é "coisa da idade": é o corpo mostrando que algo mudou, seja um nervo, um músculo, uma articulação, um remédio ou o próprio cérebro.

até 62%dos idosos acima de 80 anos têm algum distúrbio de marcha
1/3das causas combina fatores neurológicos e não neurológicos ao mesmo tempo
17%das quedas em idosos têm o distúrbio de marcha ou a fraqueza como causa direta

Por que a marcha muda com a idade

Caminhar depende de três sistemas trabalhando juntos: os centros que geram o ritmo do passo na medula, os circuitos do tronco cerebral e do cerebelo que ajustam a postura em tempo real, e o córtex cerebral, que planeja o movimento e reage a obstáculos. No envelhecimento, qualquer um desses níveis pode perder eficiência, e é comum mais de um falhar ao mesmo tempo.

Some a isso o que não é neurológico: uma dor no joelho muda o passo tanto quanto um AVC. É por isso que investigar um distúrbio de marcha exige olhar o corpo inteiro, não só o sistema nervoso.

As duas grandes famílias de causas

Para organizar a investigação, é útil separar as causas em dois grupos. O primeiro ponto de checagem de qualquer avaliação é justamente esse: a alteração vem do sistema nervoso, ou vem de outro lugar?

Causas neurológicas

Fraqueza, perda de sensibilidade nos pés, Parkinson e outros distúrbios do movimento, problemas no cerebelo, no labirinto ou no lobo frontal. Cada uma tem um padrão de passo característico. Ver em detalhe.

Causas não neurológicas

Perda de visão, artrose, dor, efeito de remédios e problemas cardiorrespiratórios. Somam-se às causas neurológicas em boa parte dos casos. Ver em detalhe.

O preço de deixar passar

Um distúrbio de marcha não tratado reduz a mobilidade, diminui a qualidade de vida e, no extremo, leva a quedas, fraturas e traumas na cabeça. A velocidade da marcha, isoladamente, se associa à sobrevida: quanto mais rápido o idoso caminha, melhor tende a ser o prognóstico de saúde geral 1. Cada décimo de metro por segundo a menos na velocidade do passo pesa nessa conta.

Por isso a orientação prática é simples: qualquer mudança perceptível na forma de andar, mesmo sem queda, sem dor e sem susto, merece avaliação. Esperar a primeira queda para agir é esperar demais.

Como se investiga um distúrbio de marcha

A investigação começa observando o próprio jeito de andar, porque cada causa deixa uma assinatura visual diferente: o passo alto e batido de quem perde sensibilidade nos pés, o passo curto e arrastado do Parkinson, o passo largo e cambaleante da ataxia. Testes cronometrados e escalas específicas complementam o exame. Ver como a avaliação é feita.

Como a fisioterapia trata o distúrbio de marcha

Seja qual for a causa de base, o corpo aprende a caminhar melhor com treino específico. A ReabilitaCare trabalha o distúrbio de marcha em casa, no ambiente real onde a pessoa se movimenta, com quatro frentes que se combinam conforme o caso:

  • Treino de força nas pernas, sobretudo no quadril e no tornozelo, para dar potência ao passo e à correção de desequilíbrios.
  • Treino de equilíbrio e do próprio padrão do passo, com pistas visuais e sonoras quando o problema é de origem neurológica, como no Parkinson.
  • Adaptação de dispositivos de auxílio, bengala, andador ou muleta, ajustados à causa e ao ambiente da casa. Veja os dispositivos de auxílio à marcha.
  • Treino funcional no percurso real da casa, corredor, escada, tapete, porque o corpo aprende melhor no cenário onde vai usar a habilidade.

Uma marcha mais segura começa em casa

A ReabilitaCare avalia e trata distúrbios de marcha no ambiente domiciliar, na região Centro-Sul de Belo Horizonte e em Nova Lima. Ver os bairros atendidos.

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Perguntas frequentes

O que é considerado um distúrbio de marcha no idoso?

É qualquer mudança na forma de andar que não faz parte de um envelhecimento saudável: passos mais curtos, base mais larga ou mais estreita que o normal, arrastar os pés, lentidão marcada ou perda de firmeza ao caminhar. Não existe uma marcha "normal de idoso": toda alteração tem uma causa a investigar.

Um distúrbio de marcha é sempre neurológico?

Não. Quase a metade dos casos combina causas neurológicas e não neurológicas ao mesmo tempo, como artrose, dor, perda de visão e efeito de remédios. É raro a mudança na marcha ter uma única causa isolada.

É normal andar mais devagar com a idade?

Um pouco de lentidão é esperada, mas a velocidade da marcha é também um sinal clínico: quanto mais devagar o idoso caminha, maior a associação com quedas, perda de autonomia e outros desfechos de saúde. Por isso a lentidão nunca deve ser só observada, e sim avaliada.

A fisioterapia trata qualquer tipo de distúrbio de marcha?

A fisioterapia trata o componente motor e funcional da marcha, treinando força, equilíbrio, o padrão do passo e a segurança para caminhar em casa, mesmo quando a causa de base é neurológica, como no Parkinson ou no AVC. O diagnóstico da causa cabe à avaliação médica, o treino da marcha cabe à fisioterapia.

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