Quedas em idosos
Fatores de risco para quedas
A queda quase nunca tem uma causa só. Conhecer os fatores é o que permite corrigir os que têm correção.
Por que o idoso cai
A queda acontece quando uma ameaça nova se soma a um declínio que já vinha em curso no equilíbrio, na marcha e na circulação. O corpo idoso tem menos margem para absorver o baque, e é a combinação de fatores, não um deles sozinho, que derruba. Quanto mais fatores presentes, maior o risco 1.
Isso muda a forma de olhar. Não se trata de achar a causa da queda, e sim de mapear tudo o que pode ser corrigido. A boa notícia é que a maior parte dos fatores tem correção. Este é o roteiro que a avaliação da ReabilitaCare percorre.
Fraqueza e queda anterior: os dois que mais pesam
De todos os fatores, dois se destacam. A fraqueza das pernas multiplica por mais de quatro a chance de cair. A queda anterior, por três 2. Quem caiu no último ano tem cerca de 60% de chance de cair de novo, e quem já tropeça sem cair também está sinalizando risco.
São os dois melhores alvos que existem, porque nenhum é irreversível. Perna fraca ganha força com treino. Quem já caiu pode reaprender a se equilibrar e a se levantar. É por isso que a fisioterapia coloca esses dois pontos no centro do trabalho.
Medicamentos: o fator mais fácil de corrigir
Depois do equilíbrio e da marcha, o medicamento é o fator de risco mais consistente, e é o mais simples de mexer. O risco cresce com o número total de remédios, com qualquer mudança recente de dose e, curiosamente, também quando a pessoa toma os remédios de forma irregular 3.
Os que mais derrubam agem no sistema nervoso central: calmantes e indutores do sono, antipsicóticos e antidepressivos, todos com risco em torno de 50 a 70% maior de queda 4. No caso dos calmantes da família dos benzodiazepínicos, o que mais importa é a dose e o uso recente, mais do que o remédio ser de ação curta ou longa. Entre os antidepressivos, os mais novos não são mais seguros que os antigos quanto às quedas. Remédios para pressão também entram na conta, com risco menor. Analgésicos opioides, ao contrário do que se imagina, não mostraram aumento claro do risco.
Nada disso significa parar remédio por conta própria. Significa que a lista de medicamentos precisa ser revista periodicamente pelo médico, retirando o que já não tem indicação e trocando o que pode ser trocado por algo mais seguro. O tema aparece com detalhe em polifarmácia no idoso.
A pressão que cai ao levantar
Manter a pressão estável é parte de ficar em pé. Quando a pressão despenca ao levantar da cama ou da cadeira, o cérebro fica por um instante sem sangue suficiente, e a pessoa cai. Essa queda costuma vir com um aviso: a tontura ou a sensação de que vai desmaiar logo depois de mudar de posição.
No idoso, várias coisas favorecem isso. O reflexo que deveria acelerar o coração quando a pressão baixa fica mais lento. O corpo guarda menos água, o que aumenta o risco de desidratar com um calor forte, um diurético ou uma virose. Até a digestão de uma refeição pode derrubar a pressão. Medir a pressão deitado e depois em pé é um passo simples da avaliação.
Visão, e o problema das lentes multifocais
A visão que envelhece perde nitidez, contraste, percepção de profundidade e adaptação ao escuro, e cada uma dessas perdas facilita a queda e a fratura 5. Vale a avaliação oftalmológica e, quando indicada, a cirurgia de catarata do primeiro olho, que ajuda a reduzir quedas.
Há uma armadilha específica: os óculos multifocais. Eles distorcem o contraste das bordas e a percepção de profundidade justamente quando a pessoa olha para baixo, para o degrau ou para o meio-fio. Para caminhar e para atividades ao ar livre, óculos de uma só distância tendem a ser mais seguros do que os multifocais.
As doenças que tiram o equilíbrio
Algumas condições crônicas aumentam o risco por caminhos próprios:
- Doença de Parkinson: a rigidez das pernas, a lentidão para iniciar o movimento e a pressão que cai se somam para derrubar. Veja fisioterapia para Parkinson.
- Dor crônica: quanto mais forte a dor e mais locais doloridos, maior o risco. A dor no joelho da artrose muda a forma de pisar e de desviar de obstáculos.
- Comprometimento cognitivo: mesmo leve, dobra o risco de fratura de quadril, e a perda de função executiva atrapalha a reação a um tropeço.
- Diabetes: quem tem diabetes cai mais, em parte pela perda de sensibilidade nos pés.
- Sequela de AVC e doença cardiovascular também elevam o risco.
O risco cresce conforme aumenta o número de doenças presentes.
Tontura, labirinto e audição
A tontura ao mudar de posição é um sinal a investigar, porque separa a queda por pressão baixa de outros tipos. A perda de audição também anda junto do risco de cair, e uma parte disso pode refletir o mau funcionamento do labirinto, o órgão do equilíbrio que fica dentro do ouvido. A reabilitação vestibular trata justamente esse componente.
O calçado, e o hábito de andar descalço
O que se calça faz diferença. Andar descalço ou só de meia dentro de casa é dos hábitos mais arriscados. Tênis e sapatos de sola aderente protegem. Salto alto aumenta o risco, e sola com boa área de contato com o chão reduz. A recomendação prática é sapato de salto baixo, firme no pé, com sola que agarra 6.
A casa e o que há de errado nela
Os fatores do ambiente quase sempre se combinam com os do corpo. O tapete solto derruba a pessoa que já tem a perna fraca e a visão embaçada. Iluminação fraca, pisos escorregadios, degraus sem corrimão, banheiro sem barra e móveis no caminho são os suspeitos de sempre.
Vale um cuidado com a interpretação. A casa perigosa é mais problema para quem já é frágil; o idoso ativo tende a cair mais na rua, num terreno irregular ou num meio-fio. Por isso a correção do ambiente rende mais em quem tem risco alto, e a avaliação separa um caso do outro. O detalhamento cômodo a cômodo está em prevenção de quedas e segurança doméstica.
Um mapa de risco feito na sua casa
A avaliação da ReabilitaCare percorre todos esses fatores no próprio ambiente onde o idoso vive, na região Centro-Sul de Belo Horizonte e em Nova Lima. Ver os bairros atendidos.
Perguntas frequentes
Qual é o principal fator de risco para cair?
A fraqueza das pernas e a queda anterior. A fraqueza dos membros inferiores multiplica por mais de quatro a chance de cair, e ter caído antes, por três. Os dois são reversíveis com fisioterapia.
Remédio pode fazer o idoso cair?
Sim, e é o fator mais fácil de corrigir. Calmantes, indutores do sono, antidepressivos e antipsicóticos aumentam o risco. O risco também cresce com o número total de remédios e com qualquer mudança recente de dose.
Que tipo de calçado é mais seguro?
Sapatos de salto baixo, com sola de boa aderência e área de contato ampla com o chão. Andar descalço ou só de meia é dos hábitos mais arriscados. Salto alto aumenta o risco de cair.
Óculos podem aumentar o risco de queda?
As lentes multifocais aumentam o risco de queda ao caminhar e ao descer escadas, porque distorcem o contraste e a percepção de profundidade a distância. Óculos de uma só distância para caminhar reduzem esse risco.