Síndrome geriátrica
Polifarmácia no idoso
Quando o número de remédios passa a ser, ele próprio, um risco à saúde. Entenda os perigos e o conceito de desprescrição.
O que é a polifarmácia
Chamamos de polifarmácia o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos. Ela é comum e, muitas vezes, necessária: o idoso costuma ter várias doenças ao mesmo tempo. O problema começa quando a lista cresce sem revisão, e o conjunto de remédios passa a causar mais dano do que benefício 1.
O corpo do idoso processa os remédios de outro jeito. O fígado e os rins eliminam as substâncias mais devagar, então o medicamento permanece mais tempo no organismo e o efeito se acumula. Uma dose segura para um adulto jovem pode ser excessiva para o idoso, mesmo sem mudança na prescrição 2.
Quanto mais medicamentos, maior a chance de interação entre eles e de efeitos colaterais. Acima de cinco remédios, o risco de eventos adversos cresce de forma acentuada, e parte deles se manifesta justamente como quedas, sonolência, confusão e tonturas 3.
Os riscos do excesso
A cascata de prescrição
É a armadilha mais comum. Um remédio causa um efeito colateral, esse efeito é confundido com uma nova doença, e um segundo remédio é prescrito para tratá-lo. A lista cresce tratando problemas que os próprios medicamentos criaram.
Medicamentos potencialmente inapropriados
Alguns remédios oferecem mais risco do que benefício para idosos, especialmente certos calmantes, relaxantes e antialérgicos antigos. Listas como os critérios de Beers ajudam a equipe médica a identificá-los e buscar alternativas mais seguras.
Quedas e confusão
Sedativos, alguns remédios para pressão e medicamentos que afetam o cérebro estão entre as causas mais frequentes de quedas e de estados confusionais no idoso. Rever esses itens costuma ter efeito direto sobre a segurança.
Desprescrição: menos pode ser mais
A desprescrição é o processo planejado de revisar e, quando apropriado, reduzir ou suspender medicamentos que já não trazem benefício claro. Sempre conduzida pelo médico, de forma gradual e monitorada, ela pode melhorar o estado de alerta, reduzir quedas e simplificar a rotina da família, sem abrir mão do que é essencial 4.
O papel da fisioterapia e da equipe
A fisioterapia contribui de duas formas. Primeiro, observando sinais durante as sessões domiciliares: sonolência nova, tontura, piora do equilíbrio ou quedas que podem estar ligadas a algum medicamento, informação levada à equipe médica. Segundo, oferecendo alternativas não medicamentosas: exercício para dor, sono e humor, reduzindo a dependência de remédios cujo papel pode ser, em parte, ocupado pelo movimento. A decisão sobre a medicação é sempre médica; o cuidado é de equipe.
Com os remédios, às vezes menos protege mais
Revisar a lista com regularidade reduz quedas, confusão e interações, sem abrir mão do que é essencial.
Revisar
Cada remédio precisa de um motivo atual para continuar na lista.
Observar
Tontura e sonolência novas podem vir do próprio tratamento.
Substituir
Exercício alivia dor, sono e humor, poupando medicação.