Síndrome geriátrica

Polifarmácia no idoso

Quando o número de remédios passa a ser, ele próprio, um risco à saúde. Entenda os perigos e o conceito de desprescrição.

O que é a polifarmácia

Chamamos de polifarmácia o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos. Ela é comum e, muitas vezes, necessária: o idoso costuma ter várias doenças ao mesmo tempo. O problema começa quando a lista cresce sem revisão, e o conjunto de remédios passa a causar mais dano do que benefício 1.

O corpo do idoso processa os remédios de outro jeito. O fígado e os rins eliminam as substâncias mais devagar, então o medicamento permanece mais tempo no organismo e o efeito se acumula. Uma dose segura para um adulto jovem pode ser excessiva para o idoso, mesmo sem mudança na prescrição 2.

Quanto mais medicamentos, maior a chance de interação entre eles e de efeitos colaterais. Acima de cinco remédios, o risco de eventos adversos cresce de forma acentuada, e parte deles se manifesta justamente como quedas, sonolência, confusão e tonturas 3.

~36%dos idosos brasileiros usam cinco ou mais medicamentos
+50%de aumento no risco de quedas com cada novo remédio psicoativo
evitávelparte das internações por reação adversa pode ser prevenida

Os riscos do excesso

A cascata de prescrição

É a armadilha mais comum. Um remédio causa um efeito colateral, esse efeito é confundido com uma nova doença, e um segundo remédio é prescrito para tratá-lo. A lista cresce tratando problemas que os próprios medicamentos criaram.

Medicamentos potencialmente inapropriados

Alguns remédios oferecem mais risco do que benefício para idosos, especialmente certos calmantes, relaxantes e antialérgicos antigos. Listas como os critérios de Beers ajudam a equipe médica a identificá-los e buscar alternativas mais seguras.

Quedas e confusão

Sedativos, alguns remédios para pressão e medicamentos que afetam o cérebro estão entre as causas mais frequentes de quedas e de estados confusionais no idoso. Rever esses itens costuma ter efeito direto sobre a segurança.

Desprescrição: menos pode ser mais

A desprescrição é o processo planejado de revisar e, quando apropriado, reduzir ou suspender medicamentos que já não trazem benefício claro. Sempre conduzida pelo médico, de forma gradual e monitorada, ela pode melhorar o estado de alerta, reduzir quedas e simplificar a rotina da família, sem abrir mão do que é essencial 4.

O papel da fisioterapia e da equipe

A fisioterapia contribui de duas formas. Primeiro, observando sinais durante as sessões domiciliares: sonolência nova, tontura, piora do equilíbrio ou quedas que podem estar ligadas a algum medicamento, informação levada à equipe médica. Segundo, oferecendo alternativas não medicamentosas: exercício para dor, sono e humor, reduzindo a dependência de remédios cujo papel pode ser, em parte, ocupado pelo movimento. A decisão sobre a medicação é sempre médica; o cuidado é de equipe.

Com os remédios, às vezes menos protege mais

Revisar a lista com regularidade reduz quedas, confusão e interações, sem abrir mão do que é essencial.

Revisar

Cada remédio precisa de um motivo atual para continuar na lista.

Observar

Tontura e sonolência novas podem vir do próprio tratamento.

Substituir

Exercício alivia dor, sono e humor, poupando medicação.

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