Central de conteúdo Dor articular e mobilidade

Dor no joelho ao levantar da cadeira: fisioterapia na artrose

Na artrose do joelho, parar de se mexer é o que piora: a fisioterapia fortalece o quadríceps, dá carga na medida e ensina o jeito de levantar da cadeira, e o exercício que funciona é o que a pessoa mantém por meses. Veja como saber se é artrose, os exercícios para fazer em casa e o que ajuda pouco.

22 min de leitura

Ilustração de senhora idosa sentada flexionando o joelho com as mãos sobre a articulação

Atualizado em 9 de setembro de 2026. Revisado por Rubens Alves de Lima, fisioterapeuta, CREFITO 4/277587-F, formado na UFMG com residência multiprofissional em saúde do idoso pelo Hospital das Clínicas da UFMG. Como este texto foi feito.

O que é a artrose, de fato

A queixa costuma ser esta: dói para levantar da cadeira, dói no primeiro passo da manhã e alivia depois de andar um pouco. Descer escada dói mais do que subir. Isso é o padrão da artrose, ou osteoartrite, a doença articular mais comum no envelhecimento, em que a cartilagem que reveste as extremidades do osso se desgasta e a articulação perde amortecimento. Dor de artrose responde a carga bem dosada, não a repouso prolongado.

Quase toda família chega com a mesma frase: mexer gasta a articulação. Acontece o contrário: sem uso, a musculatura que protege a articulação enfraquece, e a perda de função acelera junto. O movimento orientado é parte do tratamento 2.

São 595 milhões de pessoas com artrose no mundo, e a prevalência sobe de forma acentuada com a idade. O joelho é a articulação mais atingida, e depois dos 70 anos a artrose já aparece entre as sete principais causas de anos vividos com incapacidade 4. Ela é, portanto, uma das razões mais comuns de dor crônica e de perda de mobilidade na velhice.

595 mide pessoas vivem com artrose no mundo, e o joelho é a articulação mais atingida
7ªcausa de anos vividos com incapacidade depois dos 70 anos
1 em 5da incapacidade causada pela artrose vem do excesso de peso corporal
Ilustração em corte de uma articulação com o espaço entre os ossos reduzido
Na artrose a cartilagem afina, e o espaço entre os ossos diminui.

Como saber se é artrose no joelho

A dor da artrose tem assinatura mecânica: aparece quando a articulação é usada e cede quando ela descansa. Levantar da cadeira, descer escada, entrar no carro e ficar muito tempo na mesma posição são os momentos que mais doem, e uma caminhada longa demais cobra o preço no fim do dia ou no dia seguinte. A rigidez aparece pela manhã, mas é curta, costuma soltar em até meia hora de movimento, e volta depois de qualquer período parado, o que explica o joelho travado ao se levantar da poltrona no meio da tarde. Muita gente descreve também um ranger seco dentro da articulação ao dobrar o joelho, e um inchaço discreto que aparece depois de um dia de esforço.

Alguns sinais não combinam com artrose e mudam a conversa para o médico antes do treino: rigidez matinal que passa de uma hora, várias juntas pequenas das mãos inchadas ao mesmo tempo, febre, articulação quente e vermelha, dor que acorda a pessoa e não melhora em nenhuma posição, ou perda de peso sem explicação. Esse conjunto sugere doença inflamatória ou infecção, não desgaste. Dor que na verdade vem do quadril também engana: quando o incômodo aparece na virilha e desce pela frente da coxa até o joelho, e girar a perna deitado dói mais do que dobrar o joelho, a articulação doente é a de cima. Já a dor localizada num ponto pequeno da parte de dentro da perna, quatro dedos abaixo da linha do joelho, que incomoda ao deitar de lado com um joelho sobre o outro, costuma ser inflamação dos tendões que se inserem ali, e responde rápido. O mapa completo dessas outras causas, com o sinal que identifica cada uma, está em dor no joelho no idoso.

A radiografia entra para confirmar e para descartar outras causas, não para medir a dor. Boa parte das pessoas com desgaste visível na imagem não sente nada, e há quem tenha dor forte com uma radiografia quase limpa. O tratamento acompanha a queixa e a função, e é por isso que a avaliação começa medindo o que a pessoa consegue fazer. Um teste simples serve de linha de base em casa: contar quantas vezes ela senta e levanta de uma cadeira firme em 30 segundos, com os braços cruzados no peito. Menos de oito repetições depois dos 70 anos apontam força de perna insuficiente para o dia a dia, e é esse número que se acompanha ao longo do tratamento. Quem preferir o teste cronometrado de cinco repetições encontra o corte dele em perda de força muscular no idoso; os dois medem a mesma coisa, e o que não vale é trocar de régua no meio do caminho.

Ilustração de joelho de perfil com marcações nos pontos onde a dor costuma aparecer
O lugar exato da dor ajuda a separar artrose de tendão inflamado e de dor vinda do quadril.

Por que a dor no joelho leva à queda

A dor da artrose gera um ciclo vicioso: o idoso evita se movimentar para não sentir desconforto, o que leva à atrofia muscular e à perda de estabilidade articular. Articulações instáveis recebem mais carga, geram mais dor e ainda aumentam o risco de quedas. Quebrar esse ciclo é o trabalho inteiro da fisioterapia aqui.

O risco de queda é a parte que costuma passar despercebida. Quem tem dor na frente do joelho cai repetidamente com mais frequência do que quem não tem, mesmo com o mesmo grau de desgaste 6. O motivo é fácil de ver na casa: o joelho que dói faz a pessoa apoiar menos aquela perna, encurtar o passo, girar o corpo para descer o degrau e hesitar no meio da virada, e cada um desses ajustes rouba equilíbrio. A perda de força na coxa vem antes e acompanha a piora: quem chega com o quadríceps fraco vê o espaço da articulação estreitar mais rápido, sobretudo entre as mulheres 7. Perna forte alivia a dor e, no mesmo movimento, faz prevenção de queda.

Ilustração vertical de idoso de perfil sentado com a mão sobre o joelho
A dor faz o idoso se mover menos, e mover menos enfraquece a articulação.

Fisioterapia para artrose no joelho: o que ela resolve

O tratamento ataca esse ciclo por quatro frentes, e as quatro cabem dentro de casa. O fortalecimento dirigido transforma o músculo em amortecedor e tira da cartilagem parte da carga que hoje chega inteira nela, e no joelho quem faz esse trabalho é o quadríceps. Os exercícios de amplitude atacam a rigidez, que é o que trava a articulação de manhã e depois de cada período parado. As técnicas manuais e os recursos de modulação da dor reduzem a dependência do anti-inflamatório contínuo, poupando estômago e rim. E a orientação sobre proteção articular ajusta a rotina, o calçado e a casa para que a sobrecarga caia nas 23 horas em que o fisioterapeuta não está lá. Diretrizes internacionais colocam o exercício e o controle de peso como primeira linha na artrose de joelho e de quadril, antes mesmo da medicação 1.

O tamanho do ganho merece ser dito sem exagero. Em quem tem artrose de joelho, o exercício em solo reduz a dor e melhora a função nos primeiros meses, e é na função que a mudança aparece mais clara 2. O alívio fica na faixa em que a pessoa começa a notar a diferença, longe de um efeito espetacular. O que garante o primeiro lugar do exercício não é a magnitude desse alívio: ele é o único tratamento que, no mesmo pacote, melhora força, equilíbrio, autonomia e risco de queda, não tem teto de segurança como o anti-inflamatório contínuo e mantém o benefício enquanto for feito.

E nenhum tipo de exercício venceu os outros. Força, caminhada, treino aquático, treino neuromuscular e programas mistos rendem resultados parecidos, e nem o número de sessões prescritas separa quem melhora de quem não melhora 2. Isso desloca a pergunta. Não é "qual é o melhor exercício para artrose", é "qual exercício esta pessoa vai continuar fazendo em casa daqui a seis meses". Quem caminha por exercício, por exemplo, tem menos episódios novos de dor frequente e vê o espaço da articulação estreitar menos com o passar dos anos 8. E quando a dor em solo impede começar, a piscina serve de porta de entrada: o exercício na água alivia um pouco e melhora a função no curto prazo, com a vantagem do peso aliviado 9.

Exercícios para artrose de joelho em idosos

A dose certa não é um número igual para todos, é um degrau acima do que a articulação já aguenta hoje. Por isso o treino começa medindo. Além do teste da cadeira em 30 segundos, valem outros dois números: quanto tempo a pessoa caminha antes de a dor subir e em que altura de assento ela ainda levanta sem o apoio das mãos. Os três viram o ponto de partida e o critério de progresso.

A régua da dor organiza o resto. Numa escala de 0 a 10, em que 0 é nenhuma dor e 10 é a pior dor imaginável, o desconforto durante o exercício pode chegar até 5 sem problema. O que decide é o dia seguinte: se a dor voltou ao nível de sempre nas 24 horas seguintes, a carga estava certa e pode subir; se continuou mais alta, a carga passou do ponto e recua um degrau, sem parar o treino. Abandonar a série inteira por causa de um dia ruim é o erro mais comum, e é o que faz a pessoa recomeçar do zero cinco vezes no mesmo ano.

A progressão em si segue uma ordem previsível. Primeiro vem a amplitude sem carga, com o joelho dobrando e esticando na cama e a contração da coxa sem mover a perna, para acordar o músculo. Depois entra o peso do próprio corpo em altura confortável, com o sentar e levantar de uma cadeira alta, três séries de oito a doze repetições, duas a três vezes por semana. O terceiro degrau é a carga externa, com caneleira ou faixa elástica na extensão do joelho e na abertura de quadril deitado de lado, mantendo o esforço percebido em torno de 6 a 7 numa escala de 0 a 10 em que 10 é o máximo que a pessoa conseguiria fazer, que é a faixa em que o treino resistido melhora força e função no idoso 5. Só então entram a cadeira baixa, o agachamento parcial e a subida de degrau, porque os três exigem o joelho mais dobrado, e é nessa posição que a articulação recebe mais carga.

O prazo precisa ser dito na primeira conversa, senão a família desiste antes da hora. A dor costuma começar a ceder entre a quarta e a sexta semana, e a força muda de patamar entre a sexta e a oitava, o que significa que um programa honesto se avalia em 12 semanas, não em 12 dias. Quem espera alívio já na primeira sessão troca de tratamento antes que o anterior tenha tempo de funcionar.

Ilustração de quatro degraus mostrando a progressão do exercício, da cama até a subida de degrau
A carga sobe em degraus, e cada degrau só começa quando o anterior deixa de doer no dia seguinte.

Artrose no quadril e nas mãos

No quadril a queixa muda de lugar e de forma. A dor fica na virilha e na lateral, atrapalha calçar meia, cortar a unha do pé e entrar no carro, e costuma piorar depois de ficar sentado muito tempo. O treino também muda de alvo, porque ali o músculo que protege é o glúteo, e não o quadríceps. Dois caminhos disputam esse espaço, o treino de força progressiva e o treino neuromuscular voltado ao controle do movimento, e em 12 semanas os dois entregam o mesmo ganho de função, de dor e de qualidade de vida a quem tem artrose de quadril 10. De novo, a escolha se define pelo que a pessoa tolera e mantém.

Nas mãos, a artrose se instala na base do polegar e nas juntas dos dedos, engrossa as articulações e tira força de pinça. O que resolve o dia a dia ali é a combinação de exercício leve de amplitude, órtese de polegar nos períodos de crise e adaptação dos objetos: abridor de potes, cabo grosso em faca e escova, torneira de alavanca no lugar da de rosca. Perder força na mão significa perder a chave, o pote e o botão da camisa, e essas três perdas pesam tanto quanto a dor.

Peso corporal e dor no joelho

A força que atravessa o joelho a cada passo é várias vezes o peso do corpo, o que faz cada quilo contar multiplicado dentro da articulação. No mundo todo, um quinto da incapacidade causada pela artrose é atribuído ao excesso de peso corporal 4, e daí o controle de peso aparecer ao lado do exercício como primeira linha nas diretrizes 1. O efeito, medido de perto, é mais modesto do que a promessa: dieta e exercício mantidos por um ano e meio tiram perto de 8% do peso de quem tem artrose de joelho depois dos 50 anos, e a dor cede um pouco, de forma pequena e constante 3. Pequena não quer dizer inútil. Ela soma com o ganho de força, com a melhora do sono e com a pressão arterial, e o conjunto é o que devolve a caminhada até a padaria.

Na prática domiciliar isso não vira dieta restritiva improvisada. O caminho é ajustar a proteína das refeições, para não perder músculo junto com o peso, e combinar a orientação com quem acompanha o caso clinicamente. O tema tem página própria em nutrição e fragilidade no idoso, e a perda de massa muscular associada à idade está detalhada em sarcopenia.

O que ajuda pouco na artrose do joelho

Se o treino e o peso ocupam a primeira linha, vale dizer o que ocupa as últimas. Glucosamina e condroitina consomem boa parte do orçamento das famílias e entregam pouco. Cada uma sozinha rende algo modesto, a condroitina na dor e a glucosamina na preservação do espaço da articulação, e as duas juntas não melhoram nem a dor nem a função 11. São seguras e bem toleradas, então não há motivo para brigar com quem já usa, mas elas não substituem o treino, e é aí que o dinheiro rende mais.

A infiltração de corticoide na articulação confunde muita família. A aplicação repetida a cada três meses, mantida por anos, não alivia a dor além do que alivia uma injeção sem remédio, e ainda acompanha maior perda de cartilagem no joelho 12. Isso não elimina a infiltração pontual numa crise inflamatória, que é decisão do médico diante do caso; o que a evidência desaconselha é a rotina trimestral por tempo indeterminado.

Os anti-inflamatórios funcionam de verdade para a dor, e alguns deles aliviam acima do mínimo que a pessoa percebe, o que os opioides não alcançam na artrose 13. O problema no idoso não é eficácia, é exposição: estômago, rim e pressão arterial limitam o uso contínuo, e quase sempre há outros remédios na mesa. Quem decide a receita é o médico, e o papel da fisioterapia aqui é reduzir a necessidade dela. Duas outras condutas rendem menos do que a fama sugere: o repouso prolongado, que alivia por horas e cobra por semanas, e o aparelho aplicado sozinho, ultrassom ou onda curta, sem exercício associado.

Rigidez matinal: o que fazer antes de levantar

A primeira meia hora do dia é o momento em que a artrose mais assusta e mais derruba. A articulação amanhece endurecida, o joelho não estica por completo, e a pessoa levanta direto da cama para o chão frio com a perna que ainda não respondeu. O caminho seguro é acordar a articulação antes de pedir peso a ela. Deitada, ela move os tornozelos para cima e para baixo umas vinte vezes, dobra e estica o joelho devagar dez vezes, aperta a coxa contra o colchão e segura por cinco segundos, dez vezes. Depois senta na beira da cama e espera meio minuto antes de ficar de pé, com a mão num apoio firme. Esse minuto e meio resolve boa parte da hesitação do primeiro passo e reduz a chance de tontura ao levantar.

Ilustração de idosa deitada movendo o tornozelo e dobrando o joelho antes de levantar da cama
Antes do primeiro passo: tornozelo, joelho e coxa acordam ainda na cama.

O calor ajuda antes do movimento, com bolsa morna por 15 minutos sobre a articulação rígida, e o frio ajuda depois de um dia em que a atividade passou do ponto e o joelho inchou, também por 15 minutos, com pano entre a bolsa e a pele. Nenhum dos dois trata a artrose; os dois abrem espaço para o exercício acontecer, que é o que trata.

Bengala, calçado e altura da cadeira

Três ajustes valem para quase toda casa. O primeiro é a altura de onde a pessoa senta: cadeira baixa, sofá fundo e vaso sanitário sem elevação transformam cada levantada num teste de força com o joelho dobrado ao máximo, que é a posição em que ele mais dói. Assento na altura em que o joelho fica dobrado perto de 90 graus com o pé inteiro no chão, poltrona com braços firmes e elevador de vaso sanitário fazem mais pela dor do dia do que qualquer pomada. O segundo é o lado da bengala, que confunde quase todo mundo: ela vai na mão oposta ao joelho que dói, e avança junto com a perna doente, porque é assim que ela tira peso da articulação. Bengala do lado errado aumenta a sobrecarga em vez de aliviar.

Ilustração comparando uma poltrona baixa e uma cadeira na altura correta para levantar
A poltrona funda exige joelho muito dobrado; o assento mais alto devolve a levantada sem apoio.

A bengala também tem dose. Quanto mais peso a pessoa efetivamente coloca sobre ela durante o apoio, mais carga sai do lado interno do joelho, e o alívio cresce de forma proporcional ao apoio, o que significa que bengala carregada de enfeite não serve para nada 14. A altura correta é aquela em que o cabo da bengala chega à dobra do punho, com o braço solto ao lado do corpo e o cotovelo levemente dobrado. Quem já usa andador encontra a orientação de escolha em dispositivos de auxílio à marcha.

O terceiro é o calçado. Solado flexível, leve e com boa aderência, calcanhar preso e nada de salto ou de chinelo que escapa do pé, porque o chinelo solto é um dos objetos que mais aparecem na história de quem caiu em casa. Palmilhas com cunha lateral, muito vendidas para artrose de joelho, não mostram ganho consistente e não substituem o treino de força. O que cuidar do pé traz de benefício está em saúde dos pés e quedas no idoso.

Ilustração vertical de idoso caminhando com a bengala na mão oposta ao joelho dolorido
A bengala vai na mão oposta ao joelho que dói, e avança junto com a perna doente.

Quando a prótese de joelho entra na conversa

A indicação de prótese não sai da radiografia, sai da vida. Ela entra em pauta quando a dor persiste apesar de meses de tratamento bem conduzido, quando acorda a pessoa à noite e quando a autonomia já encolheu a ponto de o banho, a rua e a escada dependerem de outra pessoa. Em quem já preenche esses critérios, a prótese de joelho seguida de reabilitação alivia mais em 12 meses do que o tratamento conservador sozinho, e ao mesmo tempo responde por mais complicações graves, o que a torna uma decisão pesada dos dois lados 15. O contrário também é verdade: entre quem faz o programa conservador completo, cerca de três em cada quatro atravessam o ano seguinte sem precisar operar 15.

Quando a cirurgia é a escolha, chegar forte muda o pós-operatório. O treino nas semanas que antecedem a operação encurta o tempo de recuperação da marcha e da subida de escada, e a continuidade em casa depois da alta é o que define o resultado final. O caminho está descrito em fisioterapia no pós-operatório, em casa.

Quando procurar o médico antes de treinar

Alguns quadros pedem consulta antes de continuar o treino: joelho que trava e não estende, inchaço que surge de uma hora para outra, articulação quente e vermelha, dor que acorda a pessoa à noite, ou febre junto da dor articular. Perda de força súbita numa perna e formigamento que desce até o pé também mudam a hipótese e pedem avaliação médica. Como a dor no joelho muda o jeito de andar e aumenta o risco de tropeço, vale medir esse risco no formulário de risco de queda antes que o primeiro tombo aconteça.

O que fazer nesta semana

Comece medindo, porque sem linha de base não há como saber se algo mudou: conte quantas vezes a pessoa senta e levanta de uma cadeira firme em 30 segundos, com os braços cruzados no peito, e anote o número com a data. Depois escolha uma hora fixa do dia e faça três séries de sentar e levantar de uma cadeira alta, com oito a doze repetições, duas a três vezes por semana, respeitando a régua de dor até 5 e conferindo no dia seguinte se ela voltou ao de sempre.

Ainda nesta semana, ajuste a altura do assento onde a pessoa mais senta, troque o chinelo solto por um calçado de calcanhar preso, ponha a bengala na mão oposta ao joelho dolorido, e reserve o minuto e meio de aquecimento na cama antes do primeiro passo da manhã. Se a dor limitar o exercício antes da terceira repetição, se o joelho travar, ou se o número do teste da cadeira cair em vez de subir depois de um mês, a avaliação presencial passa na frente. O atendimento domiciliar monta essa progressão dentro da casa, com a cadeira e a escada que a pessoa usa todo dia.

O joelho com artrose melhora com carga, não com repouso

Perna forte tira carga de dentro da articulação, e é isso que faz a dor baixar. Três gestos começam ainda esta semana, sem depender de aparelho nem de remédio novo.

Levantar

Sente na beira de uma cadeira firme e alta, cruze os braços no peito e levante sem apoiar as mãos. Repita de oito a doze vezes, descanse um minuto e faça mais duas séries, duas a três vezes por semana.

Dosar

Numa escala de 0 a 10, em que 0 é nenhuma dor e 10 é a pior dor imaginável, aceite até 5 durante o exercício. Se no dia seguinte a dor não tiver voltado ao de sempre, recue um degrau, sem parar.

Apoiar

Ponha a bengala na mão oposta ao joelho que dói e avance as duas juntas. Suba a altura do assento onde a pessoa mais senta, para que o joelho fique dobrado perto de 90 graus com o pé inteiro no chão.

Perguntas frequentes

Exercício não gasta mais a articulação com artrose?
Não. A inatividade enfraquece a musculatura que protege a articulação e acelera a perda de função, e é ela que piora o quadro. Quem caminha por exercício tem menos episódios novos de dor frequente e menos estreitamento do espaço articular ao longo dos anos do que quem não caminha. O que sobrecarrega é a carga sem progressão, não o movimento em si.
Qual é o melhor exercício para artrose no joelho?
Não existe um vencedor. Treino de força, caminhada, exercício na água e treino neuromuscular produzem resultados parecidos na dor e na função. O que mais decide o resultado é a continuidade, então o melhor exercício é o que a pessoa consegue manter em casa por meses. Na prática, o programa começa pelo que ela tolera hoje e sobe em degraus.
Quanto tempo demora para a dor melhorar?
A dor costuma começar a ceder entre a quarta e a sexta semana de treino regular, e a força muda de patamar entre a sexta e a oitava. Por isso um programa se avalia em 12 semanas, não em poucos dias. Trocar de tratamento antes disso costuma impedir que qualquer um deles funcione.
Pode fazer exercício sentindo dor no joelho?
Pode, dentro de um limite. Numa escala de 0 a 10, em que 0 é nenhuma dor e 10 é a pior dor imaginável, o desconforto durante o exercício pode chegar até 5. O que define é o dia seguinte: se a dor voltou ao nível de sempre em 24 horas, a carga estava certa; se continuou mais alta, ela recua um degrau, sem parar o treino.
Glucosamina e condroitina funcionam?
O efeito é pequeno e inconstante. Cada uma sozinha rende algo modesto, a condroitina na dor e a glucosamina na preservação do espaço da articulação, e as duas juntas não melhoram nem a dor nem a função. São seguras, mas não substituem o treino de força, que é onde o esforço rende mais.
Infiltração de corticoide no joelho resolve?
A aplicação repetida a cada três meses, mantida por anos, não alivia a dor além do que alivia uma injeção sem remédio, e ainda acompanha maior perda de cartilagem. A infiltração pontual numa crise inflamatória é decisão do médico diante do caso. O que a evidência desaconselha é transformá-la em rotina trimestral por tempo indeterminado.
Bengala vai na mão do lado que dói?
Não, vai na mão oposta ao joelho dolorido e avança junto com a perna doente. Quanto mais peso a pessoa efetivamente apoia sobre ela, mais carga sai da parte interna do joelho, com alívio proporcional ao apoio. A altura correta é aquela em que o punho da bengala chega na dobra do punho, com o braço solto ao lado do corpo.
Emagrecer ajuda na dor do joelho?
Ajuda, e por um motivo mecânico: a força que atravessa o joelho a cada passo é várias vezes o peso do corpo, então cada quilo conta multiplicado. Dieta e exercício mantidos por um ano e meio tiram perto de 8% do peso, e a dor cede um pouco, de forma pequena e constante. O ganho maior vem da soma com o treino de força.
Quando é hora de pensar em prótese de joelho?
A indicação vem da vida, não da radiografia: dor que persiste apesar de meses de tratamento bem conduzido, dor que acorda à noite e autonomia perdida no banho, na rua e na escada. Em quem já preenche esses critérios, a prótese alivia mais em 12 meses do que o tratamento conservador sozinho, com mais eventos adversos sérios. Entre quem faz o programa conservador completo, cerca de três em cada quatro não operam naquele ano.
A fisioterapia para artrose pode ser feita em casa?
Pode, e o domicílio tem uma vantagem: o treino usa a cadeira, a cama e a escada que a pessoa enfrenta todo dia, com a altura real de cada uma. O atendimento domiciliar da ReabilitaCare cobre a região Centro-Sul de Belo Horizonte e Nova Lima, e a progressão de carga é ajustada em cada sessão, com o teste da cadeira acompanhando o resultado.

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação individual do idoso, presencial, nem a conduta do médico que o acompanha.

Leia também