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Saúde dos pés e quedas no idoso

Dor e perda de sensibilidade nos pés aumentam o risco de queda do idoso, e o pé costuma ser o último lugar onde a família procura a causa. Veja como examinar em casa e que calçado escolher.

20 min de leitura

Ilustração de senhora idosa sentada em banco de jardim calçando um sapato firme, com os pés apoiados no chão

Atualizado em 15 de setembro de 2026. Revisado por Rubens Alves de Lima, fisioterapeuta, CREFITO 4/277587-F. Como este texto foi feito.

Saúde dos pés no idoso: o que muda com a idade

Cada passo termina no pé. Ele carrega o peso do corpo, absorve o impacto do calcanhar contra o chão e devolve ao cérebro a informação de como está o terreno: liso, molhado, inclinado, com o tapete dobrado na ponta. A sola concentra milhares de terminações nervosas que registram pressão e textura. Os dedos completam o passo empurrando o solo. O tornozelo faz as correções miúdas que mantêm o corpo de pé, dezenas de vezes por minuto, sem que ninguém perceba.

Esse conjunto envelhece como o resto do corpo, mas quase sempre em silêncio. A camada de gordura que amortece o calcanhar afina. Os tendões perdem elasticidade e o tornozelo passa a se mover num arco menor. Os músculos pequenos que ficam dentro do próprio pé, responsáveis por sustentar o arco e estabilizar os dedos, atrofiam com os anos de calçado apertado e pouco estímulo. A sensibilidade da sola diminui. As deformidades, que somam décadas de sapato de bico fino ou de salto, mudam o ponto onde o peso cai.

O resultado dessas mudanças aparece na caminhada antes de aparecer na queixa. O passo encurta, o apoio migra para a borda externa do pé, o tempo com os dois pés no chão aumenta e a velocidade cai. A pessoa começa a escolher o percurso, evita o degrau da varanda e desiste da calçada irregular. Muita gente atribui tudo à idade, quando parte do problema mora dentro do sapato e tem correção.

2xo risco de cair em quem tem dor nos pés
62%dos idosos acima de 78 anos têm a sensibilidade do pé alterada
17%do peso corporal na força dos dedos: abaixo disso, o risco de queda sobe

Dor no pé no idoso dobra o risco de queda

Entre tudo o que se pode examinar em um pé idoso, a dor é o sinal de maior valor. Quem sente dor nos pés cai quase o dobro em relação a quem não sente, e o risco continua alto com o passar dos meses 1. Isso importa porque a dor é justamente o achado que a família mais tende a normalizar como parte natural de envelhecer.

A explicação está no que a dor faz com a caminhada. O pé dolorido procura um jeito de pisar que incomode menos, e essa fuga tem custo: o passo fica curto, o calcanhar toca o chão com menos firmeza, o peso se desloca para a região que dói menos e o impulso final dos dedos perde força. A marcha vira uma sucessão de apoios inseguros. Quando surge um obstáculo inesperado, um fio no chão ou o degrau da calçada, falta margem para corrigir.

A dor também muda o comportamento. Quem sente incômodo a cada passo caminha menos, e a redução da caminhada leva a perda de força e de equilíbrio, o que aumenta o risco de queda por outro caminho. O medo entra nesse ciclo com frequência, e vale conhecer como ele opera na página sobre medo de cair. Tratar a origem da dor, seja ela um calo profundo, uma unha encravada, uma fascite plantar ou a artrose do dedão, costuma devolver o passo antes de qualquer treino de equilíbrio.

Perda de sensibilidade na sola do pé

Logo depois da dor vem a perda de sensibilidade da sola, que aumenta o risco de queda em cerca de 50% 1. O mecanismo é direto: o equilíbrio depende de informação, e boa parte dela sobe do pé. Quando essa via se degrada, o cérebro passa a se apoiar mais na visão para saber onde o corpo está, o que explica por que a pessoa fica visivelmente pior no escuro, no banheiro à noite ou ao subir uma escada olhando para cima.

A perda de sensibilidade é muito mais comum do que a maioria das famílias imagina, e não pertence só a quem tem diabetes. Acima dos 78 anos, cerca de 62% dos idosos têm neuropatia periférica quando o exame é completo, e a proporção é parecida entre quem tem diabetes e quem não tem 3. O teste rápido do monofilamento, aplicado sozinho, encontra 39% dos idosos, contra os 62% do exame completo, porque identifica um estágio já avançado, quando o pé perdeu a chamada sensação protetora.

Ilustração de pé descalço sobre piso irregular, com linhas subindo da sola representando a informação que chega ao cérebro
A sola informa ao cérebro como está o terreno. Quando essa via se degrada, o equilíbrio passa a depender da visão.

Vale entender os dois exames que aparecem nesse contexto. O monofilamento de 10 gramas é um fio de náilon que o profissional encosta na sola, em pontos definidos, até que ele encurve; a pessoa fica de olhos fechados e diz quando percebe o toque. Não perceber significa perda da sensação protetora, o estágio em que um ferimento passa despercebido. O Michigan Neuropathy Screening Instrument é mais amplo: soma um questionário de sintomas, como formigamento e dormência, ao exame do pé, que inclui a aparência da pele, a presença de ferida, o reflexo do tornozelo e a percepção de vibração no dedão. Por olhar o quadro inteiro, ele detecta a neuropatia numa fase em que ainda há o que fazer.

Sintomas que merecem essa investigação aparecem em linguagem doméstica: formigamento nos pés à noite, dormência que sobe do dedo para o meio do pé, queimação, sensação de estar pisando em algodão ou em uma meia grossa, chinelo que cai sem que a pessoa note. O tema tem uma página inteira em neuropatia periférica no idoso.

Força dos dedos do pé e risco de queda

Fecha o trio a fraqueza dos músculos intrínsecos do pé, os que flexionam os dedos contra o chão. A fraqueza do flexor do hálux aumenta o risco de queda em cerca de 65%, e a dos demais dedos praticamente dobra esse risco 1. Trata-se de um grupo muscular que quase nunca entra na avaliação de rotina, apesar de trabalhar a cada passo.

A comparação com outras medidas de força surpreende. A força de preensão dos dedos do pé, medida com um dinamômetro que a pessoa aperta com os dedos apoiados numa base, prevê queda melhor do que a força do joelho e melhor do que a força da mão, que ao longo de um ano não antecipa nada 2. Existe até um ponto de virada: o risco permanece estável enquanto a força dos dedos fica acima de aproximadamente 17% do peso corporal, e cresce abaixo disso. Para quem tem 70 quilos, esse limite equivale a algo em torno de 12 quilos de força.

Ilustração aproximada de dedos do pé pressionando o chão no fim do passo
Os dedos dão o último empurrão do passo, e a força deles se perde sem que a mão denuncie.

O achado é útil na prática porque a força de preensão da mão virou sinônimo de força global na avaliação do idoso, e ela não conta essa história. Um pé fraco convive com uma mão razoável. O motivo é funcional: os dedos dão o último empurrão do passo e seguram o corpo quando o peso vai para a frente, dois momentos em que a mão não participa.

A musculatura do tornozelo entra na mesma conta. Quem já caiu apresenta menos força de dorsiflexão, o movimento que levanta a ponta do pé, e também menos força nos músculos que estabilizam o quadril, enquanto a amplitude de movimento do quadril não separa quem cai de quem não cai 10. Um pé que não levanta a ponta o suficiente tropeça no tapete, no batente e na guia, o que dá a esse músculo lugar garantido em qualquer programa de prevenção.

Joanete, calo e deformidade: o que se sabe

Boa parte do que se repete sobre pé e queda não tem a sustentação que dor, sensibilidade e força dos dedos têm. Deformidades como joanete e dedo em garra, alterações de postura do pé como o arco muito alto ou muito baixo, calos, unhas alteradas e a amplitude de movimento do tornozelo não têm resultado firme ao longo do tempo, ou se apoiam em pouca informação 1. O mesmo vale para a categoria genérica de "problemas nos pés", ampla demais para significar qualquer coisa.

Esses achados continuam importando, só que por via indireta. Um joanete que dói dentro do sapato produz a dor que tem peso comprovado. Um calo profundo na sola muda o apoio e incomoda a cada passo. A unha grossa que impede calçar o sapato certo empurra a pessoa para o chinelo, que é calçado de risco. Na frente do paciente, portanto, a pergunta útil trata do efeito da deformidade: ela dói, ela impede o calçado adequado, ela mudou o jeito de andar?

Uma ressalva vale para tudo o que veio até aqui. O que se sabe sobre pé e queda raramente consegue separar o peso do pé do peso dos outros fatores que empurram o idoso ao chão, como remédios, visão e força de perna 1. O pé é uma peça do quebra-cabeça, não a explicação inteira, e a leitura completa dos fatores está em fatores de risco para quedas.

Como examinar o pé do idoso em casa

O exame começa em casa, com o pé descalço e boa luz. Olhar a sola inteira, inclusive o calcanhar e o espaço entre os dedos, procurando ferida, rachadura, área avermelhada, calo endurecido e mudança de cor. Passar a mão para sentir se um pé está mais frio que o outro. Perguntar se dói e em que ponto exatamente. Observar a unha: se está grossa, escurecida, encravada ou comprida a ponto de encostar na ponta do sapato. Quem tem dificuldade de alcançar os próprios pés precisa de alguém que faça essa conferência, e um espelho no chão resolve parte do problema.

Dois testes simples completam a checagem doméstica. O primeiro é ficar em pé com um pé à frente do outro, calcanhar encostado na ponta do outro pé, e tentar sustentar dez segundos com apoio próximo por segurança; instabilidade nessa posição indica equilíbrio comprometido. O segundo é medir o tempo para caminhar quatro metros em ritmo habitual: abaixo de 0,8 metro por segundo, ou seja, mais de cinco segundos para esse percurso, a marcha já sinaliza risco. O método detalhado está em velocidade da marcha no idoso.

Esses dois testes vêm de uma recomendação internacional. As diretrizes mundiais de prevenção de quedas organizam o rastreio num algoritmo que classifica o idoso em risco baixo, intermediário ou alto, a partir do histórico de quedas ou de duas perguntas-chave, a preocupação em cair e a instabilidade ao ficar em pé, somadas à velocidade da marcha. A escolha do caminho muda muito o resultado: perguntar só pelo histórico de quedas coloca 7,8% dos idosos brasileiros em risco intermediário, enquanto as perguntas-chave levam esse grupo a 34,6%, o que corresponde a milhões de pessoas que passariam despercebidas 9. Cerca de 3,5 milhões de idosos no Brasil se enquadram no risco alto.

À consulta vale levar informação concreta: quantas quedas houve nos últimos doze meses e em que circunstância, quais calçados a pessoa usa dentro e fora de casa, onde dói e há quanto tempo, quais remédios estão em uso e se existe diabetes. O exame profissional do pé acrescenta o monofilamento, a percepção de vibração, o teste de força dos dedos, a avaliação da amplitude do tornozelo e a análise do desgaste do solado, que revela como a pessoa realmente pisa. Fisioterapeutas, podólogos e terapeutas ocupacionais cobrem esse território de formas que se sobrepõem, e o encaminhamento certo depende do que o exame encontrou 11.

Calçado seguro para idoso: o que olhar

Nenhuma intervenção sobre o pé custa tão pouco e rende tanto quanto a troca do calçado. Seis características definem um sapato seguro para o idoso: numeração e largura corretas, fechamento firme por cadarço ou velcro, salto baixo e de base larga, cano que envolva o tornozelo, solado com boa aderência e sola de dureza intermediária 6. A numeração pede um cuidado extra em quem tem o pé inchado ao fim da tarde: a prova do sapato se faz nesse horário, com o pé no maior volume, e o que causa o inchaço está em inchaço nas pernas no idoso.

O ponto menos intuitivo é a sola. Existe a impressão de que quanto mais macio e acolchoado, melhor, e o efeito costuma ser o contrário: a espuma muito grossa afasta a sola do pé da informação do chão, justamente o que o idoso já perdeu por conta da idade. O tênis de corrida moderno, com entressola alta, funciona mal para quem depende dessa informação para se equilibrar. Sola dura demais também não serve, porque transmite o impacto direto ao calcanhar dolorido.

Ilustração de um sapato fechado com cadarço e solado aderente ao lado de um chinelo aberto de dedo
Fechamento firme, salto baixo e solado aderente de um lado; do outro, o calçado que os dedos precisam segurar a cada passo.

Dentro de casa mora a maior parte do risco, e também o pior calçado. Chinelo aberto obriga os dedos a se enroscarem para segurar a peça no pé, o que rouba estabilidade a cada passo. Meia sem faixa antiderrapante desliza no piso frio. Andar descalço no chão molhado do banheiro combina superfície escorregadia com pé sem proteção. A troca por um sapato fechado de uso doméstico, com solado aderente, é das mudanças mais simples de fazer, e o restante do ambiente está em prevenção de quedas e segurança doméstica.

O calçado minimalista, de sola fina e flexível, aparece como possibilidade para quem quer estimular a musculatura do pé. Usado de forma progressiva ao longo de meses, ele melhora o equilíbrio o bastante para a diferença aparecer na avaliação clínica, embora ainda não haja demonstração de que reduza o número de quedas 7. A escala usada nessa avaliação, o Mini-BESTest, pontua de 0 a 28 e examina quatro sistemas do equilíbrio: os ajustes que o corpo faz antes de um movimento, as reações depois de um empurrão, o equilíbrio em situações que confundem a visão e o controle durante a caminhada. A adoção precisa ser gradual e supervisionada, porque trocar de sapato de uma vez sobrecarrega um pé que estava acostumado a ser sustentado.

O que tem tratamento no pé do idoso

A perda de sensibilidade responde a estímulo. Um programa de treino sensorial da sola, com três sessões semanais durante oito semanas, que combina estímulos de vibração e de percepção com caminhada, melhora a sensibilidade plantar, a noção de posição do tornozelo e a estabilidade em pé, com ganho maior nas condições difíceis: superfície instável e informação visual prejudicada 4. O benefício aparece justamente nas situações em que o idoso costuma cair.

A rigidez do tornozelo também cede em pouco tempo. Meia hora de alongamento por dia, cinco vezes por semana, melhora a amplitude do tornozelo e o equilíbrio em três semanas, e o ganho no tempo de levantar e andar aparece quando o alongamento inclui os músculos que giram o pé para dentro, além da panturrilha 5. Duas escalas aparecem nesse tipo de avaliação. A Escala de Equilíbrio de Berg reúne catorze tarefas do cotidiano, como levantar da cadeira, girar, pegar um objeto no chão e ficar em pé com os olhos fechados, cada uma pontuada de 0 a 4. O teste de levantar e caminhar, conhecido como TUG, cronometra o tempo para levantar de uma cadeira, andar três metros, voltar e sentar; acima de doze segundos, o resultado indica mobilidade comprometida.

O fortalecimento dos dedos e dos músculos intrínsecos entra pelo mesmo raciocínio da força que se perde e se recupera. Exercícios como agarrar uma toalha com os dedos, sustentar o arco do pé sem curvar os dedos, elevar o calcanhar de forma controlada e caminhar na ponta dos pés com apoio dão conta desse grupo muscular, e progridem em carga como qualquer treino de força. A dorsiflexão pede exercício próprio, levantando a ponta do pé contra resistência, porque é ela que evita o tropeço.

Nada disso substitui o cuidado da pele e da unha. A unha grossa ou encravada, o calo profundo e a rachadura no calcanhar têm tratamento específico, e resolvê-los muda a caminhada mais rápido que qualquer exercício. Sobre o joanete, existe um dado que ajuda a decidir: entre idosos com indicação cirúrgica, quem opera cai menos que quem mantém a deformidade sem correção, 5% contra 8% no primeiro ano, com diferença que aumenta ao longo dos anos seguintes 8. A redução de quedas funciona como benefício adicional de uma cirurgia já indicada, nunca como motivo isolado para operar, e a decisão pertence ao ortopedista.

Quando procurar ajuda profissional

Merece avaliação em curto prazo a dor no pé que mudou o jeito de andar ou fez a pessoa evitar percursos que fazia antes; a dormência, o formigamento ou a queimação nos pés, com ou sem diabetes; a ferida, bolha ou rachadura que não fecha em duas semanas; a unha encravada, muito grossa ou escurecida; o pé que ficou mais frio, mais pálido ou mais inchado que o outro; e qualquer queda no último ano, mesmo sem lesão. Quem tem diabetes precisa de exame anual dos pés ainda que nada doa, porque a perda de sensibilidade avança em silêncio e o primeiro aviso costuma ser a ferida que já apareceu.

Por onde começar: do sapato ao dedo

Quatro passos dão conta da maior parte do que o pé pede, e nessa ordem. O primeiro é abrir o armário de calçados e separar o que sai: chinelo aberto de uso diário, sapato folgado que só fica no pé porque a pessoa arrasta o passo, solado liso e gasto, meia sem antiderrapante para andar em casa. No lugar entra um sapato fechado de uso doméstico, com fechamento firme e solado aderente, comprado no fim da tarde, quando o pé está no seu maior volume.

O segundo é olhar o pé com regularidade, uma vez por semana no caso de quem não tem diabetes e todos os dias para quem tem. Sola, calcanhar, entre os dedos e as unhas. A rotina leva dois minutos e encontra o problema enquanto ele ainda é pequeno.

O terceiro é levar dados à consulta, e não impressões. O número de quedas do último ano, a descrição de onde e como elas aconteceram, o tempo para caminhar quatro metros, a dificuldade de ficar em pé com um pé à frente do outro e a lista de remédios em uso. Com essa informação, a conversa sobre risco muda de qualidade.

O quarto é incluir o pé no exercício. Alongar a panturrilha, fortalecer os dedos, treinar a dorsiflexão e pisar em texturas diferentes com segurança fazem parte de um programa de equilíbrio tanto quanto o treino de perna, e a página sobre fisioterapia para prevenção de quedas detalha como o restante se organiza. O pé raramente derruba sozinho, porém corrigi-lo remove uma das poucas causas de queda que dependem tão pouco de remédio e tanto de atenção.

A queda começa muito antes do tombo, e às vezes nasce dentro do sapato

Dor, sensibilidade e força dos dedos são o que a evidência sustenta, e as três se examinam em poucos minutos, com o pé descalço e boa luz.

Tratar a dor

Quem sente dor nos pés cai quase o dobro. Unha encravada, calo e joanete têm tratamento, e nenhum deles é coisa da idade.

Testar o toque

A sola que deixa de informar o chão obriga o equilíbrio a depender da visão, e no escuro ele fica sem informação nenhuma.

Treinar os dedos

Dedo fraco não segura o corpo na hora do tropeço, e responde a treino como qualquer outro músculo.

Perguntas frequentes

Dor nos pés aumenta mesmo o risco de queda?
Aumenta, e bastante. Idosos com dor no pé caem quase o dobro em relação a quem não tem dor, e o efeito se mantém quando o acompanhamento é feito ao longo do tempo. A dor encurta o passo, muda o apoio para a borda do pé e reduz a confiança no chão, três alterações que aparecem antes do primeiro tombo.
Como saber se o pé perdeu sensibilidade?
O teste mais simples é o monofilamento de 10 gramas, um fio de náilon que o profissional encosta na sola em pontos definidos, com os olhos da pessoa fechados. Quem não percebe o toque perdeu a sensação protetora. Em casa, sinais como formigamento, dormência, sensação de andar sobre algodão e ferimento que passa despercebido pedem avaliação, mesmo sem diabetes.
A força dos dedos do pé tem importância para o equilíbrio?
Tem, e mais do que se imagina. A fraqueza dos flexores do hálux e dos demais dedos aparece associada a mais quedas, e a força de preensão dos dedos prevê o tombo melhor que a força da mão ou a força de extensão do joelho. Os dedos dão o último empurrão do passo e seguram o corpo quando o peso vai para a frente.
Qual é o melhor calçado para idoso não cair?
O que combina numeração correta, fechamento firme com cadarço ou velcro, salto baixo e largo, cano que envolve o tornozelo, solado antiderrapante e sola nem dura nem excessivamente macia. Sola muito acolchoada afasta a sola do pé da informação do chão. Chinelo aberto e meia sem antiderrapante dentro de casa estão entre os calçados mais associados a queda.
Existe exercício para os pés que melhora o equilíbrio?
Existe. O treino sensorial da sola, feito três vezes por semana durante oito semanas, melhora a estabilidade em pé, sobretudo nas situações difíceis como piso instável ou pouca luz. O alongamento do tornozelo melhora o equilíbrio em três semanas, e o tempo de levantar e andar melhora quando o alongamento inclui os músculos que giram o pé para dentro.
Operar o joanete reduz o risco de queda?
Entre idosos que já têm indicação cirúrgica por outros motivos, quem opera cai menos que quem mantém a deformidade sem correção: 5% contra 8% no primeiro ano. A redução de quedas funciona como benefício adicional da cirurgia indicada, nunca como motivo isolado para operar. A decisão é do ortopedista, que pesa a dor, a deformidade e o risco do procedimento.
Quando levar o pé do idoso a uma avaliação?
Dor que muda o jeito de andar, dormência, ferida que não fecha, unha que impede calçar o sapato, deformidade que dói dentro do calçado e qualquer queda no último ano justificam avaliação. Quem tem diabetes precisa de exame anual dos pés, ainda que nada doa, porque a perda de sensibilidade costuma ser silenciosa.

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