Ilustração de senhora idosa sentada em cadeira na varanda ao fim da tarde, com um pé apoiado num banquinho baixo, o tornozelo visivelmente mais grosso e a meia de compressão enrolada sobre a mesinha ao lado
Condições clínicas

Inchaço nas pernas no idoso

A perna que incha no fim do dia e amanhece fina conta uma história. A perna que já acorda inchada conta outra. Separar as duas é o primeiro passo, e boa parte do que resolve cabe dentro de casa.

Atualizado em 23 de setembro de 2026. Conteúdo de Rubens Alves de Lima, fisioterapeuta, CREFITO 4/277587-F.

Por que a perna do idoso incha

O sangue desce até o pé sem esforço nenhum, empurrado pelo coração e puxado pela gravidade. A volta é que é trabalhosa. Para subir de novo, o sangue conta com duas ajudas: válvulas dentro da veia, que impedem o retorno, e a panturrilha, que a cada passo aperta as veias profundas como uma mão apertando uma esponja. Essa segunda ajuda tem nome próprio na fisioterapia, bomba da panturrilha, e é a peça que mais se perde com a idade.

Ela se perde de dois jeitos. A válvula vai ficando frouxa e deixa escapar sangue para trás, o que mantém a pressão alta dentro da veia da perna. E o tornozelo vai perdendo movimento: o pé que já não sobe e desce por inteiro faz a panturrilha apertar pouco, mesmo quando o idoso caminha. Com pressão alta dentro da veia e bomba fraca do lado de fora, a parte líquida do sangue atravessa a parede do vaso e se acumula no tecido. Esse líquido parado é o inchaço, que a medicina chama de edema.

Daí a cena típica: o tornozelo some ao longo da tarde, a meia deixa marca, o sapato aperta, e de manhã, depois de horas deitado, está tudo quase normal. Enquanto o corpo fica na horizontal, a gravidade para de trabalhar contra e o líquido volta para a circulação. Quando esse ciclo se repete por meses, a perna deixa de desinchar por completo à noite, e o inchaço passa a ser crônico.

O quadro é mais comum do que parece. Entre as pessoas internadas em enfermarias gerais, quase quatro em cada dez estão com a perna cronicamente inchada, e os fatores que mais aparecem ao lado disso são a idade avançada, a obesidade, a insuficiência cardíaca e o dia inteiro passado na cadeira 1. Esse último item é causa, e não apenas consequência. É também o único da lista que a rotina de casa muda sozinha.

4 em 10pessoas internadas em enfermaria geral estão com a perna cronicamente inchada
1 em 6incha o tornozelo entre quem toma anlodipino, contra 1 em 16 de quem não toma
quase 7×mais risco de erisipela na perna que vive inchada, comparada à perna seca

Inchaço nas pernas em idosos: as causas mais comuns

Quase toda perna inchada depois dos 70 anos tem mais de uma causa somada, e é por isso que tratar só uma delas costuma decepcionar. As que mais aparecem, em ordem de frequência:

Insuficiência venosa crônica

A veia cansada, com válvula que não segura. Vem acompanhada de peso na perna ao fim do dia, coceira, veias salientes e, com o tempo, manchas acastanhadas na altura do tornozelo. Incha as duas pernas, quase sempre de forma desigual, e melhora com a perna para cima.

Imobilidade e a perna pendurada o dia todo

O idoso que passa o dia sentado com o pé no chão mantém a perna na posição em que a gravidade mais cobra e a bomba da panturrilha desligada. Em poucas semanas o tornozelo incha sem que exista doença nova nenhuma. Quem já está acamado ou muito parado tem o mesmo problema por outro caminho, descrito na página sobre síndrome do imobilismo.

Remédio

Causa comum e das mais esquecidas, tratada com detalhe adiante. Além dos remédios da pressão do grupo do anlodipino, incham o corticoide, o anti-inflamatório usado por muitos dias, alguns remédios para dor neuropática e para diabetes.

Insuficiência cardíaca

Aqui o inchaço sobe: começa no tornozelo, avança pela canela e pode chegar à coxa e à barriga. Costuma vir com falta de ar ao deitar, cansaço aos esforços pequenos e ganho rápido de peso, de dois ou três quilos em poucos dias. A perna inchada, sozinha, é um sinal fraco; ao lado dos outros, pesa muito mais 2. O quadro completo está em insuficiência cardíaca no idoso.

Rim, fígado e proteína baixa no sangue

Quando o rim perde proteína ou o fígado deixa de fabricá-la, o sangue perde a capacidade de segurar líquido dentro do vaso, e o inchaço aparece em vários lugares ao mesmo tempo: pernas, mãos, rosto ao acordar. Quem come pouco há meses entra por essa mesma porta, e aí o assunto passa a ser o do prato, tratado em nutrição e fragilidade no idoso.

Linfedema

O sistema linfático é a segunda via de drenagem da perna. Quando ele falha, o inchaço fica mais duro, não abre cova quando se aperta com o dedo, e chega até os dedos do pé, o que quase não acontece no inchaço venoso. Aparece depois de cirurgia com retirada de gânglios, depois de erisipela de repetição e em quem tem obesidade de longa data.

Existem ainda as causas agudas, que mudam completamente a conduta: trombose venosa profunda e erisipela. As duas costumam pegar uma perna só, e é sobre elas o próximo tópico.

Ilustração de dedo pressionando a pele acima do tornozelo inchado e a cova que permanece na pele depois de retirado o dedo
A cova que permanece depois de apertar o dedo acima do osso do tornozelo indica líquido acumulado. No linfedema, a pele quase não afunda.

Inchaço em uma perna só: quando é urgente

A pergunta que organiza tudo é simples: as duas pernas ou uma só? Inchaço nas duas, que vem devagar e piora ao fim do dia, é assunto de consulta marcada. Inchaço em uma perna, que apareceu de um dia para o outro, é assunto do mesmo dia.

Procure atendimento no mesmo dia se houver

  • Uma perna inchada de repente, mais quente e mais dura que a outra, com dor na panturrilha ao pisar ou ao apertar.
  • Vermelhidão que se espalha, pele quente e brilhante, febre ou calafrio, com ou sem ferida visível.
  • Ferida aberta na perna que não fecha, com secreção ou cheiro.
  • Inchaço novo nas duas pernas junto de ganho de dois ou três quilos em poucos dias.

Procure o pronto-socorro na hora se houver

  • Falta de ar que apareceu junto do inchaço, dor no peito ou tosse com sangue.
  • Confusão mental nova em quem já tinha a perna inchada e febre.

Nenhum exercício, meia ou elevação de perna entra em cena enquanto essas hipóteses não estiverem afastadas. Comprimir uma perna com trombose ou com erisipela não é inofensivo, e por isso a avaliação vem antes de tudo.

Pés inchados no idoso: o que pode ser

O pé é o ponto mais baixo do corpo e o primeiro lugar onde o líquido se acumula. Por isso o idoso com a perna inchada quase sempre percebe o problema pelo pé: o sapato que entrava de manhã aperta às quatro da tarde, a meia deixa um sulco acima do osso do tornozelo, e o contorno dos ossos no peito do pé desaparece.

A altura em que o inchaço para tem valor de pista. Quando ele fica no pé e no tornozelo e some depois de uma noite deitado, a explicação costuma ser a soma de veia cansada com o dia inteiro sentado e o pé pendurado. Quando sobe pela canela e alcança a coxa, a conversa passa a ser sobre coração, rim ou remédio, na ordem do tópico anterior. E quando o inchaço toma também os dedos, com a pele do segundo dedo dura de pinçar, o desenho é o do linfedema.

Os dois pés inchados de maneira parecida apontam para uma causa geral do corpo. Um pé só, inchado de repente, quente e avermelhado, pertence à lista de urgência acima e é assunto do mesmo dia.

Afastada a urgência, o que sobra é rotina de casa:

  • Experimente e ajuste o calçado no fim da tarde, com o pé no maior volume do dia. Ele precisa ser fechado, largo na frente e sem costura em cima do peito do pé. O chinelo aberto escorrega, convida a batida e deixa a pele exposta.
  • Seque entre os dedos depois do banho, hidrate o resto do pé, trate a frieira e mantenha a unha curta e cortada reta. A pele estirada pelo líquido racha com facilidade, e é por essa fresta que a erisipela entra.
  • Bombeie o tornozelo a cada hora sentado, com o pé subindo e descendo 20 vezes. Esse é o gesto descrito adiante, e ele esvazia o pé mais do que qualquer pomada.

Uma última consequência costuma passar em branco. O pé inchado dentro de um sapato apertado muda o apoio, rouba sensibilidade da sola e altera o equilíbrio, assunto da página sobre saúde dos pés e quedas no idoso. Desinchar o pé, nesse caso, é também prevenir queda.

Remédio que incha as pernas

Afastado o quadro agudo, a investigação costuma começar pela caixa de remédios. Entre os que incham, os mais usados são os da pressão do grupo do anlodipino e do nifedipino, os chamados bloqueadores de canal de cálcio. O efeito é conhecido e tem tamanho: entre quem toma anlodipino, cerca de uma em cada seis pessoas apresenta inchaço de tornozelo, contra uma em cada dezesseis entre quem toma comprimido sem efeito nenhum. Quase o triplo do risco 3.

Dois detalhes mudam a conversa com o médico. O primeiro é a dose: com 2,5 ou 5 miligramas incha perto de uma pessoa em cada dez, e com 10 miligramas quase uma em cada cinco. O segundo é a companhia: dentro do grupo, o nifedipino é o que mais incha e o anlodipino combinado com um segundo remédio da pressão, do tipo que termina em pril ou em sartana, é a combinação que menos incha 4. Há margem de ajuste sem abrir mão do controle da pressão.

Um contrapeso honesto: nem toda perna inchada de quem toma anlodipino é culpa do anlodipino. Cerca de um terço desses casos aconteceria de qualquer jeito, por veia, coração ou imobilidade 3. Trocar o remédio e continuar sentado o dia inteiro costuma decepcionar.

Outros remédios que incham e aparecem na receita do idoso: corticoide em uso prolongado, anti-inflamatório para dor de coluna ou de joelho, pregabalina e gabapentina para dor neuropática, e alguns antidiabéticos. A regra prática é a mesma: leve a lista completa, com o que é comprado sem receita, e deixe a decisão com quem prescreve. Essa conversa é a mesma descrita em polifarmácia no idoso e vale também para quem trata hipertensão arterial.

Exercício para desinchar as pernas

Revista a receita, sobra a parte que depende da rotina, e ela começa no tornozelo. A bomba da panturrilha responde a treino: quando é exercitada, a quantidade de sangue que a perna expulsa a cada contração aumenta 5. Falta dizer o tamanho dessa certeza: o que existe sobre exercício na doença venosa ainda é pouco, e não permite afirmar que os sintomas melhorem na mesma proporção 6. O que se sabe é que a bomba melhora, o custo é zero e o risco, nenhum.

Na prática de casa a resposta é mais clara. Quem tem doença venosa e faz fortalecimento de panturrilha em casa junto da meia de compressão chega a três meses com a perna menos sintomática, mais força na panturrilha, mais movimento no tornozelo e melhor qualidade de vida do que quem usa só a meia 7. A meia sozinha já ajuda; a meia com exercício ajuda mais.

Bombeamento de tornozelo

Sentado ou deitado, com a perna estendida, puxe a ponta do pé em direção ao joelho e depois empurre para baixo, como quem pisa no acelerador. Vinte vezes com cada pé, a cada hora em que estiver parado. Esse é o exercício mais importante da lista, justamente por ser o que se repete mais vezes ao longo do dia.

Elevação de calcanhar

Em pé, com as mãos apoiadas na pia ou no encosto de uma cadeira firme, suba na ponta dos pés e desça devagar, contando até três na descida. De 10 a 15 repetições, duas ou três séries, duas vezes por dia. Se subir com os dois pés estiver fácil demais depois de algumas semanas, faça com um pé de cada vez, sempre com as mãos apoiadas.

Círculos e alfabeto com o pé

Com a perna apoiada, desenhe círculos com a ponta do pé, dez para cada lado, e depois escreva no ar as letras do próprio nome. Serve para recuperar o movimento do tornozelo em todas as direções, e não só para cima e para baixo.

Caminhar, e caminhar de novo

Cada passo aciona a bomba. Três caminhadas curtas de dez minutos rendem mais para a perna do que uma de trinta, porque interrompem mais vezes o tempo parado. Vale dentro de casa, com apoio, quando a rua não é opção. Quem já usa bengala ou andador continua com eles: o objetivo é a repetição do passo, não o equilíbrio no limite. Se a caminhada anda difícil ou insegura, o caminho passa antes por exercícios de equilíbrio.

Um contraponto que costuma surpreender a família: ficar em pé parado é pior que caminhar e pior que sentar. Fila de banco, missa em pé, conversa no portão. Nessas situações, transferir o peso de um pé para o outro ou subir e descer nas pontas dos pés já mantém a bomba trabalhando.

Ilustração das pernas de um idoso sentado, em duas cenas empilhadas: na de cima a ponta do pé está puxada para cima em direção ao joelho, na de baixo está empurrada para baixo
O pé sobe e desce, e a cada movimento a panturrilha aperta a veia e empurra o sangue para cima. Tornozelo parado significa bomba desligada, e líquido que fica.

Meia de compressão: quando ajuda e como escolher

A meia elástica não é acessório: é o tratamento de base do inchaço venoso. Ela aperta mais no tornozelo e menos na panturrilha, e essa diferença de pressão ajuda o sangue a subir em vez de empoçar. Nas pernas que já tiveram úlcera, a compressão é o que mais reduz a chance de a ferida voltar, e a força importa: a meia média, de compressão 2, corta pela metade o risco de recaída quando comparada à meia leve, de compressão 1. Subir para a compressão 3 não acrescenta vantagem clara e dificulta bem mais a hora de vestir 8. Em ferida aberta, a compressão bem aplicada é também o que mais acelera o fechamento 9.

Como acertar na compra:

  • Medida de manhã. Meça a circunferência do tornozelo e da panturrilha logo ao acordar, com a perna ainda desinchada. Medida tirada à tarde produz meia larga, que não comprime nada.
  • Força indicada por quem examinou. A compressão 1 serve para peso e cansaço no fim do dia; a 2, para inchaço que persiste e para quem já teve úlcera. A escolha é clínica, não é do balcão.
  • Circulação arterial checada antes. Quem tem artéria da perna comprometida não pode ser comprimido sem avaliação, e o exame que mede isso é simples. O mesmo cuidado vale para o pé sem sensibilidade da neuropatia periférica, que não avisa quando algo aperta demais.
  • Vestir antes de levantar da cama. A meia entra com a perna ainda vazia. Depois de meia hora em pé, já não entra direito.
  • Alguém para ajudar. Vestir meia de compressão exige força de mão que muitos idosos já não têm. Existe calçador próprio, e ensinar a manobra a quem cuida faz parte do tratamento.

Meia que machuca, marca fundo, enrola atrás do joelho ou faz o pé formigar está errada em tamanho ou em força. Meia enrolada vira garrote e é pior do que meia nenhuma.

Quanto tempo ficar com a perna elevada

Elevar funciona pelo motivo mais simples: com o pé mais alto que o quadril, a gravidade passa a jogar a favor da volta do sangue. O que costuma sair errado é a execução. A poltrona com apoio de pé deixa o joelho dobrado e o pé abaixo do quadril, o que ajuda pouco. O jeito que funciona é deitar na cama e colocar dois travesseiros embaixo da panturrilha, deixando o calcanhar solto no ar, de 20 a 30 minutos, três a quatro vezes por dia 10.

Três ressalvas que evitam problema. O calcanhar precisa ficar fora do apoio, porque é um dos pontos onde a lesão por pressão começa mais rápido. Quem tem insuficiência cardíaca ou sente falta de ar ao deitar combina antes com o médico, já que a perna elevada devolve líquido à circulação de uma vez. E dormir sentado na poltrona todas as noites, hábito comum de quem tem falta de ar, mantém as pernas para baixo por oito horas seguidas e é uma das causas silenciosas de inchaço crônico.

Ilustração de idoso deitado na cama com dois travesseiros embaixo da panturrilha e o calcanhar solto no ar, ao lado da mesma pessoa sentada em poltrona, com o joelho dobrado e os pés apoiados abaixo da linha do quadril
Dois travesseiros embaixo da panturrilha, com o calcanhar solto no ar, sobem o pé acima da linha do quadril. Na poltrona, o joelho dobrado deixa a perna baixa demais.

Diurético, chá e remédio para circulação funcionam?

Diurético é tratamento de inchaço cardíaco e renal, prescrito e ajustado pelo médico. No inchaço causado por remédio ele também não funciona, porque ali a origem é a dilatação do vaso, e não excesso de líquido. No inchaço de origem venosa, não corrige a causa e cobra um preço: desidratação, sódio baixo, queda de pressão ao levantar e o risco de queda que vem junto. Esse encadeamento está descrito em hipotensão ortostática no idoso, e é ele que transforma um problema de aparência em fratura de quadril.

Os comprimidos vendidos para circulação, à base de diosmina com hesperidina, castanha-da-índia ou dobesilato de cálcio, têm efeito pequeno e mensurável: reduzem um pouco o inchaço e diminuem a circunferência do tornozelo em menos de meio centímetro. Não mudam a qualidade de vida, não fecham ferida e aumentam a chance de desconforto de estômago 11. Podem entrar como coadjuvantes, quando o médico achar que vale, e não substituem meia, movimento nem investigação da causa. Chá de quebra-pedra, cavalinha e afins não têm nada que sustente o uso e podem interferir em remédio de pressão e de coração.

Perna inchada e erisipela: cuidados com a pele

A pele estirada pelo líquido fica fina, seca e racha com facilidade, e qualquer rachadura é porta de entrada para bactéria. Por isso a perna que vive inchada tem quase sete vezes mais risco de erisipela do que a perna seca. O risco cresce mais ainda quando já houve erisipela antes, quando existe ferida aberta ou úlcera na perna e quando há frieira entre os dedos, aquela descamação branca que quase ninguém trata 12.

O cuidado diário é curto e faz diferença: lavar com sabonete suave e secar bem entre os dedos, passar hidratante na perna toda todos os dias, tratar a frieira com o antifúngico que o médico indicar, manter as unhas curtas e cortadas retas, e não coçar. Pele já frágil pede o mesmo cuidado descrito em laceração de pele no idoso, e o pé merece a inspeção diária explicada em saúde dos pés e quedas.

Uma observação sobre o calçado: o sapato que serve de manhã aperta à tarde. Sapato apertado no pé inchado cria bolha e ferida em quem não sente dor, e chinelo solto aumenta o risco de tropeço, assunto tratado em quedas em idosos. O meio-termo é o calçado fechado, com fecho ajustável em velcro ou cadarço, que acompanha a variação do dia.

A perna desincha com rotina: por onde começar

Nada aqui depende de equipamento ou de dinheiro. Depende de repetição, e de saber o que medir para não ficar no achismo.

1. Meça a panturrilha e anote a data

Com fita métrica, sempre no mesmo ponto, sempre no mesmo horário, uma vez por semana. Marque com caneta a altura do ponto medido na primeira vez. Esse número responde se está melhorando; o espelho não responde.

2. Coloque o tornozelo para trabalhar de hora em hora

Vinte movimentos de pé para cima e para baixo a cada hora em que estiver sentado, mais a elevação de calcanhar duas vezes ao dia. Prenda o hábito a algo que já existe na rotina, como o intervalo comercial da novela ou o horário do remédio.

3. Deite com a perna para cima, três a quatro vezes ao dia

De 20 a 30 minutos, com dois travesseiros sob a panturrilha e o calcanhar solto. Depois do almoço é o horário que mais gente consegue cumprir.

4. Leve a lista de remédios à consulta

Todos, inclusive os comprados sem receita e os chás. Diga há quanto tempo a perna incha e se o inchaço começou depois de algum remédio novo. Essa informação sozinha resolve uma parte dos casos.

5. Cuide da pele todos os dias

Hidratante na perna inteira, secagem entre os dedos, unha curta, frieira tratada. Cinco minutos por dia que evitam semanas de antibiótico.

6. Saiba o que não é para esperar

Uma perna só inchada, dor na panturrilha, vermelhidão que se espalha, febre, falta de ar ou ganho rápido de peso não entram na rotina de casa. Isso é consulta no mesmo dia, e a lista está no início desta página.

A perna esvazia quando o tornozelo trabalha

O líquido desce até o pé sozinho e só sobe empurrado. Quem empurra é a panturrilha, a cada passo e a cada vez que o pé sobe e desce. Uma perna parada o dia inteiro incha mesmo sem doença nova. Já uma perna só, inchada de repente, é outra história e pede avaliação no mesmo dia.

Bombear

A cada hora sentado, estenda a perna, puxe a ponta do pé em direção ao joelho e depois empurre para baixo, 20 vezes com cada pé. Duas vezes ao dia, apoie as mãos na pia, suba na ponta dos pés e desça devagar, de 10 a 15 vezes.

Elevar

Deite na cama e ponha dois travesseiros embaixo da panturrilha, com o calcanhar solto no ar e o pé acima da linha do quadril. De 20 a 30 minutos, três a quatro vezes ao dia. A poltrona com apoio de pé não sobe o suficiente.

Medir

Com fita métrica, meça a panturrilha no mesmo ponto e no mesmo horário, uma vez por semana, e anote com a data. Marque a altura do ponto na primeira medida. Esse número diz se a rotina está funcionando, e o espelho não diz.

Perguntas frequentes

O que causa inchaço nas pernas em idosos?
A causa mais comum é a soma de veia cansada com pouco movimento. A veia da perna leva o sangue de volta contra a gravidade e depende de válvulas frágeis e da panturrilha, que aperta a veia a cada passo. Quem passa o dia sentado com o pé no chão desliga essa bomba, e o líquido fica. Entram também remédio, sobretudo o da pressão do grupo do anlodipino, insuficiência cardíaca, doença do rim ou do fígado, proteína baixa no sangue e o linfedema. Inchaço em uma perna só, que aparece de repente, é outra história e precisa de avaliação no mesmo dia.
Pé inchado em idoso, o que pode ser e o que fazer?
Na maior parte das vezes é o mesmo inchaço da perna, visto no ponto mais baixo do corpo: veia cansada somada a horas sentado com o pé pendurado. Ele aparece à tarde, aperta o sapato, deixa sulco de meia acima do tornozelo e some depois de uma noite deitado. Quando sobe pela canela e já não desaparece de manhã, entram na lista o remédio da pressão do grupo do anlodipino, a insuficiência cardíaca, a doença do rim e a proteína baixa no sangue. Se o inchaço toma também os dedos e a pele do segundo dedo fica dura de pinçar, o desenho é o do linfedema. O que fazer em casa é simples: bombear o tornozelo 20 vezes a cada hora sentado, deitar com a perna acima da linha do quadril de 20 a 30 minutos, três a quatro vezes ao dia, e cuidar da pele, secando entre os dedos e tratando a frieira. Um pé só, inchado de repente, quente e avermelhado, não espera consulta marcada.
Inchaço nas pernas é sinal de problema no coração?
Pode ser, e sozinho não fecha o diagnóstico. O inchaço de origem cardíaca costuma vir nas duas pernas, subir para a canela e a coxa, piorar junto com o peso ganho em poucos dias e vir acompanhado de falta de ar ao deitar, cansaço aos esforços pequenos e necessidade de mais travesseiros para dormir. Nessa combinação a chance de o coração estar por trás aumenta bastante. Inchaço isolado, que some durante a noite e volta ao fim do dia, quase sempre é venoso.
Qual exercício desincha a perna?
O movimento de tornozelo, repetido. Sentado ou deitado, puxe a ponta do pé para cima e depois empurre para baixo, 20 vezes de cada pé, a cada hora em que estiver parado. Duas vezes por dia, acrescente a elevação de calcanhar: em pé, apoiado na pia, suba na ponta dos pés e desça devagar, de 10 a 15 vezes, em duas ou três séries. A cada subida a panturrilha aperta a veia e empurra o sangue para cima. Caminhar faz o mesmo, e ficar em pé parado é o pior dos cenários.
Meia de compressão desincha a perna do idoso?
Ajuda a segurar o inchaço quando a causa é venosa e quando a meia é a certa. A meia média, de compressão 2, reduz pela metade o risco de a úlcera de perna voltar, comparada à meia leve, de compressão 1. A escolha da força e do tamanho não é do balconista: é preciso medir o tornozelo e a panturrilha de manhã, com a perna ainda desinchada, e o médico precisa checar antes a circulação arterial. Quem tem artéria entupida ou pé sem sensibilidade não usa compressão sem liberação.
Remédio de pressão pode inchar a perna?
Pode, e é uma das causas mais esquecidas. No grupo do anlodipino e do nifedipino, cerca de uma em cada seis pessoas apresenta inchaço de tornozelo, contra uma em cada dezesseis entre quem não toma. A dose alta incha mais que a dose baixa, e o nifedipino incha mais que os outros do grupo. Combinar com um segundo remédio da pressão, do tipo que termina em pril ou em sartana, reduz esse efeito. Nada disso se resolve parando o remédio por conta própria: a lista completa vai para o médico, e a troca é dele.
Quanto tempo devo ficar com a perna elevada?
De 20 a 30 minutos, três a quatro vezes por dia, com o pé acima da linha do quadril. Deitado na cama, com dois travesseiros embaixo da panturrilha, funciona melhor do que a poltrona, porque na poltrona o joelho fica dobrado e a perna raramente sobe o suficiente. Duas ressalvas: o calcanhar precisa ficar fora do apoio, para não criar ferida, e quem tem insuficiência cardíaca ou falta de ar ao deitar combina antes com o médico, porque a perna elevada devolve líquido à circulação de uma vez.
Diurético serve para desinchar a perna?
Serve quando a causa está no coração ou no rim, e prescrito pelo médico. No inchaço de origem venosa ele não corrige a causa e cobra caro: desidratação, queda da pressão ao levantar, tontura e risco de queda. O mesmo vale para os comprimidos vendidos como remédio para circulação, à base de diosmina, castanha-da-índia ou dobesilato. Eles diminuem um pouco o volume da perna, menos de meio centímetro na medida do tornozelo, não mudam a qualidade de vida e aumentam o desconforto de estômago.
Pé inchado no idoso: qual médico procurar?
A porta de entrada é o clínico geral ou o geriatra, porque a primeira tarefa é separar as causas, e elas moram em áreas diferentes: coração, rim, fígado, tireoide, circulação venosa e a própria lista de remédios em uso. Leve a essa consulta a lista completa dos remédios, com a dose, e a informação de quando o inchaço começou e se é nos dois lados ou em um só. O encaminhamento vem depois do que a avaliação mostrar, para o cardiologista, o nefrologista ou o cirurgião vascular. Não espere a consulta marcada quando uma perna só incha de um dia para o outro, com dor, calor ou vermelhidão que se espalha, nem quando há falta de ar ou dor no peito: nesses casos o caminho é o pronto-socorro.
Inchaço em uma perna só é perigoso?
Uma perna só, inchada de um dia para o outro, é sinal de alerta. Trombose e erisipela entram nessa cena, e as duas precisam de atendimento no mesmo dia. Chamam atenção a dor na panturrilha, a panturrilha mais quente e mais dura que a outra, a vermelhidão que se espalha, a febre e o mal-estar. Falta de ar ou dor no peito junto do inchaço é motivo para procurar o pronto-socorro na hora, sem esperar a consulta marcada.
A perna inchada aumenta o risco de erisipela?
Aumenta. A perna que vive inchada tem quase sete vezes mais risco de erisipela do que a perna seca, porque a pele estirada racha com facilidade e o líquido parado é terreno fácil para a bactéria. O risco cresce ainda mais quando já houve erisipela antes, quando existe ferida aberta ou úlcera e quando há frieira entre os dedos. Hidratar a pele todos os dias, tratar a frieira, manter a unha curta e não coçar são medidas de peso, não detalhes de vaidade.

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