Ilustração de cuidadora ajustando travesseiros para reposicionar pessoa idosa na cama
Síndrome geriátrica

Lesão por pressão

Também chamada de úlcera de decúbito ou escara. A maior parte dos casos se evita com cuidado consistente.

Atualizado em 22 de setembro de 2026. Conteúdo de Rubens Alves de Lima, fisioterapeuta, CREFITO 4/277587-F.

O que é lesão por pressão

A lesão por pressão é um dano à pele e aos tecidos abaixo dela, causado pela pressão prolongada sobre uma região do corpo, em geral sobre uma proeminência óssea. Quando o peso comprime os vasos por tempo demais, o sangue deixa de chegar, o tecido sofre e a pele se rompe 1.

O tempo é o fator decisivo. Uma lesão pode começar a se formar em poucas horas de imobilidade sobre o mesmo ponto. Por isso ela é mais comum em quem fica acamado, usa cadeira de rodas por longos períodos ou perdeu a sensibilidade para perceber o desconforto que normalmente nos faz mudar de posição 2.

Atrito, umidade e desnutrição agravam o quadro. A pele do idoso é mais fina e seca, a fralda mantém a região úmida e a falta de proteína prejudica a cicatrização, criando um terreno fértil para a lesão surgir e demorar a fechar 3.

15 em cada 100internados têm lesão por pressão, e a maioria dos casos podia ter sido evitada
2 horasé o tempo máximo recomendado numa mesma posição para quem tem circulação normal
sacro e calcâneoos locais mais frequentes em quem permanece deitado

Quais são os 4 estágios da lesão por pressão

A lesão por pressão é classificada pela profundidade do dano, e reconhecer o início é o que evita a progressão para feridas profundas. No estágio 1, a pele ainda está íntegra, com uma vermelhidão que não embranquece ao toque, o sinal de alerta mais precoce. No estágio 2, há perda parcial da pele, com ferida rasa ou bolha, e a derme já fica exposta. No estágio 3, a perda da pele é total, com gordura visível e ferida mais profunda, que exige curativo especializado. No estágio 4, o dano é extenso, com músculo, tendão ou osso expostos, um quadro grave que pede manejo multiprofissional.

Ilustração em corte de quatro camadas de pele com profundidades diferentes
A lesão avança por camadas, e cada estágio muda a conduta.

Onde surgem as escaras no acamado

Os pontos de risco são as regiões onde o osso fica logo abaixo da pele. Em quem permanece deitado de costas, os locais críticos são o sacro, no final da coluna, os calcâneos, que são os calcanhares, e os cotovelos. Na posição de lado, a pressão recai sobre o quadril e o tornozelo. Na cadeira de rodas, a região dos ísquios, os ossos sobre os quais nos sentamos, exige atenção redobrada.

Como prevenir lesão por pressão em idosos

Reposicionamento regular

Mudar a posição a cada duas horas alivia a pressão antes que o tecido sofra. Esse intervalo é o ponto de partida, e encurta quando a pele marca antes disso ou quando o colchão não redistribui bem o peso. Travesseiros e coxins ajudam a manter os calcanhares suspensos e a distribuir a carga.

Cuidado com a pele e a umidade

Manter a pele limpa, seca e hidratada, e trocar a fralda assim que necessário, reduz o atrito e a maceração que abrem caminho para a lesão.

Superfícies de alívio e nutrição

Colchões e almofadas de redistribuição de pressão, junto com aporte adequado de proteína e líquidos, sustentam a integridade da pele e a cicatrização.

Ilustração de uma cama vista de perfil com travesseiros de apoio
Mudar de posição em intervalos regulares continua sendo a medida que mais previne.

Cuidados diários com o idoso acamado

A prevenção cabe em poucos hábitos, desde que sejam diários. Mudar a posição no leito a cada duas horas é a medida que mais protege 4, e quem passa o dia sentado precisa de alívio ainda mais frequente: a cada quinze minutos quando consegue deslocar o peso sozinho, e de hora em hora quando depende de outra pessoa para mudar de posição 1. Um travesseiro sob as panturrilhas mantém os calcanhares suspensos, e outro entre os joelhos evita a pressão de um osso contra o outro quando a pessoa fica de lado. A cabeceira acima de trinta graus faz o corpo escorregar e a pele arrastar sobre o lençol, o que abre ferida mesmo sem pressão direta, e por isso só deve ficar mais alta pelo tempo da refeição.

A pele pede inspeção diária, e o banho é a hora natural para isso. Vale olhar calcanhar, sacro, quadril, cotovelo e orelha, manter a pele limpa, seca e hidratada, e trocar a fralda assim que estiver úmida, porque umidade e pele fragilizada andam juntas. Dois erros comuns merecem aviso: massagear área avermelhada piora a lesão em formação, e a almofada em formato de rosca, ainda vendida para essa finalidade, concentra pressão nas bordas em vez de aliviar.

Vermelhidão que não desaparece depois de alguns minutos sem pressão já é o primeiro estágio da lesão e precisa de avaliação de enfermagem, não de pomada escolhida por conta própria. O mesmo vale para bolha, pele arroxeada ou ferida aberta de qualquer tamanho. Alimentação com proteína suficiente e a volta ao movimento o quanto antes completam a prevenção, porque quanto menos tempo deitado, menor o risco.

Como tratar escaras em idosos acamados

A ferida já aberta é território da enfermagem e da medicina, e o curativo muda conforme o estágio, a quantidade de tecido morto e a presença de infecção. Nenhuma pomada serve para todas as lesões, e a que sai da farmácia sem avaliação costuma atrasar o fechamento 1.

No estágio 1, o tratamento é tirar a pressão daquele ponto por completo e deixar a pele descansar, sem massagem e sem calor, o que em geral basta para a vermelhidão ceder em poucos dias. No estágio 2, a ferida rasa pede curativo que mantenha o leito úmido e proteja a borda, e produto que resseca a região trabalha contra. Nos estágios 3 e 4, quem define o curativo é um enfermeiro com formação em feridas, e o tecido morto precisa sair antes que a cicatrização avance.

Borda quente e inchada, odor forte, secreção espessa ou febre pedem médico no mesmo dia, porque a lesão infectada muda o tratamento inteiro. Vale guardar o princípio que sustenta todo o resto: sem alívio da pressão, curativo nenhum fecha a ferida. A cicatrização depende mais do que acontece fora do curativo, no reposicionamento, no colchão, na proteína do prato e no tempo que o idoso passa fora do leito 3.

A maioria das escaras se previne antes de existir

Aliviar a pressão a tempo, manter a pele cuidada e tirar o idoso do leito mais cedo evitam a ferida antes que ela comece.

Reposicionar

Aliviar a pressão a cada duas horas evita o início da lesão.

Inspecionar

Olhar a pele todo dia flagra a vermelhidão do estágio 1.

Mobilizar

Sair do leito mais cedo é a melhor prevenção de todas.

Perguntas frequentes

Quais são os 4 estágios da lesão por pressão?
No estágio 1 a pele continua íntegra, com uma vermelhidão que não embranquece quando se aperta com o dedo. No estágio 2 há perda parcial da pele, em forma de ferida rasa ou bolha, com a derme exposta. No estágio 3 a perda da pele é total e a gordura fica visível. No estágio 4 o dano chega a músculo, tendão ou osso, e o caso passa a exigir manejo de mais de um profissional.
Como tratar escaras em idosos acamados?
O tratamento depende do estágio e de haver ou não tecido morto e infecção, e quem define o curativo é a enfermagem, em geral com um profissional de formação em feridas nos casos mais profundos. No estágio 1, aliviar a pressão do ponto e deixar a pele descansar costuma bastar. Em qualquer estágio, o curativo só funciona se a pressão sair de cima da ferida, porque nenhuma cobertura fecha uma lesão que continua sendo comprimida.
Qual pomada usar na escara do idoso?
Não existe uma pomada que sirva para todas as lesões, e a escolhida no balcão da farmácia sem avaliação costuma atrasar o fechamento. A cobertura certa muda conforme o estágio, a quantidade de secreção e a presença de tecido morto, e é escolhida depois que alguém olha a ferida. Borda quente, odor forte, secreção espessa ou febre pedem médico no mesmo dia.
Quanto tempo leva para uma escara se formar?
Poucas horas de pressão contínua sobre o mesmo ponto já bastam para o dano começar, e em idosos doentes a pele pode se deteriorar em questão de horas. Por isso o intervalo de duas horas numa mesma posição é tratado como tempo máximo, não como meta. Quem passa o dia sentado precisa de alívio bem mais frequente, porque o peso do corpo se concentra numa área pequena.
De quanto em quanto tempo mudar a posição do acamado?
Duas horas é o tempo máximo recomendado numa mesma posição para quem tem circulação normal, e o intervalo encurta quando a pele marca antes disso ou quando o colchão não redistribui bem o peso. Na cadeira, o alívio é a cada quinze minutos para quem consegue deslocar o peso sozinho, e de hora em hora para quem depende de outra pessoa. A cabeceira acima de trinta graus faz o corpo escorregar e deve ficar alta apenas pelo tempo da refeição.
Vermelhidão que não some é escara?
Vermelhidão que continua depois de alguns minutos sem pressão já é o estágio 1 da lesão por pressão, mesmo com a pele fechada. O ponto pede alívio imediato da pressão e avaliação de enfermagem, nunca pomada escolhida por conta própria. Massagear a área piora a lesão em formação, e a almofada em formato de rosca concentra pressão nas bordas em vez de aliviar.
A fisioterapia domiciliar ajuda a prevenir escara?
Sim, e por dois caminhos. O primeiro é ensinar em casa a mudança de decúbito, o posicionamento dos calcanhares e a transferência da cama para a cadeira, que é onde o atrito costuma abrir a pele. O segundo é tirar o idoso do leito mais cedo e recuperar o que ele ainda consegue fazer, porque quanto menos tempo deitado, menor o risco.

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