Demência vascular
A demência da circulação: a falta de sangue no cérebro compromete a memória e o movimento.
Atualizado em 1º de agosto de 2026. Conteúdo de Rubens Alves de Lima, fisioterapeuta, CREFITO 4/277587-F.
O que é a demência vascular
A demência vascular é a segunda causa mais comum de demência, atrás apenas do Alzheimer. Acontece quando o cérebro deixa de receber sangue suficiente: seja por um AVC, por vários microinfartos silenciosos ou pela má circulação crônica dos pequenos vasos. Sem oxigênio e nutrientes, áreas cerebrais são lesadas e suas funções se perdem.
Evolução "em degraus". Ao contrário do Alzheimer, que costuma declinar de forma lenta e contínua, a demência vascular frequentemente piora em degraus: a pessoa fica estável por um período e sofre uma queda abrupta após cada novo evento vascular. Controlar os fatores de risco pode travar essa escada.
Trata-se da 2ª causa mais comum de demência no idoso, isolada ou combinada ao Alzheimer 1, e também a mais prevenível, a que mais se liga a fatores de risco que podem ser controlados 2.
Sintomas característicos
O quadro varia conforme as áreas do cérebro afetadas, mas alguns traços são típicos: lentidão de pensamento e dificuldade de planejar e organizar (funções executivas), muitas vezes antes da perda de memória; alterações da marcha e do equilíbrio, com risco elevado de quedas; sintomas neurológicos focais como fraqueza em um lado ou alteração da fala, quando há AVC associado; oscilações de humor, apatia e, por vezes, choro ou riso fáceis.
Fatores de risco
São os mesmos do AVC e do coração, e quase todos modificáveis: hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade, sedentarismo e arritmias cardíacas. Tratar esses fatores é a forma mais eficaz de prevenir e estabilizar a doença 3.
O que fazer para proteger o que ainda existe
Esta é a demência em que o tratamento da causa muda o futuro. Cada novo evento vascular derruba mais um degrau, e o que reduz a chance desse próximo degrau é conhecido: pressão sob controle, diabetes controlado, colesterol tratado, anticoagulação tomada corretamente quando há arritmia, cigarro abandonado e movimento diário. A consulta de rotina, aqui, não é formalidade. É a parte do tratamento que decide se a perda vai parar onde está ou continuar em degraus 4.
Piora que acontece de um dia para o outro é diferente de piora que se acumula em meses. Fraqueza de um lado, boca torta, fala embolada ou perda súbita de visão são emergência hospitalar imediata, mesmo que passem em minutos, porque o episódio passageiro costuma anunciar o próximo, agora definitivo. Vale a família combinar de antemão para onde levar e quem chamar, para não perder tempo decidindo na hora.
No dia a dia, o corpo ajuda a cabeça. Caminhar quase todos os dias melhora a circulação cerebral e ajuda a controlar pressão e glicemia ao mesmo tempo, e a segurança para caminhar depende de tirar os riscos de queda da casa. A lentidão de raciocínio típica desse quadro pede ainda um ajuste de expectativa: dar tempo para a resposta chegar, sem completar as frases pela pessoa, preserva a autonomia que ainda existe.
Na demência vascular, cada hábito protege, escolha após escolha
Controlar o que ameaça os vasos freia a progressão. Movimento e estímulo cognitivo somam-se ao cuidado clínico para preservar a mente.
Pressão e açúcar
Manter pressão, glicose e colesterol sob controle protege o cérebro.
Movimento
Caminhar e se exercitar melhoram a circulação e o ânimo todos os dias.
Estímulo
Atividades cognitivas e convívio mantêm a mente ativa e conectada.