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Teste de alcance funcional: como fazer, passo a passo

O teste de alcance funcional mede quanto a pessoa leva a mão para a frente, em pé, sem tirar os pés do lugar, e abaixo de 25 cm o risco de quedas repetidas sobe. Veja o passo a passo com imagens, os erros que invalidam a medida, os valores de referência e as versões lateral, para trás e sentada usadas na avaliação do idoso.

14 min de leitura

Ilustração de senhora idosa de cardigã verde em pé no quintal, com os pés firmes no piso de cerâmica, estendendo o braço para a frente para prender uma toalha no varal, com um cesto de roupa sobre um banquinho ao lado

Atualizado em 11 de outubro de 2026. Revisado por Rubens Alves de Lima, fisioterapeuta com residência em Saúde do Idoso no HC-UFMG, CREFITO 4/277587-F. Como este texto foi feito.

O que é o teste de alcance funcional

Resposta curta

O teste de alcance funcional mede quanto uma pessoa consegue levar a mão para a frente, em pé, sem tirar os pés do lugar. Com o braço esticado na altura do ombro, ao lado de uma régua presa na parede, ela se inclina o máximo que consegue, e a distância que o punho percorre é o resultado, em centímetros 1. Idosos que vivem em casa alcançam em média 26,6 cm 2. Entre 15 e 25 cm, a chance de cair duas vezes ou mais nos seis meses seguintes dobra; com 15 cm ou menos, fica quatro vezes maior, sempre em comparação com quem passa de 25 cm 3. O teste leva cinco minutos e precisa só de uma régua, fita adesiva e alguém ao lado para segurar a pessoa se ela se desequilibrar.

O alcance para a frente é o gesto de pegar o prato no armário, pendurar a roupa no varal, abrir a janela ou acender a luz. Por isso o teste diz mais sobre o dia a dia do que parece: quanto menor o alcance, mais o idoso depende de ajuda para as tarefas da casa, menos sai de casa e mais devagar anda, e essa relação é mais forte do que a da própria idade 4.

Nas visitas da ReabilitaCare em Belo Horizonte e Nova Lima, o resultado desses testes costuma antecipar duas coisas. A primeira é a independência: o idoso que ganha centímetros no alcance volta a fazer sozinho tarefas que antes pedia para alguém. A segunda é a tranquilidade de quem cuida. Com um número na mão, o cuidador e a família sabem até onde a pessoa vai com segurança, deixam de vigiar cada movimento e passam a confiar mais no dia a dia.

26,6 cmé o alcance médio dos idosos que moram em casa
15,4 cmé a média de quem vive em instituição de longa permanência
4 vezesmais chance de quedas repetidas para quem alcança 15 cm ou menos

O que é preciso para fazer o teste

O material cabe numa gaveta:

  • Régua ou fita métrica de pelo menos 1 metro, presa na parede com fita adesiva, na altura do ombro da pessoa.
  • Fita adesiva no chão, para marcar onde ficam as pontas dos pés.
  • Lápis, para marcar na régua o início e o fim do alcance.
  • Cinto de transferência, a faixa de tecido com fivela que o fisioterapeuta segura na cintura do paciente. Em casa, uma pessoa por perto com a mão pronta cumpre o papel.
  • Cadeira firme sem braço por perto, para a pausa entre as tentativas e para a versão sentada.
  • Tênis ou sapato fechado de sola baixa, nunca chinelo nem meia no piso liso.
Ilustração do material do teste de alcance funcional: régua de madeira presa na parede com fita adesiva, cadeira de madeira sem braço com cinto de transferência, rolo de fita e lápis no assento, par de tênis no chão e uma fita verde marcando a posição dos pés
Régua presa na altura do ombro, fita no chão marcando a ponta dos pés, cadeira firme por perto e o cinto de transferência à mão.

Como fazer o teste de alcance funcional, passo a passo

Passo 1: a posição inicial

A pessoa fica de lado para a parede, perto dela sem encostar, com os pés afastados na largura dos ombros e as pontas atrás da fita do chão. Ela levanta o braço do lado da parede até a altura do ombro, com o cotovelo esticado e a mão fechada. O avaliador marca na régua a posição do nó do dedo médio, que é o ponto zero 1.

Ilustração de senhora idosa de perfil, em pé ao lado da parede com o braço estendido à frente na altura da régua e a mão fechada, enquanto o fisioterapeuta de camisa polo verde fica atrás dela com a mão perto do cinto de transferência e um lápis na outra
Posição inicial: de lado para a parede, braço na altura do ombro, mão fechada e o nó do dedo médio no ponto zero da régua.

Passo 2: o alcance

Com a ordem "leve a mão o mais longe que conseguir, sem dar passo", a pessoa inclina o corpo para a frente e desliza o punho ao longo da régua. O braço continua na altura do ombro e os calcanhares ficam no chão. O avaliador fica ao lado, com a mão perto do cinto, pronto para segurar sem puxar.

Ilustração de senhora idosa de perfil no alcance máximo do teste, com o quadril para trás, o tronco inclinado para a frente, o braço na altura da régua e os pés parados sobre a fita do chão, com o fisioterapeuta ao lado marcando a régua a lápis
No alcance máximo, o quadril vai para trás, o tronco se inclina e os pés não saem do lugar. O braço segue na altura da régua.

Passo 3: a medida

No ponto mais longe, o avaliador marca de novo a posição do nó do dedo médio. A distância entre as duas marcas é o alcance daquela tentativa. O que se mede é quanto a mão andou, não o comprimento do braço.

Ilustração em close da régua na parede com duas marcas verdes, o contorno tracejado da mão fechada no ponto inicial, a mão no ponto final e a mão do fisioterapeuta marcando a régua com um lápis
A medida é a distância entre o ponto zero e o ponto final do nó do dedo médio, lida na régua.

Passo 4: as repetições

São duas tentativas de treino, que não contam, e três tentativas válidas, com uma pausa curta entre elas. O resultado é a média das três 1. Se a pessoa cansar ou ficar insegura, ela senta e descansa, e o teste recomeça depois ou fica para outro dia.

Erros que invalidam a medida

Quatro erros mudam o número sem que o equilíbrio tenha mudado:

  • Girar o tronco. O ombro avança na frente do corpo e a mão vai mais longe sem que o centro do corpo tenha ido junto.
  • Dar um passo. Se o pé sai da fita, a tentativa não vale, porque o teste mede o limite com os pés parados.
  • Baixar o braço. A mão que desce e se afasta da régua engana a leitura.
  • Subir na ponta dos pés. Os calcanhares ficam no chão em todas as tentativas.
Ilustração em quatro quadros da mesma senhora idosa diante da régua na parede: no primeiro ela gira o tronco, no segundo dá um passo à frente, no terceiro baixa o braço abaixo da régua e no quarto sobe na ponta dos pés
Os quatro erros mais comuns: girar o tronco, dar um passo, baixar o braço e subir na ponta dos pés.

Teste de alcance funcional: valores de referência

Os pontos de corte mais usados vêm de idosos acompanhados por seis meses e comparam cada faixa com quem alcança mais de 25 cm 3:

  • Mais de 25 cm: faixa de referência.
  • Entre 15 e 25 cm: o dobro da chance de cair duas vezes ou mais no semestre.
  • 15 cm ou menos: quatro vezes a chance.
  • Não consegue se inclinar: oito vezes a chance.

Como comparação, idosos que vivem em casa alcançam em média 26,6 cm, e os que moram em instituição de longa permanência, 15,4 cm 2. O alcance diminui com a idade e é menor em quem é mais baixo 1. Por isso o número mais útil é o da própria pessoa ao longo do tempo: uma queda de alguns centímetros entre uma avaliação e outra diz mais do que estar um pouco abaixo da média.

Ilustração de três cenas lado a lado da mesma senhora idosa diante da régua, sobre tapetes laranja, areia e verde: na primeira ela quase não se inclina, na segunda se inclina um pouco e na terceira leva o punho até o fim da régua
Três resultados lado a lado: quanto mais o tronco se inclina com os pés parados, mais longe vai o punho e maior é a margem de equilíbrio.

Nenhum teste decide sozinho. O alcance funcional entra na avaliação do risco de queda ao lado do Timed Up and Go, da velocidade da marcha e da história de quedas do último ano.

Testes de alcance no idoso: lateral, para trás e sentado

O teste original olha só para a frente, mas o idoso também cai para o lado e para trás. Por isso a avaliação geriátrica usa variações do mesmo gesto, cada uma ligada a uma situação da casa.

Alcance lateral

De costas para a parede, com o braço aberto para o lado na altura do ombro, a pessoa inclina o tronco para esse lado e desliza a ponta do dedo médio ao longo da régua, sem tirar os pés do chão 5. Idosos que vivem em casa alcançam em média de 15 a 17 cm para cada lado 6.

Por que importa: é o equilíbrio de quem pega a toalha no gancho ao lado do chuveiro ou o controle remoto na ponta do sofá. A queda de lado é a que mais leva à fratura do quadril, e a diferença entre os dois lados, comum depois do AVC, fica visível no número.

Ilustração de senhora idosa de frente, de costas para a parede, com o braço direito aberto na altura da régua e o tronco inclinado para o lado, os pés parados sobre a fita do chão e o fisioterapeuta ao lado com a mão perto do quadril dela
No alcance lateral, o braço abre para o lado na altura do ombro e o tronco se inclina sem que os pés saiam da fita.

Alcance para trás

Na mesma posição do teste original, com o braço à frente na altura do ombro, a pessoa se inclina para trás o máximo que consegue, e a régua mostra quanto o punho recuou. A média dos idosos que vivem em casa fica perto de 12 cm 6. O avaliador fica colado atrás, com as duas mãos prontas, porque essa é a direção em que o idoso menos consegue se proteger.

Por que importa: é o gesto de sentar na cadeira, puxar uma porta ou recuar diante de um degrau. O alcance para trás é o que mais acompanha o medo de cair: quem tem medo recua menos 6.

Ilustração de senhora idosa de perfil com o braço estendido à frente na altura da régua, inclinando o corpo para trás com os pés parados, e o fisioterapeuta logo atrás dela com as duas mãos prontas para segurar, ao lado de uma cadeira encostada na parede
No alcance para trás, o braço fica à frente e o corpo recua; o avaliador fica atrás, com as duas mãos prontas.

Alcance sentado

Para quem não fica de pé com segurança, o teste é feito sentado numa cadeira firme sem braço, com as costas afastadas do encosto, os pés apoiados no chão e o braço à frente na altura do ombro. A pessoa se inclina a partir do quadril, sem tirar o bumbum do assento, e a régua mede o deslocamento da mão do mesmo jeito que em pé 7.

Por que importa: o equilíbrio sentado é o que permite vestir a calça, calçar o sapato, pegar um objeto no chão e passar da cama para a cadeira. Em quem está acamado, usa cadeira de rodas ou se recupera de AVC ou de fratura, é o primeiro número a acompanhar.

Ilustração de senhora idosa sentada numa cadeira de madeira sem braço, com as costas longe do encosto, inclinando o tronco para a frente com o braço na altura da régua, e o fisioterapeuta ajoelhado ao lado marcando a régua a lápis
Na versão sentada, as costas saem do encosto, os pés ficam no chão e o tronco se inclina a partir do quadril.

Quando as quatro direções são medidas juntas, para a frente, para trás e para os dois lados, o conjunto se chama teste de alcance multidirecional 6, e ele mostra para que lado o limite do equilíbrio está mais curto.

Dá para fazer o teste de alcance funcional em casa?

Dá, como triagem, desde que alguém fique ao lado o tempo todo. Uma fita adesiva na parede do corredor, na altura do ombro, substitui a régua; o familiar marca com lápis o início e o fim e mede a distância com uma fita métrica de costura. As regras de segurança:

  • A pessoa fica com a parede de um lado e o familiar do outro, perto e com a mão na altura da cintura dela.
  • Tapete solto sai do caminho; tapete preso com fita nas pontas pode ficar.
  • Tênis ou sapato fechado, nunca chinelo nem meia.
  • Uma tentativa por vez, com pausa sentada entre elas.
  • Tontura, dor no peito, falta de ar ou sensação de que vai cair: parar e sentar.
Ilustração de senhora idosa no corredor de casa estendendo o braço ao longo de uma fita adesiva presa na parede, enquanto a filha fica ao lado com a mão perto das costas dela e uma fita métrica de costura na outra mão
Em casa, uma fita adesiva na parede faz o papel da régua, e o familiar fica ao lado, com a mão pronta para amparar.

Se o resultado ficar abaixo de 25 cm, se a pessoa precisar dar passo para não cair ou se o número diminuir de uma medida para a outra, vale pedir ao fisioterapeuta uma avaliação completa do equilíbrio.

Como melhorar o alcance funcional

O alcance melhora com treino de equilíbrio e de força, e um bom exercício é o próprio gesto feito com segurança. Na bancada da cozinha, com uma das mãos apoiada, a pessoa estende a outra até objetos colocados cada vez mais longe e volta devagar à posição inicial. Com o tempo, a mesma tarefa passa a ser feita sem a mão de apoio e, depois, para os lados.

Ilustração de senhora idosa na bancada da cozinha, com a mão esquerda apoiada no tampo, estendendo a direita até a mais distante de três canecas enfileiradas, com o fisioterapeuta logo atrás dela
Três canecas cada vez mais longe na bancada transformam o teste em treino: uma mão apoiada, a outra vai até a última.

Esse treino entra num programa maior, com os exercícios de equilíbrio para idosos e o fortalecimento das pernas, e repetir o teste a cada um ou dois meses mostra se o caminho está certo. Em Belo Horizonte e Nova Lima, a fisioterapia para prevenção de quedas da ReabilitaCare faz a avaliação com esses testes dentro de casa, monta o treino no ambiente onde a pessoa vive e mostra à família o que ela já faz sozinha com segurança.

O equilíbrio cabe numa régua na parede

O teste de alcance funcional pede cinco minutos, uma régua e alguém ao lado. Três gestos bastam para fazer a medida e saber o que ela quer dizer.

Posicionar

Prenda uma régua ou uma fita adesiva na parede, na altura do ombro. A pessoa fica de lado para a parede, de tênis, com os pés afastados na largura dos ombros, levanta o braço até a altura da régua com a mão fechada e você marca com lápis onde está o nó do dedo médio.

Medir

Peça para ela levar a mão o mais longe que conseguir, sem dar passo e sem tirar os calcanhares do chão, enquanto você fica ao lado com a mão perto da cintura dela. Marque o ponto final do nó do dedo, meça a distância entre as duas marcas e faça a média de três tentativas, depois de duas de treino.

Interpretar

Mais de 25 cm é a faixa de referência. Entre 15 e 25 cm, a chance de cair duas vezes ou mais em seis meses dobra; com 15 cm ou menos, fica quatro vezes maior. Abaixo de 25 cm, ou se ela precisou dar passo, peça uma avaliação de equilíbrio ao fisioterapeuta.

Perguntas frequentes

O que avalia o teste de alcance funcional?
Avalia o equilíbrio em pé: até onde a pessoa consegue levar o corpo para a frente sem dar passo. Esse limite é a margem de segurança que ela tem para pegar objetos, abrir portas e se recuperar de um desequilíbrio, e por isso o teste ajuda a estimar o risco de queda.
Qual é o valor normal do teste de alcance funcional?
Mais de 25 cm é considerado a faixa de referência. Idosos que vivem em casa alcançam em média 26,6 cm, e os que moram em instituição de longa permanência, cerca de 15 cm. O alcance diminui com a idade e é menor em pessoas mais baixas.
Como é feito o teste de alcance funcional?
A pessoa fica de lado para uma parede com uma régua na altura do ombro, levanta o braço até a régua com a mão fechada e se inclina para a frente o máximo que consegue, sem dar passo. A distância que o nó do dedo médio percorre é a medida. São duas tentativas de treino e três válidas, e o resultado é a média das três.
O teste de alcance funcional prevê quedas no idoso?
Ajuda a prever. Em idosos acompanhados por seis meses, quem alcançou entre 15 e 25 cm teve o dobro da chance de cair duas vezes ou mais, e quem alcançou 15 cm ou menos teve quatro vezes a chance, em comparação com quem passou de 25 cm. Mesmo assim, o teste não decide sozinho e entra junto com outros, como o Timed Up and Go.
Qual a diferença entre o alcance funcional e o alcance multidirecional?
O alcance funcional mede só a inclinação para a frente. O alcance multidirecional mede quatro direções, para a frente, para trás e para os dois lados, e mostra em qual delas o equilíbrio do idoso está mais curto. Para trás, a média de idosos que vivem em casa fica perto de 12 cm; para os lados, entre 15 e 17 cm.
O teste de alcance funcional pode ser feito sentado?
Pode. Na versão sentada, a pessoa fica numa cadeira firme sem braço, com as costas longe do encosto e os pés no chão, e se inclina para a frente a partir do quadril. É a versão usada em quem não fica de pé com segurança, como o idoso acamado, em cadeira de rodas ou em recuperação de AVC ou fratura.
A família pode fazer o teste de alcance funcional no idoso em casa?
Como triagem, sim, com a parede de um lado e o familiar do outro, perto e com a mão pronta, de tênis e sem tapete solto. Se o resultado ficar abaixo de 25 cm, se o idoso precisar dar passo ou se o número cair entre uma medida e outra, o certo é pedir uma avaliação de equilíbrio ao fisioterapeuta.
Com que frequência repetir o teste de alcance funcional no idoso?
Durante um programa de exercícios, a cada um ou dois meses, para ver se o treino está funcionando. Fora dele, vale repetir depois de uma queda, de uma internação ou de uma mudança de remédio que dê tontura, porque o número da própria pessoa ao longo do tempo diz mais do que a comparação com a média.

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