Teste de alcance funcional: como fazer, passo a passo
O teste de alcance funcional mede quanto a pessoa leva a mão para a frente, em pé, sem tirar os pés do lugar, e abaixo de 25 cm o risco de quedas repetidas sobe. Veja o passo a passo com imagens, os erros que invalidam a medida, os valores de referência e as versões lateral, para trás e sentada usadas na avaliação do idoso.
RCAtualizado em 11 de outubro de 2026. Revisado por Rubens Alves de Lima, fisioterapeuta com residência em Saúde do Idoso no HC-UFMG, CREFITO 4/277587-F. Como este texto foi feito.
O que é o teste de alcance funcional
O teste de alcance funcional mede quanto uma pessoa consegue levar a mão para a frente, em pé, sem tirar os pés do lugar. Com o braço esticado na altura do ombro, ao lado de uma régua presa na parede, ela se inclina o máximo que consegue, e a distância que o punho percorre é o resultado, em centímetros 1. Idosos que vivem em casa alcançam em média 26,6 cm 2. Entre 15 e 25 cm, a chance de cair duas vezes ou mais nos seis meses seguintes dobra; com 15 cm ou menos, fica quatro vezes maior, sempre em comparação com quem passa de 25 cm 3. O teste leva cinco minutos e precisa só de uma régua, fita adesiva e alguém ao lado para segurar a pessoa se ela se desequilibrar.
O alcance para a frente é o gesto de pegar o prato no armário, pendurar a roupa no varal, abrir a janela ou acender a luz. Por isso o teste diz mais sobre o dia a dia do que parece: quanto menor o alcance, mais o idoso depende de ajuda para as tarefas da casa, menos sai de casa e mais devagar anda, e essa relação é mais forte do que a da própria idade 4.
Nas visitas da ReabilitaCare em Belo Horizonte e Nova Lima, o resultado desses testes costuma antecipar duas coisas. A primeira é a independência: o idoso que ganha centímetros no alcance volta a fazer sozinho tarefas que antes pedia para alguém. A segunda é a tranquilidade de quem cuida. Com um número na mão, o cuidador e a família sabem até onde a pessoa vai com segurança, deixam de vigiar cada movimento e passam a confiar mais no dia a dia.
O que é preciso para fazer o teste
O material cabe numa gaveta:
- Régua ou fita métrica de pelo menos 1 metro, presa na parede com fita adesiva, na altura do ombro da pessoa.
- Fita adesiva no chão, para marcar onde ficam as pontas dos pés.
- Lápis, para marcar na régua o início e o fim do alcance.
- Cinto de transferência, a faixa de tecido com fivela que o fisioterapeuta segura na cintura do paciente. Em casa, uma pessoa por perto com a mão pronta cumpre o papel.
- Cadeira firme sem braço por perto, para a pausa entre as tentativas e para a versão sentada.
- Tênis ou sapato fechado de sola baixa, nunca chinelo nem meia no piso liso.
Como fazer o teste de alcance funcional, passo a passo
Passo 1: a posição inicial
A pessoa fica de lado para a parede, perto dela sem encostar, com os pés afastados na largura dos ombros e as pontas atrás da fita do chão. Ela levanta o braço do lado da parede até a altura do ombro, com o cotovelo esticado e a mão fechada. O avaliador marca na régua a posição do nó do dedo médio, que é o ponto zero 1.
Passo 2: o alcance
Com a ordem "leve a mão o mais longe que conseguir, sem dar passo", a pessoa inclina o corpo para a frente e desliza o punho ao longo da régua. O braço continua na altura do ombro e os calcanhares ficam no chão. O avaliador fica ao lado, com a mão perto do cinto, pronto para segurar sem puxar.
Passo 3: a medida
No ponto mais longe, o avaliador marca de novo a posição do nó do dedo médio. A distância entre as duas marcas é o alcance daquela tentativa. O que se mede é quanto a mão andou, não o comprimento do braço.
Passo 4: as repetições
São duas tentativas de treino, que não contam, e três tentativas válidas, com uma pausa curta entre elas. O resultado é a média das três 1. Se a pessoa cansar ou ficar insegura, ela senta e descansa, e o teste recomeça depois ou fica para outro dia.
Erros que invalidam a medida
Quatro erros mudam o número sem que o equilíbrio tenha mudado:
- Girar o tronco. O ombro avança na frente do corpo e a mão vai mais longe sem que o centro do corpo tenha ido junto.
- Dar um passo. Se o pé sai da fita, a tentativa não vale, porque o teste mede o limite com os pés parados.
- Baixar o braço. A mão que desce e se afasta da régua engana a leitura.
- Subir na ponta dos pés. Os calcanhares ficam no chão em todas as tentativas.
Teste de alcance funcional: valores de referência
Os pontos de corte mais usados vêm de idosos acompanhados por seis meses e comparam cada faixa com quem alcança mais de 25 cm 3:
- Mais de 25 cm: faixa de referência.
- Entre 15 e 25 cm: o dobro da chance de cair duas vezes ou mais no semestre.
- 15 cm ou menos: quatro vezes a chance.
- Não consegue se inclinar: oito vezes a chance.
Como comparação, idosos que vivem em casa alcançam em média 26,6 cm, e os que moram em instituição de longa permanência, 15,4 cm 2. O alcance diminui com a idade e é menor em quem é mais baixo 1. Por isso o número mais útil é o da própria pessoa ao longo do tempo: uma queda de alguns centímetros entre uma avaliação e outra diz mais do que estar um pouco abaixo da média.
Nenhum teste decide sozinho. O alcance funcional entra na avaliação do risco de queda ao lado do Timed Up and Go, da velocidade da marcha e da história de quedas do último ano.
Testes de alcance no idoso: lateral, para trás e sentado
O teste original olha só para a frente, mas o idoso também cai para o lado e para trás. Por isso a avaliação geriátrica usa variações do mesmo gesto, cada uma ligada a uma situação da casa.
Alcance lateral
De costas para a parede, com o braço aberto para o lado na altura do ombro, a pessoa inclina o tronco para esse lado e desliza a ponta do dedo médio ao longo da régua, sem tirar os pés do chão 5. Idosos que vivem em casa alcançam em média de 15 a 17 cm para cada lado 6.
Por que importa: é o equilíbrio de quem pega a toalha no gancho ao lado do chuveiro ou o controle remoto na ponta do sofá. A queda de lado é a que mais leva à fratura do quadril, e a diferença entre os dois lados, comum depois do AVC, fica visível no número.
Alcance para trás
Na mesma posição do teste original, com o braço à frente na altura do ombro, a pessoa se inclina para trás o máximo que consegue, e a régua mostra quanto o punho recuou. A média dos idosos que vivem em casa fica perto de 12 cm 6. O avaliador fica colado atrás, com as duas mãos prontas, porque essa é a direção em que o idoso menos consegue se proteger.
Por que importa: é o gesto de sentar na cadeira, puxar uma porta ou recuar diante de um degrau. O alcance para trás é o que mais acompanha o medo de cair: quem tem medo recua menos 6.
Alcance sentado
Para quem não fica de pé com segurança, o teste é feito sentado numa cadeira firme sem braço, com as costas afastadas do encosto, os pés apoiados no chão e o braço à frente na altura do ombro. A pessoa se inclina a partir do quadril, sem tirar o bumbum do assento, e a régua mede o deslocamento da mão do mesmo jeito que em pé 7.
Por que importa: o equilíbrio sentado é o que permite vestir a calça, calçar o sapato, pegar um objeto no chão e passar da cama para a cadeira. Em quem está acamado, usa cadeira de rodas ou se recupera de AVC ou de fratura, é o primeiro número a acompanhar.
Quando as quatro direções são medidas juntas, para a frente, para trás e para os dois lados, o conjunto se chama teste de alcance multidirecional 6, e ele mostra para que lado o limite do equilíbrio está mais curto.
Dá para fazer o teste de alcance funcional em casa?
Dá, como triagem, desde que alguém fique ao lado o tempo todo. Uma fita adesiva na parede do corredor, na altura do ombro, substitui a régua; o familiar marca com lápis o início e o fim e mede a distância com uma fita métrica de costura. As regras de segurança:
- A pessoa fica com a parede de um lado e o familiar do outro, perto e com a mão na altura da cintura dela.
- Tapete solto sai do caminho; tapete preso com fita nas pontas pode ficar.
- Tênis ou sapato fechado, nunca chinelo nem meia.
- Uma tentativa por vez, com pausa sentada entre elas.
- Tontura, dor no peito, falta de ar ou sensação de que vai cair: parar e sentar.
Se o resultado ficar abaixo de 25 cm, se a pessoa precisar dar passo para não cair ou se o número diminuir de uma medida para a outra, vale pedir ao fisioterapeuta uma avaliação completa do equilíbrio.
Como melhorar o alcance funcional
O alcance melhora com treino de equilíbrio e de força, e um bom exercício é o próprio gesto feito com segurança. Na bancada da cozinha, com uma das mãos apoiada, a pessoa estende a outra até objetos colocados cada vez mais longe e volta devagar à posição inicial. Com o tempo, a mesma tarefa passa a ser feita sem a mão de apoio e, depois, para os lados.
Esse treino entra num programa maior, com os exercícios de equilíbrio para idosos e o fortalecimento das pernas, e repetir o teste a cada um ou dois meses mostra se o caminho está certo. Em Belo Horizonte e Nova Lima, a fisioterapia para prevenção de quedas da ReabilitaCare faz a avaliação com esses testes dentro de casa, monta o treino no ambiente onde a pessoa vive e mostra à família o que ela já faz sozinha com segurança.
O equilíbrio cabe numa régua na parede
O teste de alcance funcional pede cinco minutos, uma régua e alguém ao lado. Três gestos bastam para fazer a medida e saber o que ela quer dizer.
Posicionar
Prenda uma régua ou uma fita adesiva na parede, na altura do ombro. A pessoa fica de lado para a parede, de tênis, com os pés afastados na largura dos ombros, levanta o braço até a altura da régua com a mão fechada e você marca com lápis onde está o nó do dedo médio.
Medir
Peça para ela levar a mão o mais longe que conseguir, sem dar passo e sem tirar os calcanhares do chão, enquanto você fica ao lado com a mão perto da cintura dela. Marque o ponto final do nó do dedo, meça a distância entre as duas marcas e faça a média de três tentativas, depois de duas de treino.
Interpretar
Mais de 25 cm é a faixa de referência. Entre 15 e 25 cm, a chance de cair duas vezes ou mais em seis meses dobra; com 15 cm ou menos, fica quatro vezes maior. Abaixo de 25 cm, ou se ela precisou dar passo, peça uma avaliação de equilíbrio ao fisioterapeuta.