Recuperação Ortopédica Domiciliar

Reabilitação Pós-Fratura de Joelho

Da artrose à prótese: pré-operatório, tipos de cirurgia, a luta contra a rigidez e os movimentos contraindicados após cada procedimento.

Da artrose à cirurgia: por que o joelho falha

O joelho é a articulação que mais sofre com o peso e com os anos. Ele chega à cirurgia por dois caminhos. O primeiro é a artrose avançada, a gonartrose: o desgaste da cartilagem que provoca dor ao caminhar, deformidade, com joelhos “tortos”, em varo ou valgo, e perda progressiva da função, levando à indicação programada de prótese. O segundo é a fratura do platô tibial, da patela ou do fêmur distal, em geral por queda, que costuma ser uma urgência.

Diferente do quadril, o grande inimigo do joelho operado não é a luxação, e sim a rigidez. Um joelho que não recupera a extensão completa deixa o idoso “mancando” e sobrecarrega quadril e coluna. Por isso, cada tipo de cirurgia define metas e restrições próprias para a reabilitação.

A extensão completa é prioridade. Recuperar os últimos graus de extensão, o joelho reto a 0°, é tão importante quanto recuperar a flexão. A perda dessa extensão, chamada contratura em flexão, é uma das principais causas de dor e claudicação após a cirurgia, e é evitável com reabilitação precoce 2.

Mais de 90% das próteses totais de joelho seguem funcionando bem após 15 anos, quando bem reabilitadas 1. As primeiras 6 semanas concentram a janela mais decisiva para recuperar a amplitude de movimento e evitar a rigidez 3.

90%das próteses totais de joelho seguem bem após 15 anos, quando reabilitadas
6 semanasjanela decisiva para recuperar amplitude e evitar a rigidez
Rigideze não a luxação é o principal inimigo do joelho operado

O pré-operatório, a prehabilitação

Na artrose, a cirurgia é programada, e isso é uma vantagem. A prehabilitação fortalece o joelho antes do procedimento, e está comprovado que quem chega mais forte recupera amplitude e marcha mais rápido depois. Inclui o fortalecimento do quadríceps, o músculo-chave da extensão e da estabilidade do joelho; o ganho de amplitude prévio, pois quanto melhor a mobilidade antes, melhor o resultado depois; o treino de marcha com andador ou muletas ensaiado antes da cirurgia, evitando sustos na alta; e a adaptação da casa, com cadeira firme com braços, corrimão, retirada de tapetes e organização para minimizar escadas nas primeiras semanas.

Os tipos de cirurgia do joelho

A conduta fisioterapêutica muda conforme a técnica e a estrutura tratada. Os cenários mais comuns no idoso são:

Osteossíntese (Fixação)

Placas e parafusos fixam fraturas do platô tibial ou do fêmur distal. Preserva a articulação natural, mas costuma exigir restrição de carga por algumas semanas para o osso consolidar. Fisioterapia: mobilização precoce para evitar rigidez mesmo sem poder pisar, com carga parcial ou ausente conforme o médico, ativação do quadríceps e ganho gradual de amplitude.

Fratura de Patela

A fratura da rótula compromete o mecanismo extensor, a capacidade de esticar o joelho. Frequentemente fixada com cerclagem ou parafusos e protegida por órtese em extensão. Fisioterapia: protege-se o reparo evitando flexão forçada e extensão ativa resistida no início; o ganho de flexão é progressivo e supervisionado para não romper a fixação.

Artroplastia (ATJ / Parcial)

A prótese total de joelho (ATJ) substitui as superfícies desgastadas pela artrose; a unicompartimental troca só o lado afetado. Em geral permite carga total precoce. Fisioterapia: foco em recuperar extensão completa e flexão funcional, de cerca de 110° a 120°, força de quadríceps e marcha. Sem precauções de luxação como no quadril, mas com regras próprias, descritas abaixo.

Movimentos e cuidados contraindicados

O joelho não tem o risco de luxação protética do quadril, mas tem suas próprias armadilhas. Os cuidados dependem do tipo de cirurgia, e o ortopedista define a liberação de carga em cada caso.

O que evitar após cirurgia de joelho

Não dormir com travesseiro embaixo do joelho, pois isso incentiva a contratura em flexão e impede a recuperação da extensão. Não fazer movimentos de torção ou pivô com o pé fixo no chão, já que girar o corpo sobre a perna operada estressa a prótese ou a fixação. Não ajoelhar, agachar fundo ou ficar de cócoras nas primeiras semanas, e com cautela mesmo depois, especialmente após fratura de patela. Não forçar flexão de forma passiva e brusca após osteossíntese ou fratura de patela, pois a amplitude é ganha de forma progressiva. Não pisar com carga total se houver restrição médica, comum na osteossíntese de platô tibial: usar andador ou muletas conforme orientado. Não hiperestender o joelho forçando-o para trás, o que sobrecarrega a articulação e a fixação.

Como reabilitamos com segurança. Trabalhamos a extensão desde o primeiro dia, com o joelho apoiado reto e sem coxim atrás, ativamos o quadríceps, ganhamos flexão de forma progressiva e respeitamos a carga liberada pelo cirurgião. Tudo no ritmo do paciente e dentro da margem segura de cada tipo de cirurgia.

Como a fisioterapia ReabilitaCare atua

A recuperação da amplitude prioriza a extensão completa, a 0°, e o ganho progressivo da flexão funcional. O fortalecimento do quadríceps resgata o músculo que dá estabilidade e tira o idoso da cadeira com segurança. O treino de marcha e carga controlada avança do andador à bengala, respeitando a liberação de peso de cada cirurgia. O controle da dor e do edema aplica técnicas para reduzir o inchaço que limita o movimento nas primeiras semanas. A orientação ao cuidador garante posicionamento no leito, transferências seguras e organização da casa para acelerar a independência.

Reabilitar em casa tem vantagem. Treinar a marcha e o subir/descer degraus no ambiente real do idoso, com seus móveis e desníveis, torna a recuperação mais funcional e a alta mais segura do que a reabilitação feita apenas em consultório 4.

Depois da fratura de joelho, a perna dobra de novo, grau após grau

Recuperar a amplitude e a força no tempo certo evita rigidez e devolve uma marcha firme e sem dor.

Amplitude

Mobilizar cedo evita que o joelho enrijeça e perca a flexão.

Força

Fortalecer coxa e panturrilha estabiliza a articulação a cada passo.

Marcha

Treino de apoio e equilíbrio para caminhar com confiança outra vez.

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