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Incontinência

O gigante silencioso. Atinge muita gente, provoca vergonha e isolamento, e mesmo assim quase ninguém fala sobre ele, nem mesmo com o médico.

O que é a incontinência

A incontinência é a perda do controle voluntário da urina ou das fezes. Ela é um dos gigantes da geriatria por um motivo que vai além do corpo: é extremamente comum, tem grande impacto na qualidade de vida e, ainda assim, é cercada de silêncio. Muitos idosos e familiares acham que é uma consequência normal da idade e simplesmente passam a conviver com a fralda.

Esse silêncio é o maior obstáculo. A incontinência não é uma parte natural do envelhecimento, e na maioria dos casos pode ser tratada, melhorada ou compensada 1. O primeiro passo é simplesmente nomear o problema e levá-lo ao profissional certo.

30%das mulheres idosas convivem com algum grau de incontinência
Tratávelnão é parte normal do envelhecimento e na maioria pode melhorar
Silênciomuitos não procuram ajuda por vergonha e convivem com a fralda

Os tipos mais comuns

Incontinência não é tudo a mesma coisa. Entender o tipo é o que define o tratamento:

De urgência

A vontade vem de repente e forte, e não dá tempo de chegar ao banheiro. A bexiga contrai sozinha, sem aviso suficiente.

De esforço

Pequenas perdas ao tossir, espirrar, rir ou pegar peso. Liga-se à fraqueza do assoalho pélvico, que sustenta a bexiga.

Funcional

A bexiga funciona, mas o idoso não chega ao banheiro a tempo por imobilidade ou por dificuldade de despir-se. Aqui um gigante causa o outro.

Fecal

Perda do controle das fezes, muitas vezes ligada à constipação crônica e ao uso prolongado de fralda. Mais rara, porém mais angustiante.

Por que aparece no idoso

Como todo gigante, costuma ter mais de uma causa atuando junto. Pesa o enfraquecimento do assoalho pélvico, a rede de músculos que sustenta a bexiga e o intestino. Somam-se as infecções urinárias e alterações da próstata, que precisam de avaliação médica, e medicamentos como diuréticos e calmantes, que conectam a incontinência à iatrogenia. Doenças neurológicas como AVC, Parkinson e demências também afetam o controle. Há ainda a dificuldade de locomoção, quando o problema não é a bexiga, mas o trajeto até o banheiro.

O impacto que ninguém vê

O peso da incontinência é tanto físico quanto emocional, e alimenta os outros gigantes. Vêm o isolamento e a vergonha, quando o idoso deixa de sair, de viajar e de receber visitas com medo de um acidente. Surgem as quedas noturnas, porque idas apressadas ao banheiro no escuro são uma causa clássica de queda. A umidade constante favorece lesões de pele, com assaduras e úlceras, sobretudo no acamado. Há também a sobrecarga do cuidador, com frequência o gatilho que leva à decisão de institucionalizar.

Sinais de alerta para a família

Vale buscar orientação quando o idoso passa a usar fralda ou absorvente sem indicação profissional, levanta várias vezes à noite para urinar ou tem perdas durante o sono, diminui a ingestão de água de propósito para não ter perdas, evita sair de casa ou eventos sociais com receio de acidentes, ou apresenta vermelhidão e feridas na pele da região íntima.

Como a fisioterapia ReabilitaCare pode ajudar

A incontinência é um problema de saúde com diagnóstico e tratamento, e a fisioterapia tem papel reconhecido nele, sobretudo nos tipos de esforço, de urgência e funcional 2. O atendimento começa com algo simples e libertador: tratar o assunto com naturalidade, sem julgamento.

No domicílio, a abordagem inclui treino do assoalho pélvico para fortalecer a musculatura que controla a bexiga e o intestino, treino vesical com horários programados para ir ao banheiro, orientação sobre hidratação e hábito intestinal, e melhora da mobilidade e do trajeto até o banheiro, incluindo apoios e a roupa certa. Quando há causa médica, encaminhamos para a avaliação adequada.

O cuidador aprende a manejar a higiene de forma a preservar a pele e a dignidade do idoso, e a sustentar a rotina de banheiro que reduz os episódios. Tirar o assunto do silêncio já é, por si só, metade do tratamento.

Falar sobre o assunto já é começar a resolver

A incontinência não é destino da idade. É um problema de saúde com tratamento, e o maior obstáculo costuma ser o silêncio.


Cuidar com discrição é devolver a dignidade.

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