Síndromes geriátricas

Os gigantes da geriatria

Cinco grandes problemas ameaçam a independência do idoso mais do que qualquer doença isolada. Conhecê-los é o primeiro passo para preveni-los.

O que são os gigantes da geriatria

Em 1976, o médico britânico Bernard Isaacs percebeu que os idosos raramente adoeciam por uma causa única e bem delimitada. Em vez disso, eles costumavam ser derrubados por um pequeno grupo de problemas grandes, complexos e recorrentes, que ele chamou de gigantes da geriatria 1. Décadas depois, esses gigantes continuam sendo a melhor forma de enxergar o que realmente compromete a vida do idoso.

Como a maioria deles começa com a letra I, ficaram conhecidos no Brasil como os 5 Is: imobilidade, instabilidade postural, incontinência, incapacidade cognitiva e iatrogenia 2. Cada um deles é uma porta de entrada para a perda de autonomia, e quase nunca aparece sozinho.

Por que se chamam gigantes? Porque são grandes em três sentidos: têm muitas causas ao mesmo tempo, não se resolvem com uma única pílula e, quando ignorados, levam à dependência, à institucionalização e à morte precoce. Acima de tudo, nenhum deles é parte normal do envelhecimento. Todos podem ser prevenidos ou tratados.

5 Isimobilidade, instabilidade, incontinência, incapacidade cognitiva e iatrogenia
1976ano em que Bernard Isaacs nomeou os gigantes da geriatria
Nenhumé parte normal do envelhecimento, todos podem ser tratados

Os cinco gigantes, um a um

Cada gigante tem uma página própria, com sinais de alerta, causas e o que a fisioterapia domiciliar faz por ele. Comece por onde o caso do seu familiar mais se encaixa:

Por que eles andam juntos

Os gigantes raramente atacam em separado. Eles se alimentam uns dos outros, formando um ciclo que se fecha rápido. Um remédio para dormir (iatrogenia) deixa o idoso sonolento e desequilibrado, o que provoca uma queda (instabilidade postural). A queda gera medo e repouso prolongado, que levam à imobilidade. Acamado, o idoso passa a usar fralda mesmo sem precisar, instalando a incontinência, e a falta de estímulo acelera a incapacidade cognitiva.

Esse encadeamento explica por que o cuidado precisa ser amplo e contínuo: tratar um gigante isolado, sem olhar para os outros quatro, costuma ter resultado curto. A avaliação geriátrica e a fisioterapia domiciliar fazem diferença exatamente nesse ponto.

Como a fisioterapia ReabilitaCare atua sobre os gigantes

A fisioterapia geriátrica não trata uma doença de cada vez: ela age sobre a funcionalidade, que é justamente o terreno onde os gigantes derrubam o idoso. Na visita domiciliar, é possível observar a casa real, identificar quais gigantes já estão presentes e quais estão se formando, e construir um plano que os enfrente em conjunto.

Contra a imobilidade, faz mobilização precoce, fortalecimento e retomada da marcha, quando possível com dispositivos de auxílio. Contra a instabilidade, trabalha equilíbrio, marcha e adaptação do ambiente para prevenir quedas. Contra a incontinência, oferece orientação, treino do assoalho pélvico e uma rotina de mobilidade para chegar ao banheiro a tempo. Contra a incapacidade cognitiva, combina exercício físico e treino de dupla tarefa, que estimula corpo e mente ao mesmo tempo. Por fim, contra a iatrogenia, reduz o repouso desnecessário, estimula a autonomia e mantém o diálogo com a equipe médica sobre o impacto funcional dos medicamentos.

O cuidador também entra no plano, porque é ele quem dá continuidade ao cuidado entre uma sessão e outra. Quando a família entende os gigantes, ela deixa de apenas reagir às crises e passa a preveni-las.

Nenhum gigante é invencível quando se enxerga cedo

Imobilidade, quedas, incontinência, declínio cognitivo e iatrogenia não são destino do envelhecimento. São problemas com nome, causa e tratamento.


Cuidar da função é desarmar os gigantes antes que eles derrubem.

Leia também