Ilustração de senhor idoso subindo o degrau da calçada com a perna erguida mais alto que o normal e a ponta do pé caída para baixo, apoiando a mão num muro baixo de rua arborizada
Marcha e quedas

Pé caído e pé equino no idoso

O pé que não levanta a ponta e o tornozelo que trava apontando para baixo têm origens diferentes e tratamentos diferentes. Os dois raspam o chão a cada passo, e é por isso que derrubam.

Atualizado em 14 de setembro de 2026. Conteúdo de Rubens Alves de Lima, fisioterapeuta, CREFITO 4/277587-F.

O que é pé caído

Resposta curta

Pé caído é a perda da força que levanta a ponta do pé. O tornozelo não consegue puxar o pé para cima, a ponta pende e o dedo engancha no chão a cada passo. Na maioria das vezes a causa é um nervo comprimido logo abaixo do joelho, e o quadro tem tratamento. O pé equino é outra coisa: ali o tornozelo está preso para baixo por encurtamento ou por espasticidade, e a diferença entre os dois muda o que se deve fazer.

O gesto que falta tem nome: dorsiflexão, o movimento de trazer o pé na direção da canela, o mesmo que se faz para bater o calcanhar no chão ao marcar o compasso de uma música. Quem tem pé caído não consegue fazê-lo, ou faz com metade da força. Um teste simples revela: de pé, apoiado na parede, o idoso tenta andar alguns passos só sobre os calcanhares. Quem tem pé caído não sustenta a ponta erguida e o pé desaba no chão com um estalo.

A consequência aparece no passo. Numa caminhada comum, o pé passa de um a dois centímetros do chão durante a fase em que a perna avança no ar, e essa folga é toda a margem de segurança contra um tropeço9. Com a ponta pendida, a folga desaparece. O corpo então inventa uma saída: levanta o joelho bem mais alto, como quem sobe um degrau que não existe, e joga o pé à frente. Esse jeito de andar tem nome, marcha escarvante, também chamada de marcha em degrau ou marcha do galo, e se reconhece de longe.

1 a 2 cmé a folga com que o pé passa do chão a cada passo de quem anda bem
2 grausé tudo o que o alongamento passivo ganha de amplitude, e ninguém sente a diferença
1 a 6 mesesdepois do AVC é a fase em que a estimulação elétrica rende mais no tornozelo

Pé equino: o tornozelo preso para baixo

No pé equino o tornozelo não chega à posição neutra nem quando alguém o empurra. Ele está fixado em ponta, o calcanhar não encosta no chão e o apoio acontece sobre a parte da frente do pé. O nome vem da semelhança com a pata do cavalo, que apoia sempre na ponta.

A origem mais comum é a espasticidade, o aumento involuntário do tônus que aparece depois de uma lesão no cérebro, como o acidente vascular cerebral. A panturrilha fica permanentemente contraída e puxa o calcanhar para cima. Quando o pé também gira para dentro, apoiando na borda externa, o quadro recebe o nome de pé equinovaro, o formato mais comum depois do AVC. A retração é a outra origem, e costuma vir junto: semanas de tornozelo parado na mesma posição encurtam o tendão de Aquiles e a cápsula da articulação, até o encurtamento se tornar estrutural.

Das duas, a retração é a que mais surpreende as famílias, porque se instala em silêncio. Basta o peso do lençol empurrando o pé para baixo, noite após noite, num idoso que passou a maior parte do tempo deitado. Quem cuida de alguém com síndrome do imobilismo precisa vigiar o tornozelo com a mesma atenção que dedica à pele do calcanhar.

Ilustração comparando dois pés vistos de perfil, um com a ponta pendida e o tornozelo solto, outro com o calcanhar erguido e o tornozelo rígido apontando para baixo
À esquerda, o pé caído: o tornozelo se move, mas falta força para erguer a ponta. À direita, o pé equino: o calcanhar não desce e o peso todo cai sobre a frente do pé.

Como diferenciar o pé caído do pé equino

A distinção se faz com a mão, e qualquer familiar consegue observar o essencial. Com o idoso sentado e a perna relaxada, alguém segura o calcanhar e empurra o pé devagar na direção da canela. Se o pé sobe sem resistência até passar da posição neutra, o tornozelo está livre e o problema é de força: pé caído. Se o pé trava antes de chegar à posição neutra, e o obstáculo é uma barreira dura que não cede com insistência, existe retração instalada.

Um detalhe separa a retração da espasticidade. A espasticidade depende da velocidade: empurrado devagar, o pé cede bem; empurrado rápido, ele se fecha num freio. A retração não muda com a velocidade, porque ali o tecido está encurtado e pronto. Essa diferença importa muito, já que o tratamento da espasticidade não é o mesmo da retração, e um caso pode ter os dois ao mesmo tempo.

Há ainda a combinação que mais confunde. Um pé caído que ninguém tratou por meses acaba virando pé equino, porque o tornozelo que passa o dia pendido vai encurtando na posição em que fica. Começa como fraqueza e termina como rigidez, e a janela para evitar isso é curta.

O que causa o pé caído no idoso

Duas causas respondem pela maioria dos casos: a compressão do nervo fibular na lateral do joelho e a compressão da raiz nervosa L5 na coluna lombar. A lesão do nervo no joelho é a neuropatia por compressão mais comum de toda a perna1, e o motivo é anatômico: ali o nervo passa colado ao osso, coberto apenas pela pele. Qualquer pressão mantida sobre esse ponto o machuca.

No idoso, as situações que produzem essa pressão repetem um padrão. Uma cirurgia longa com a perna apoiada de lado. Semanas de cama com a perna rolando para fora, deixando o joelho encostado no colchão. O hábito de cruzar as pernas por horas na poltrona. Uma imobilização mal ajustada. Perda de peso importante, que retira a gordura que protegia o nervo. Em todos esses casos o idoso acorda um dia com o pé pendido e sem dor nenhuma. A ausência de dor engana, e faz muita gente esperar para ver.

A outra origem frequente vem da coluna. A raiz nervosa L5, comprimida por uma hérnia de disco ou por estreitamento do canal, provoca exatamente o mesmo pé caído2, e a diferença costuma estar na dor que desce pela perna e em alterações que sobem acima do joelho. Vem depois a lesão no cérebro, em geral o AVC, e ali o pé caído aparece junto com fraqueza no braço do mesmo lado ou com espasticidade.

Restam as causas que atingem os dois pés ao mesmo tempo. A neuropatia periférica, frequente em quem convive há anos com diabetes, degrada o nervo aos poucos e costuma vir com formigamento e perda de sensibilidade na sola. Doenças neurológicas progressivas também entram aqui. Pé caído dos dois lados raramente é compressão e quase sempre pede investigação mais ampla.

Por que o nervo fibular é o mais exposto

O nervo fibular contorna a cabeça da fíbula, aquele caroço ósseo que se apalpa na lateral do joelho, logo abaixo da dobra. Nesse trecho ele não tem músculo por cima nem gordura suficiente para amortecer. Está entre o osso e a pele, e é possível senti-lo rolando sob o dedo.

Esse nervo comanda os músculos que levantam a ponta do pé e os que giram o pé para fora. Quando ele para de conduzir o sinal, os dois movimentos somem juntos, e por isso o pé caído costuma vir com o pé tendendo a virar para dentro. O nervo também leva a sensibilidade da parte de cima do pé e da frente da perna. Daí a dormência em faixa que algumas pessoas descrevem nessa região.

Ilustração anatômica da lateral do joelho mostrando o nervo fibular contornando o osso saliente logo abaixo da articulação, sem camada muscular de proteção
O nervo fibular contorna o osso na lateral do joelho, protegido só pela pele. Horas de pressão nesse ponto bastam para o pé parar de levantar.

Como o pé caído muda a caminhada

Sem esse nervo funcionando, a caminhada muda em três pontos, e os três custam energia. O primeiro é a entrada do pé no chão. Numa pisada normal o calcanhar toca primeiro e a planta desce controlada, freada pelos mesmos músculos que levantam a ponta. Sem eles, o pé inteiro despenca de uma vez e produz o tapa característico, audível na sala ao lado.

O segundo é a passagem da perna no ar. Para não enganchar o dedo, o quadril e o joelho sobem mais do que precisariam, e o gasto do passo aumenta. Outra saída comum é jogar a perna em arco pelo lado de fora, levando o pé em volta em vez de levantá-lo.

O terceiro é a velocidade. O passo encurta, a cadência cai e o idoso anda mais devagar. A velocidade de caminhada tem peso próprio nessa idade, como descrito em velocidade da marcha no idoso. Quem convive com isso há tempo troca o caminho: evita tapete, desiste da calçada irregular e para de sair de casa. A perda de autonomia costuma chegar antes da queda.

Pé caído aumenta o risco de queda

Aumenta, e o mecanismo é direto. Tropeçar é a forma mais comum de cair andando9, e o tropeço acontece quando a folga entre o pé e o chão não é suficiente para vencer um obstáculo que ninguém viu. O pé caído elimina essa folga a cada passo. O que sobra de proteção é a compensação do quadril. Ela exige atenção e força, e as duas falham quando a pessoa conversa, carrega algo ou está cansada no fim do dia.

Os outros fatores de risco de queda se somam a esse. Um idoso com pé caído que também toma remédio para dormir e enxerga mal no corredor à noite não tem um risco, tem três empilhados. A avaliação do risco de queda serve justamente para ver o conjunto.

A resposta caseira mais útil começa no chão, antes de qualquer equipamento. Tapete solto, fio atravessado, tampete de banheiro com borda levantada e degrau sem contraste de cor viram obstáculos reais para um pé que passa raspando. O capítulo de como evitar quedas em casa trata disso item por item.

Como se descobre a causa do pé caído

O exame clínico já separa a maior parte dos casos. O médico verifica a força da dorsiflexão, testa se o pé ainda gira para fora, procura a dormência na parte de cima do pé, confere os reflexos e percorre a coluna. Perguntar o tempo é decisivo: pé caído que apareceu de uma hora para outra, sem dor, depois de horas na mesma posição, aponta para compressão do nervo. Pé caído que veio junto com dor descendo pela perna aponta para a coluna.

Dois exames costumam ser pedidos. A eletroneuromiografia mede a condução do nervo e diz onde está a lesão e qual a extensão do dano. Dela sai o prognóstico. A ultrassonografia consegue ver o nervo e identificar um cisto ou uma massa comprimindo. Ressonância da coluna entra quando a suspeita é de raiz nervosa.

Fazer o exame cedo demais engana. A alteração de condução leva alguns dias para se estabelecer depois da lesão, e um exame feito na primeira semana pode parecer melhor do que a situação real. Costuma-se aguardar de três a quatro semanas para que o resultado tenha valor de prognóstico.

Tratamento do pé caído: a órtese de tornozelo e pé

A órtese de tornozelo e pé, conhecida pela sigla AFO, é uma peça que sustenta o pé na posição neutra e o impede de pender. Ela vai dentro do calçado e é o recurso com efeito mais consistente no pé caído. Ela não trata o nervo. Devolve o passo enquanto o nervo se recupera, ou permanentemente, quando não há recuperação a esperar.

O ganho aparece no mesmo dia em que ele calça a peça. A velocidade da caminhada sobe, o passo fica mais longo e o número de passos por minuto aumenta3. No teste de levantar da cadeira, andar três metros, contornar um cone e voltar a sentar, o tempo cai. A maior diferença, porém, está em quanta ajuda a pessoa precisa para andar: quem dependia da mão de alguém passa a se virar com o apoio de um corrimão, e quem dependia do corrimão passa a andar sozinho em terreno plano. O calcanhar volta a tocar o chão primeiro4, e é daí que uma pisada organizada recomeça.

Existem vários modelos, e a escolha entre eles não é estética. A órtese rígida de plástico sustenta mais e serve quando há espasticidade ou instabilidade lateral. A órtese flexível permite algum movimento do tornozelo e agrada mais a quem tem só a fraqueza. A órtese articulada trava a queda da ponta e libera a subida, e costuma ser a mais confortável para quem anda bastante. Existem ainda as tiras elásticas que puxam a ponta do pé pelo cadarço, que são baratas e resolvem casos leves.

A órtese precisa ser ajustada por profissional, porque uma peça larga machuca e uma peça apertada marca a pele, sobretudo em quem tem sensibilidade reduzida por diabetes. O calçado tem de acompanhar: sapato fechado, com solado firme e espaço para a órtese, e nunca chinelo. E a pele sob a peça deve ser conferida todo dia nas primeiras semanas, procurando vermelhidão que não desaparece nos vinte minutos seguintes à retirada da peça.

Ilustração de uma órtese de tornozelo e pé apoiada ao lado de um sapato fechado de solado firme, com a peça posicionada mostrando como ela sustenta o tornozelo em posição neutra
A órtese não trata o nervo, devolve o passo. Ela só funciona dentro de um sapato fechado e de solado firme, nunca com chinelo.

Estimulação elétrica no pé caído: quando ajuda

A estimulação elétrica funcional aplica um pulso no nervo fibular no momento exato em que a perna avança, e o pé sobe. O aparelho é preso abaixo do joelho e sente a fase do passo. Em casos selecionados ele substitui a órtese, e a diferença está em acionar o próprio músculo em vez de suprir o movimento por fora.

Um detalhe importa mais do que o aparelho em si. A estimulação não acelera a caminhada por conta própria. O ganho de velocidade aparece quando ela é combinada com fisioterapia supervisionada, e desaparece quando se entrega o aparelho para a pessoa usar sozinha em casa sem acompanhamento5. Aparelho entregue sem acompanhamento não é tratamento.

Sobre a amplitude do tornozelo e o controle motor da perna, a estimulação elétrica somada à reabilitação convencional rende mais do que a reabilitação sozinha depois do AVC. E o momento pesa: o efeito é maior entre o primeiro e o sexto mês, menor na fase aguda e pequeno depois de seis meses6. Começar cedo, aqui, rende mais do que insistir tarde.

Alongamento no pé equino: o que ele não resolve

Aqui a prática contraria a intuição. Alongar um tornozelo já retraído, de qualquer forma que seja, ganha cerca de dois graus de amplitude7. Dois graus não mudam a pisada, não fazem o calcanhar encostar no chão e ninguém percebe a diferença na vida real. Vale igual para o tornozelo que ficou rígido depois de um AVC e para o que ficou rígido depois de semanas de cama, e essa é das informações mais bem estabelecidas da reabilitação.

Isso não significa parar de mexer o tornozelo. Significa mudar o que se espera do gesto e quando ele é usado. O movimento do pé para cima e para baixo mantém circulação, preserva a mobilidade que ainda existe e conserva o hábito do movimento, e essas razões bastam. O que ele não faz é devolver amplitude perdida.

O exercício de tornozelo e pé tem efeito próprio no idoso, e convém conhecer o tamanho dele: melhora a força de empurrar o chão, a flexibilidade do tornozelo e o equilíbrio de olhos abertos. Sobre diminuir o número de quedas, ainda não há demonstração10. Ele entra como parte do treino de equilíbrio, como os exercícios de equilíbrio para idosos, e não no lugar dele.

A estratégia que funciona é impedir a retração enquanto ela ainda não existe. O tornozelo de quem passa o dia deitado ou sentado precisa de tempo em posição neutra ao longo do dia, e não de uma sessão de alongamento por semana. Pé apoiado no chão inteiro quando sentado, calcanhar encostado no apoio da cadeira de rodas, lençol frouxo sobre os pés e tempo de pé apoiado, quando houver condição, valem mais do que qualquer manobra feita depois que o encurtamento já se instalou.

Ilustração de senhora idosa sentada na poltrona do quarto, descalça, com os dois pés apoiados inteiros no chão e a cama ao fundo
O tornozelo se encurta na posição em que passa o dia. Pé apoiado inteiro no chão, e não pendurado, vale mais do que alongar depois.

Toxina botulínica e cirurgia no pé equino

Quando o pé equino vem da espasticidade depois de um AVC, a aplicação de toxina botulínica na panturrilha reduz o tônus e abre uma janela em que o tornozelo aceita ser posicionado. A toxina sozinha, porém, entrega menos do que promete. O resultado melhora quando ela é seguida de treino de força e de trabalho ativo do tornozelo nas semanas em que o efeito está presente8. A aplicação relaxa o músculo, e o treino aproveita a folga; sem a segunda parte, a amplitude volta para onde estava.

Já a cirurgia entra em duas situações distintas. No pé caído por compressão que não se resolve, a descompressão do nervo costuma ter bom resultado quando existe um ponto claro de aperto ou uma massa comprimindo. Quando não há recuperação a esperar do nervo, a transferência do tendão tibial posterior reposiciona um tendão saudável para assumir o trabalho do que parou2, e os resultados são bons, desde que a reabilitação venha depois. No pé equino por retração antiga, o alongamento cirúrgico do tendão de Aquiles devolve a posição que o tecido não devolve mais.

Quanto tempo o pé caído leva para melhorar

Depende do que aconteceu com o nervo, e essa é a informação que a eletroneuromiografia entrega. Quando a bainha do nervo foi comprimida mas o cabo permanece íntegro, a recuperação costuma acontecer em semanas a poucos meses, e é a situação mais comum na compressão na lateral do joelho. Quando as fibras foram interrompidas, o nervo precisa crescer de volta, e o crescimento é lento, na ordem de um milímetro por dia. Distância, nesse caso, vira conta de meses.

Nesse intervalo a órtese sustenta a caminhada, e por isso ela não deve ser adiada à espera de uma recuperação que talvez demore meses. Andar com segurança durante a espera preserva força, equilíbrio e confiança, e evita a retração que transformaria um problema de força num problema de rigidez.

Quando a origem é um AVC, o prazo segue o da recuperação neurológica e a janela mais produtiva fica nos primeiros seis meses. Quando a origem é neuropatia por diabetes, o quadro é lento e progressivo, e o objetivo passa a ser proteger o pé, controlar a doença de base e manter a caminhada possível.

O que fazer em casa com o pé caído

Três sinais pedem avaliação médica em poucos dias: pé que passou a pender sem explicação, tapa do pé no chão que a família começou a ouvir e tropeços repetidos em obstáculos pequenos, como o batente da porta ou a borda do tapete. Pé caído que aparece dos dois lados, ou junto com fraqueza no braço, fala embolada ou perda de controle da urina, é motivo de procurar atendimento no mesmo dia.

Enquanto a consulta não chega, alguns hábitos protegem. Evitar qualquer pressão sobre a lateral do joelho, o que inclui deixar de cruzar as pernas e ajustar travesseiros para que a perna não role para fora na cama. Manter o pé apoiado inteiro no chão sempre que a pessoa estiver sentada, em vez de deixá-lo pendurado. E conferir a pele do pé todos os dias, porque um pé que raspa o chão e tem sensibilidade reduzida se machuca sem avisar.

Na consulta, quatro respostas prontas adiantam o diagnóstico: quando o pé começou a pender, o que a pessoa estava fazendo nos dias anteriores, se houve dor descendo pela perna e, havendo dormência, em que parte exata do pé ela aparece. Essas quatro informações separam a maioria das causas antes de qualquer exame, e são justamente as que ninguém lembra na hora.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual. Pé caído de início recente exige diagnóstico médico, porque o tratamento muda conforme a causa e conforme o local da lesão.

O pé que não levanta a ponta tem conserto

Pé caído quase sempre vem de um nervo comprimido, no joelho ou na coluna, e nervo comprimido costuma voltar. Quem não espera é o tornozelo: ele se encurta na posição em que passa o dia, e aí a fraqueza vira rigidez, que é bem mais difícil de desfazer.

Testar

Sente o idoso, segure o calcanhar e empurre o pé devagar na direção da canela. Se o pé passa do ângulo reto com a perna, o tornozelo está livre e falta só força. Se ele trava antes disso, já existe encurtamento, e essa é a informação mais importante a levar ao médico.

Descruzar

Nunca deixe a perna cruzada por horas nem o joelho apoiado de lado no colchão, porque o nervo passa colado ao osso nesse ponto. Ponha um travesseiro ao lado da coxa para a perna não rolar para fora durante o sono.

Apoiar

Sempre que ele estiver sentado, deixe os dois pés apoiados inteiros no chão, nunca pendurados. Afrouxe o lençol sobre os pés na cama. É assim que se evita a retração, e não com alongamento feito depois.

Perguntas frequentes

O que é pé caído?
Pé caído é a perda da força que levanta a ponta do pé na direção da canela. A ponta pende, o dedo engancha no chão a cada passo e a pessoa passa a levantar o joelho mais alto para compensar. A causa mais comum é a compressão do nervo fibular na lateral do joelho, logo abaixo da articulação, onde ele passa colado ao osso e protegido só pela pele.
Pé caído e pé equino são a mesma coisa?
Não. No pé caído o tornozelo se move, mas falta força para erguer a ponta. No pé equino o tornozelo está preso apontando para baixo, seja por espasticidade depois de uma lesão no cérebro, seja por encurtamento do tendão de Aquiles em quem passou muito tempo com o pé na mesma posição. O teste que separa os dois é empurrar o pé devagar na direção da canela: se ele sobe livre, é fraqueza; se trava antes da posição neutra, há retração.
Pé caído tem cura?
Na maioria dos casos sim, porque a causa mais comum é uma compressão que o nervo supera. Quando só a bainha do nervo foi afetada e o cabo permanece íntegro, a recuperação vem em semanas a poucos meses. Quando as fibras foram interrompidas, o nervo precisa crescer de volta na ordem de um milímetro por dia, e o prazo passa a ser de meses. A eletroneuromiografia é o exame que diz em qual dos dois cenários a pessoa está.
O que causa o pé caído no idoso?
A compressão do nervo fibular na lateral do joelho e a compressão da raiz L5 na coluna respondem pela maior parte. A do joelho costuma vir depois de cirurgia longa, semanas de cama com a perna rolando para fora, hábito de cruzar as pernas por horas, imobilização mal ajustada ou perda de peso importante; a da coluna costuma vir com dor descendo pela perna. Outras origens são o acidente vascular cerebral e a neuropatia periférica, comum em quem convive há anos com diabetes. Pé caído nos dois pés raramente é compressão e pede investigação mais ampla.
Qual o melhor tratamento para o pé caído?
A órtese de tornozelo e pé é o recurso com efeito mais consistente. Ela sustenta o pé na posição neutra dentro do calçado e melhora a velocidade da caminhada, o comprimento do passo e a independência para andar, com ganho já na primeira vez em que a pessoa calça. Ela não trata o nervo. Devolve o passo enquanto a recuperação acontece. O tratamento da causa corre em paralelo, conforme o que a investigação mostrar.
Alongar o tornozelo resolve o pé equino?
Não resolve depois que a retração se instalou. Alongar um tornozelo já encurtado ganha cerca de dois graus de amplitude. Dois graus não mudam a pisada nem fazem o calcanhar encostar no chão. Isso não quer dizer parar de mexer o pé, que continua valendo pela circulação e pela mobilidade que ainda existe. O que muda o desfecho é impedir a retração antes: pé apoiado inteiro no chão quando sentado, lençol frouxo sobre os pés e tempo em posição neutra ao longo do dia.
A estimulação elétrica funciona no pé caído?
Funciona como parte de um tratamento, não como aparelho isolado. O ganho de velocidade na caminhada aparece quando a estimulação é combinada com fisioterapia supervisionada, e some quando a pessoa usa o aparelho sozinha em casa sem acompanhamento. Sobre a amplitude do tornozelo e o controle da perna depois do AVC, ela soma à reabilitação convencional, e o efeito é maior entre o primeiro e o sexto mês.
Pé caído aumenta o risco de queda?
Aumenta. Tropeçar é a forma mais comum de cair andando, e o tropeço acontece quando falta folga entre o pé e o chão. Numa caminhada normal essa folga é de um a dois centímetros, e o pé caído a elimina a cada passo. A proteção que resta depende de levantar o joelho mais alto. Isso exige atenção e força, e falha justamente quando a pessoa conversa, carrega algo ou está cansada.
Que sapato usar com pé caído?
Sapato fechado, de solado firme e com espaço interno suficiente para acomodar a órtese, de preferência com fechamento ajustável. Chinelo e sapato solto são as piores escolhas, porque obrigam os dedos a segurar o calçado e agravam o enganchar da ponta. Quem tem sensibilidade reduzida por diabetes precisa conferir a pele do pé todos os dias, procurando vermelhidão que não desaparece cerca de vinte minutos depois de tirar a órtese.
Quando procurar o médico?
Em poucos dias, quando o pé passou a pender sem explicação, quando a família começou a ouvir o tapa do pé no chão ou quando aparecem tropeços repetidos em obstáculos pequenos. No mesmo dia, quando o pé caído surge nos dois lados ao mesmo tempo, ou acompanhado de fraqueza no braço, fala embolada, dor forte descendo pela perna ou perda de controle da urina.

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