Ilustração de senhora idosa sentada numa cadeira na varanda de casa, com um frasco conta-gotas de vitamina D e um copo de água sobre a mesinha ao lado, e o jardim ao fundo
Saúde e envelhecimento

Vitamina D para idosos

Um terço dos idosos brasileiros tem vitamina D baixa no exame, mesmo onde o sol não falta. Repor resolve parte do problema. A dose e o intervalo entre uma tomada e outra decidem se ajuda ou atrapalha.

Atualizado em 12 de setembro de 2026. Conteúdo de Rubens Alves de Lima, fisioterapeuta, CREFITO 4/277587-F.

Por que falta vitamina D no idoso

Resposta curta

A referência de consumo depois dos 70 anos é de 800 unidades internacionais de vitamina D por dia, somando o que vem da comida e o que vem do frasco. Na prevenção de queda, a faixa que funciona é de 800 a 1.000 unidades por dia, tomadas todos os dias; acima de 1.000 o risco de cair volta a subir, e o teto de segurança para uso contínuo é de 4.000 unidades diárias. Quem tem doença renal, má absorção ou osteoporose em tratamento segue a dose que o médico calcular, que costuma ser outra.

A vitamina D não vem principalmente do prato. Ela nasce na pele, quando o sol bate, e depois passa pelo fígado e pelo rim até virar a forma que o corpo usa. Três etapas, e o envelhecimento aperta as três ao mesmo tempo.

A primeira é a pele. Depois dos 70 anos a mesma meia hora de sol produz uma fração do que produzia aos 20, porque a substância que dá origem à vitamina D rareia na pele envelhecida. A segunda é o rim, que perde parte da capacidade de fazer a conversão final e trabalha ainda pior em quem tem doença renal crônica. A terceira é a vida que se leva: quem tem 80 anos sai menos de casa, sente frio, se cobre mais, evita o sol quente por medo de câncer de pele e passa boa parte do dia na poltrona da sala.

Some tudo e o resultado aparece no exame. Entre os idosos brasileiros, 34 em cada 100 têm vitamina D deficiente, e outros 35 ficam na faixa insuficiente, logo acima 1. A conta se repete país afora, inclusive onde o sol é forte o ano inteiro, o que desmonta a explicação mais confortável: no idoso, morar num lugar ensolarado não é o mesmo que tomar sol.

34 em cada 100idosos brasileiros têm vitamina D deficiente no exame de sangue, e outros 35 ficam na faixa insuficiente
800 a 1.000 UIpor dia é a faixa que diminui queda em quem está com o nível baixo, e acima dela o risco de cair volta a subir
20 ng/mLé o ponto do exame abaixo do qual repor faz diferença, e acima de 30 o ganho desaparece

Quanta vitamina D para idosos por dia

Dose diária de vitamina D no idoso, por situação.
SituaçãoDose por diaObservação
Referência de consumo depois dos 70 anos800 unidades internacionaisConta o que vem da comida e o que vem do frasco
Prevenção de queda800 a 1.000 unidadesTodos os dias; acima de 1.000 o risco de cair volta a subir
Teto de segurança para uso contínuo4.000 unidadesPassar disso exige indicação e acompanhamento médico
Doença renal, má absorção ou osteoporose em tratamentoA que o médico calcularCostuma ser diferente das faixas acima

Reconhecida a falta, vem a pergunta da dose. A conta tem duas respostas, e confundir uma com a outra é a origem de quase toda a bagunça que chega ao consultório.

A primeira responde quanto o corpo precisa para não faltar. Depois dos 70 anos, a referência de consumo é de 800 unidades internacionais por dia, somando o que vem da comida e o que vem do frasco, contra 600 unidades entre 51 e 70 anos. O teto de segurança para uso contínuo fica em 4.000 unidades diárias 15.

A segunda responde quanto faz diferença de verdade, e é mais estreita. Na prevenção de queda, a faixa que funciona é de 800 a 1.000 unidades por dia, tomadas todos os dias. Abaixo dela o efeito não aparece; acima de 1.000 unidades diárias o risco de cair volta a subir 2.

Repare no que a segunda resposta não diz. Ela não fala em ampola de 50.000 unidades por semana, nem em frasco de 100.000 tomado de mês em mês, formatos comuns nas farmácias brasileiras e cômodos justamente porque poupam a lembrança diária. A orientação atual para quem passou dos 50 anos e tem indicação de repor é outra: dose pequena todo dia, em vez de dose grande de tempos em tempos 5. O motivo aparece mais adiante, e não é teórico.

Quem tem doença renal crônica, doença intestinal de má absorção, cirurgia bariátrica no passado ou osteoporose em tratamento fica fora dessas faixas gerais. Ali a dose sai da consulta, com exame na mão, e às vezes a forma ativa da vitamina entra no lugar da comum.

Vitamina D previne queda no idoso?

Previne, com uma condição que muda tudo: só em quem está com o nível baixo.

Tomada todos os dias, na faixa de 800 a 1.000 unidades, a vitamina D diminui em cerca de um quinto o risco de cair. Em quem tem menos de 20 ng/mL no exame, a proteção sobe e chega perto de um terço. Em quem já está acima de 20 ng/mL, o benefício simplesmente não existe 2.

Duas condições precisam ser cumpridas para esse número aparecer. A primeira é o nível baixo antes de começar. A segunda é a tomada diária: em regime espaçado, o efeito sobre queda desaparece por completo 2. Quem toma a ampola mensal está no grupo em que nada acontece, na melhor das hipóteses.

Corrigida a falta, resta medir o tamanho do que se ganhou. Um quinto a menos de quedas é um ganho real e barato, e ainda assim o menor dos itens de um programa de prevenção. O que mais reduz tombo continua sendo treino de equilíbrio e de força, revisão da lista de remédios em polifarmácia no idoso e conserto dos fatores de risco para quedas dentro de casa. A vitamina D entra nessa lista como coadjuvante, e quem a trata como solução costuma deixar as outras três de lado.

As formas ativas da vitamina seguem outra regra. Vendidas com receita e usadas em situações específicas, elas reduzem queda em 19% e aumentam a força do quadríceps, o músculo da frente da coxa que levanta o corpo da cadeira 9. Elas exigem controle do cálcio no sangue e não são a versão de prateleira; quem decide sobre elas é o médico.

Vitamina D previne fratura?

A resposta desaponta, e convém sabê-la antes de comprar o frasco.

Em quem não faz tratamento para osteoporose, mora em casa e não corre risco alto de fratura, repor vitamina D não diminui fratura nenhuma: nem no total, nem no quadril, nem na coluna. O cálcio sozinho também não. O cálcio e a vitamina D juntos raspam uma diferença pequena demais para mudar a vida de quem toma 3.

No idoso saudável acima de 60 anos o resultado se repete, com um detalhe incômodo: a mulher que toma dose alta e espaçada, sem cálcio junto, quebra o quadril 34% mais do que a que não toma nada 4. Não é um erro de leitura, e volta a apontar para o mesmo culpado, o esquema de dose grande e espaçada.

Nada disso apaga o papel da vitamina D no osso. A falta grave e prolongada amolece o osso, causa dor e fraqueza, e corrigir isso é tratamento de verdade. O que os números dizem é outra coisa: dar vitamina D a quem não está em falta não protege de fratura, e quem já quebrou o quadril precisa de um plano bem maior do que um frasco, descrito em reabilitação pós-fratura de quadril e em osteoporose.

Ilustração vertical de mesa de cabeceira com um frasco pequeno de gotas de vitamina D ao lado de uma ampola grande de dose semanal, com uma caixa de comprimidos ao fundo
O mesmo remédio em dois formatos. O pequeno, tomado todo dia, é o que reduz queda em quem está em falta; o grande e espaçado é o que aumenta.

Dose alta de vitamina D faz mal?

Essa é a parte contraintuitiva, e a que mais surpreende a família. A vitamina D em dose grande não é vitamina D reforçada, é outra coisa.

Uma dose única de 500.000 unidades por ano, em mulher acima de 70 anos com risco alto de fratura, aumenta em 15% o número de quedas e em 26% o de fraturas, e os tombos se concentram justamente nos três meses seguintes à tomada, quando o nível no sangue dispara 6. No idoso de 70 anos ou mais que já caiu antes, a dose mensal de 60.000 unidades leva 67 em cada 100 a cair no ano, contra 48 em cada 100 na dose mensal de 24.000, e sem nenhuma melhora no desempenho físico 7.

Há ainda um efeito que ninguém sente e que aparece no osso. Três anos tomando 4.000 unidades por dia deixam o osso do antebraço menos denso do que três anos tomando 400 por dia, e 10.000 por dia deixam pior ainda, sem nenhum ganho de resistência do osso em troca 14.

A leitura prática cabe numa frase: a vitamina D corrige uma falta, e, uma vez corrigida, insistir não melhora nada e chega a piorar. Quem tem o frasco de dose alta em casa não precisa entrar em pânico nem interromper por conta própria, e sim levar a caixa à próxima consulta e perguntar se dá para trocar pelo esquema diário.

Vitamina D aumenta a força muscular?

A promessa de músculo é o que mais vende vitamina D depois dos 60 anos, e a que menos se sustenta.

Em idoso que mora em casa, a vitamina D isolada não melhora a força de apertar a mão, não melhora o tempo de levantar da cadeira, andar três metros e voltar, e não aumenta a massa muscular dos braços e das pernas. Na prova física de três partes, que soma equilíbrio em pé, velocidade de caminhada e levantar da cadeira numa nota de 0 a 12, quem toma vitamina D termina 0,23 ponto abaixo de quem não toma 8. A diferença é pequena e vai na direção errada, o que já basta para tirar o suplemento do lugar de tratamento.

O quadro se repete em escala maior. Duas mil unidades por dia durante três anos, no idoso acima de 70 anos e sem doença grave, não mudam pressão arterial, desempenho físico, memória, fratura fora da coluna nem número de infecções 10. Nada.

O que constrói músculo depois dos 60 anos continua sendo o de sempre: carga no corpo e proteína no prato, assunto de perda de força muscular no idoso, proteína para idosos e sarcopenia. A vitamina D é pré-requisito, não é ferramenta: corrigir a falta tira do caminho um obstáculo, e quem esperava que o frasco fizesse o trabalho do treino vai esperar sentado. O mesmo raciocínio vale para a creatina para idosos, que joga em outra posição e tem regras próprias.

Vitamina D previne demência?

A associação existe e é forte. Quem tem vitamina D abaixo de 10 ng/mL desenvolve demência 33% mais que quem está com o nível normal, e a faixa intermediária, de 10 a 20 ng/mL, fica 14% acima 11. Quanto mais baixo o nível, maior o risco, num degrau contínuo.

Falta o outro lado da prova. Esses números saem de acompanhar as mesmas pessoas ao longo dos anos, e dizem que os dois andam juntos, sem dizer qual empurra qual. Quando a vitamina D é reposta de propósito, o ganho não aparece: 2.000 unidades por dia durante três anos não mudam a prova de memória, atenção e linguagem pontuada de 0 a 30 10.

A explicação mais provável é chata e importante. Quem está desenvolvendo demência sai menos de casa, come pior, toma menos sol e perde peso, e a vitamina D baixa é consequência desse caminho, não a origem dele. Ela funciona como termômetro de uma vida que encolheu, e um termômetro não se conserta com pilha nova. O que muda risco cognitivo de verdade está descrito em declínio cognitivo leve e em caminhada e memória no idoso.

Vitamina D previne gripe e infecção?

A ideia ganhou o mundo na pandemia, e o tamanho real dela é modesto. Somando todas as idades, tomar vitamina D reduz por volta de 6% o risco de infecção respiratória aguda, diferença pequena demais para se distinguir do acaso. Idade, nível de partida, tamanho da dose e espaçamento entre uma tomada e outra não separam quem ganha de quem não ganha 12.

No idoso saudável, o número acompanha o resto: 2.000 unidades por dia durante três anos não diminuem a quantidade de infecções 10. Quem procura proteção respiratória no inverno tem caminhos com efeito comprovado, começando pela vacinação anual, e o frasco de vitamina D não é um deles.

Precisa fazer o exame de vitamina D?

Como rotina de quem está bem, não. A recomendação internacional atual é não dosar vitamina D em quem não tem uma pergunta clínica por trás, porque dosar a população inteira nunca se mostrou capaz de melhorar coisa alguma, nem em quem tem obesidade, nem em quem tem pele escura 5. Esse ponto contraria o hábito brasileiro de pedir vitamina D em todo check-up, e é bom sabê-lo antes de estranhar o médico que não pede.

O exame ganha sentido quando o resultado muda a conduta. As situações mais comuns:

Quando o exame vale a pena

  • Osteoporose ou fratura por pequeno trauma. Quebrar o punho ao apoiar a mão no chão, ou uma vértebra sem queda nenhuma, coloca o cálcio e a vitamina D dentro da investigação.
  • Quedas repetidas. Duas ou mais no último ano, ou uma com machucado, entram na avaliação descrita em avaliação do risco de queda.
  • Doença renal crônica. O rim doente não completa a última etapa da produção, e a conduta ali é do nefrologista.
  • Cirurgia bariátrica ou doença intestinal. Doença celíaca, doença de Crohn e desvio do intestino atrapalham a absorção de uma vitamina que só entra junto com a gordura da refeição.
  • Anticonvulsivante ou corticoide de uso prolongado. Fenitoína, fenobarbital, carbamazepina e prednisona aceleram a destruição da vitamina D no corpo.
  • Idoso acamado ou em instituição de longa permanência. Meses sem sol direto colocam esse idoso no grupo de maior deficiência que existe.
  • Obesidade. A vitamina D se acomoda na gordura do corpo e sobra menos dela no sangue, o que costuma exigir dose maior para chegar ao mesmo nível.

Fora dessas situações, o exame acrescenta um número ao papel e uma dúvida à cabeça, sem mudar o que será feito.

Qual o valor normal de vitamina D

Feito o exame, resta lê-lo. Ele se chama 25-hidroxivitamina D, e nos laboratórios brasileiros o resultado sai em ng/mL. Três faixas organizam a leitura:

  • Abaixo de 20 ng/mL: deficiência. Essa é a faixa em que repor muda alguma coisa, tanto no osso quanto na queda.
  • Entre 20 e 30 ng/mL: insuficiência. Para o idoso com osteoporose, fratura ou histórico de queda, os laudos brasileiros costumam imprimir 30 a 60 ng/mL como alvo, e a conduta depende do quadro inteiro, não só do número.
  • Acima de 30 ng/mL: subir mais não acrescenta nada, e passar de 100 ng/mL entra na faixa de risco.

Duas ressalvas ajudam a não brigar com o papel. A primeira: o valor oscila com a estação do ano, e o mesmo idoso costuma medir mais no fim do verão e menos no fim do inverno. A segunda: o alvo de 30 ng/mL é objeto de discussão honesta entre especialistas, e existe quem sustente que 20 já basta para a maioria. Nenhuma das duas posições recomenda subir o número por subir.

Ilustração de folha de resultado de exame de sangue sobre a mesa, com a linha da 25-hidroxivitamina D em destaque, ao lado de óculos de leitura e uma caneta
Abaixo de 20 ng/mL repor faz diferença. Acima de 30, subir o número não acrescenta nada ao que a pessoa sente ou consegue fazer.

Sol e comida sobem a vitamina D?

Sobem, cada um até um ponto, e nenhum dos dois costuma resolver sozinho no idoso.

O sol continua sendo a fonte principal, e a orientação sensata é expor rosto, braços e pernas por 10 a 15 minutos, fora do horário de pico, sem chegar a avermelhar a pele. Três limites cercam esse conselho depois dos 70 anos: a pele produz menos, a rua costuma ficar mais distante e o protetor solar, indicado por causa do câncer de pele, corta boa parte da produção. Um terço dos idosos brasileiros está em deficiência mesmo com sol farto à disposição 1, o que mostra que a receita de tomar sol não vence sozinha o problema.

A comida entra com pouco. Só alguns alimentos carregam vitamina D em quantidade que conte: salmão, sardinha, atum, gema de ovo, fígado e alguns leites e margarinas enriquecidos. Uma porção de sardinha ou de salmão contribui de verdade, e o resto do cardápio brasileiro contribui quase nada. Diferentemente da proteína, que se resolve na cozinha, a vitamina D raramente se resolve no prato.

Ilustração de cadeira de jardim vazia sob o céu aberto à esquerda e, à direita, uma bancada de cozinha com lata de sardinha aberta, filé de salmão na tábua, ovo cortado ao meio e um copo de leite
As duas fontes naturais, e o limite de cada uma. O sol produz menos na pele envelhecida, e poucos alimentos carregam vitamina D em quantidade que conte.

Restam o frasco e a consulta. O sol e a comida seguram o nível de quem já está bem; quem está em falta precisa repor.

Sinais de excesso de vitamina D

Repor tem limite, e passar dele cobra. A vitamina D fica guardada na gordura do corpo e sai devagar, e por isso o excesso se acumula em vez de ser eliminado. Ele age subindo o cálcio no sangue, e daí vêm os sinais.

O que observar em casa

  • Sede fora do comum e urina em grande quantidade. Costuma ser o primeiro par de sintomas, e passa despercebido porque parece diabetes.
  • Enjoo, vômito e falta de apetite. Sem infecção nem mudança de comida que explique.
  • Prisão de ventre que apareceu do nada. Em quem funcionava bem até então, assunto tratado em constipação intestinal no idoso.
  • Confusão mental, sonolência e fraqueza. No idoso, o cálcio alto se disfarça de qualquer outra coisa, inclusive de piora da memória.
  • Cólica de pedra nos rins. Dor forte de um lado da lombar que desce para a virilha.

Esse quadro aparece com doses muito acima de 4.000 unidades por dia mantidas por meses, ou por erro de conta-gotas, quando o frasco concentrado é medido como se fosse o diluído 16. Quem toma a dose prescrita e faz o controle combinado com o médico não corre esse risco. Diante de qualquer um desses sinais em quem usa vitamina D, o caminho é procurar o médico e levar a caixa junto, e não suspender por conta própria à espera de melhora.

Quem precisa tomar vitamina D

Somado tudo, a lista de quem tem o que ganhar fica curta:

  • Quem está com o exame abaixo de 20 ng/mL. O grupo em que repor diminui queda e corrige o efeito da falta sobre o osso.
  • Quem vive dentro de casa, acamado ou em instituição de longa permanência. A deficiência ali é regra, não exceção, e o assunto se cruza com a síndrome do imobilismo.
  • Quem passou dos 75 anos. Nessa faixa a reposição diária passa a ser sugerida mesmo sem exame prévio, pelo possível ganho em mortalidade 5.
  • Quem tem osteoporose ou já fraturou. Não porque a vitamina D sozinha resolva, e sim porque ela é a base sobre a qual o tratamento do osso funciona.
  • Quem tem doença renal crônica, má absorção ou cirurgia bariátrica. Casos em que a dose e a forma da vitamina saem da consulta.
  • Quem usa anticonvulsivante ou corticoide por tempo prolongado. Remédios que consomem a vitamina D mais rápido.
  • Quem tem obesidade. Boa parte da vitamina fica retida na gordura do corpo, e a mesma dose costuma deixar o exame mais baixo.

Fora dessa lista, o frasco rende pouco. Na população geral, repor vitamina D não muda a chance de morrer por qualquer causa; a única diferença que aparece é uma redução de 16% na morte por câncer, achado isolado que continua sem confirmação 13.

O que fazer com o frasco em casa

Nada do que está acima exige decidir sozinho. A sequência abaixo organiza o assunto em uma semana e chega à consulta com a pergunta certa formulada.

1. Leia o rótulo do que já é tomado

Pegue a caixa e procure duas informações: quantas unidades internacionais por dose e de quanto em quanto tempo. Gotas de 200 UI cada, cápsula de 1.000, comprimido de 7.000 semanal, ampola de 50.000. Esse par de números define em qual das situações desta página a pessoa está.

2. Some o que entra por dia

Divida a dose pelo intervalo. Um comprimido de 7.000 unidades por semana equivale a 1.000 por dia; uma ampola de 50.000 por mês equivale a pouco mais de 1.600. A conta serve para comparar com a faixa de 800 a 1.000 diárias, e para revelar quem está tomando muito mais do que imagina.

3. Reúna o resto da prateleira

O multivitamínico, o cálcio com vitamina D, o suplemento de osso e o leite enriquecido somam à conta e passam despercebidos. Junte tudo numa sacola e leve à consulta, do mesmo jeito recomendado em polifarmácia no idoso.

4. Conte as quedas dos últimos seis meses

Escorregões, tropeços e o susto em que a pessoa se segurou no móvel também contam. Esse número decide mais sobre a conduta do que o resultado do exame, e quase nunca é perguntado se a família não trouxer.

5. Leve duas perguntas escritas

A primeira: dá para trocar a dose espaçada por uma dose diária pequena? A segunda: esse exame precisa mesmo ser repetido? São as duas perguntas que mudam a conduta, e escrever num papel evita que se percam no meio da consulta.

6. Trate a queda pela porta principal

Enquanto a dose se resolve, comece a parte que rende mais: exercício de equilíbrio e de força duas a três vezes por semana, tapete solto fora do caminho, luz acesa no corredor à noite e corrimão no banheiro. O roteiro está em prevenção de quedas e segurança doméstica e em exercícios de equilíbrio para idosos.

O que decide é a dose pequena de todo dia

O exame de vitamina D se chama 25-hidroxivitamina D, e o laboratório imprime o resultado em ng/mL. Abaixo de 20, repor faz diferença: de 800 a 1.000 unidades tomadas todos os dias diminuem em cerca de um quinto o risco de cair. Acima de 20, o frasco não muda nada, e a ampola grande e espaçada chega a aumentar queda e fratura.

Conferir

Pegue a caixa da vitamina D e leia duas informações no rótulo: quantas unidades internacionais tem cada dose e de quanto em quanto tempo ela é tomada. Divida a dose pelo número de dias entre uma tomada e outra, e você tem quanto entra por dia. Um comprimido de 7.000 por semana dá 1.000 por dia; uma ampola de 50.000 por mês dá pouco mais de 1.600.

Perguntar

Escreva duas perguntas num papel e leve à próxima consulta: dá para trocar a dose espaçada por uma dose pequena diária, e esse exame precisa mesmo ser repetido. Leve na mesma sacola o multivitamínico, o cálcio e qualquer outro pote da prateleira, porque muitos deles já têm vitamina D dentro e ninguém soma.

Contar

Anote quantas vezes o idoso caiu nos últimos seis meses, incluindo escorregão e tropeço em que ele se segurou no móvel a tempo. Leve o número escrito à consulta: esse total pesa mais na decisão do que o resultado do exame, e quase nunca é perguntado se a família não trouxer.

Perguntas frequentes

Quanta vitamina D um idoso deve tomar por dia?
A referência de consumo para quem passou dos 70 anos é de 800 unidades internacionais por dia, contando o que vem da comida e o que vem do frasco. Na prevenção de queda, a faixa que funciona é de 800 a 1.000 unidades por dia, tomadas todos os dias. Acima de 1.000 por dia o risco de cair volta a subir, e o teto de segurança para uso contínuo é de 4.000 unidades diárias. Quem tem doença renal, má absorção ou osteoporose em tratamento segue a dose que o médico calcular, que costuma ser outra.
Vitamina D previne queda no idoso?
Previne em quem está com o nível baixo, e não em quem já está normal. Tomada todos os dias, na faixa de 800 a 1.000 unidades, a vitamina D diminui em cerca de um quinto o risco de cair. Em quem tem menos de 20 ng/mL no exame, a queda de risco chega perto de um terço. Em quem está acima de 20 ng/mL, o benefício desaparece. Repor é um item da prevenção de queda, nunca o item principal: o que mais reduz tombo é treino de equilíbrio e de força, revisão dos remédios e ajuste da casa.
Vitamina D 50.000 UI por semana faz mal?
O frasco de dose alta espaçada é justamente o formato que se mostrou pior no idoso. Uma dose única anual de 500.000 unidades aumenta em 15% o número de quedas e em 26% o de fraturas, com os tombos concentrados nos três meses seguintes à tomada. A dose mensal de 60.000 unidades leva 67 em cada 100 idosos a cair no ano, contra 48 em cada 100 na dose mensal de 24.000. A orientação atual para quem passou dos 50 anos é tomar a vitamina D todo dia, em dose pequena, em vez de dose grande de tempos em tempos. Quem já usa a ampola semanal ou mensal conversa com o médico antes de mudar qualquer coisa.
Qual o valor normal de vitamina D no idoso?
O exame se chama 25-hidroxivitamina D e o resultado sai em ng/mL nos laboratórios brasileiros. Abaixo de 20 ng/mL o laudo aponta deficiência, e essa é a faixa em que repor muda alguma coisa. Entre 20 e 30 ng/mL o laudo costuma falar em insuficiência, e para o idoso com osteoporose, fratura ou histórico de queda os laboratórios brasileiros imprimem 30 a 60 ng/mL como alvo. Acima de 30 ng/mL subir mais não acrescenta nada, e passar de 100 ng/mL entra na faixa de risco.
Precisa fazer exame de vitamina D todo ano?
Não como rotina de quem está bem. A recomendação internacional atual é não dosar vitamina D em quem não tem motivo, porque dosar a população inteira nunca se mostrou capaz de melhorar coisa alguma. O exame ganha sentido quando existe pergunta clínica por trás dele: osteoporose, fratura por pequeno trauma, quedas repetidas, doença renal crônica, cirurgia bariátrica, doença intestinal que atrapalha a absorção, uso de anticonvulsivante ou de corticoide, idoso acamado ou institucionalizado. Nesses casos o resultado muda a conduta, e aí vale.
Vitamina D dá força muscular no idoso?
Sozinha, não. Em idoso que mora em casa, a vitamina D isolada não muda a força de apertar a mão, o tempo de levantar e andar nem a massa muscular, e chega a piorar em 0,23 ponto a prova física de três partes que soma equilíbrio em pé, velocidade de caminhada e levantar da cadeira, pontuada de 0 a 12. O que constrói músculo depois dos 60 anos é treino de força e proteína suficiente no prato. A vitamina D entra como pré-requisito, não como tratamento: ela tira do caminho uma falta que atrapalha, e nada além disso.
Tomar sol resolve a falta de vitamina D?
Ajuda, e no idoso costuma não bastar. A pele envelhecida produz bem menos vitamina D com a mesma quantidade de sol, e quem já tem 70 ou 80 anos sai pouco de casa, se cobre mais e passa protetor por causa do risco de câncer de pele. Um terço dos idosos brasileiros tem vitamina D deficiente no exame, e a taxa continua alta justamente em regiões de sol forte, o que mostra o tamanho do limite. A recomendação sensata é sol de rosto, braços e pernas por 10 a 15 minutos, fora do horário de pico, sem torrar a pele, e sem contar com isso como se fosse tratamento.
Vitamina D em excesso faz mal?
Faz. O excesso sustentado aumenta o cálcio no sangue e dá sede fora do comum, urina em grande quantidade, enjoo, prisão de ventre, confusão mental, pedra nos rins e, nos casos graves, perda de função renal. Há ainda um efeito silencioso: 4.000 unidades por dia durante três anos deixam o osso do antebraço menos denso do que 400 unidades por dia, e 10.000 por dia deixam pior ainda, sem nenhum ganho de resistência do osso. A vitamina D em dose grande não é vitamina D melhor.
Vitamina D previne demência?
Não há prova disso. Quem tem vitamina D abaixo de 10 ng/mL desenvolve demência 33% mais que quem está normal, e a faixa de 10 a 20 ng/mL fica 14% acima. Esses números saem de acompanhar as mesmas pessoas ao longo dos anos, e dizem que os dois andam juntos, sem dizer que um cause o outro. Quando a vitamina D é reposta de propósito, o ganho não aparece: 2.000 unidades por dia durante três anos, no idoso saudável, não mudam a prova de memória, atenção e linguagem pontuada de 0 a 30. A vitamina D baixa diz mais sobre uma vida com pouco sol e pouca rua do que sobre a demência que vem depois.
Quem mais precisa repor vitamina D?
O idoso que vive dentro de casa ou em instituição de longa permanência, o que tem osteoporose ou já fraturou, o que cai com frequência, o que tem doença renal crônica, o que passou por cirurgia bariátrica ou tem doença intestinal de má absorção, o que usa anticonvulsivante ou corticoide por tempo prolongado, o que tem obesidade e o que já mostrou nível baixo no exame. Depois dos 75 anos a reposição diária passa a ser sugerida mesmo sem exame prévio. Fora desses grupos, o frasco rende pouco.

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